quinta-feira, maio 14, 2026
Quinta Feira da Ascensão/Dia da Espiga
terça-feira, maio 12, 2026
Apagamentos
Tinha um texto muito bem preparado sobre o turismo religioso e o que significa na terra onde vivo, penso que todos sabem que resido em Fátima, sou fatimense por adoção e sem qualquer ligação à economia local.
Só que, numa tentativa de adicionar novos blogues, tanto cliquei que apaguei todos os que tinha, agora para os recuperar vai ser o cabo dos trabalhos e fiquei sem vontade de introduzir o tal texto e aborrecida com a minha inépcia!
Nem Nossa Senhora me vai valer, porque está demasiado ocupada com as preces dos peregrinos.
Quanto maior é a crise mais se reza!
segunda-feira, maio 11, 2026
Leituras
Rómulo Castelo, um pianista e professor de piano virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte.
Tem em casa um estúdio à prova de sons exteriores e, por detrás da porta blindada, refugia-se todas as manhãs, distanciando-se de um casamento problemático e de um filho que jamais corresponderá aos seus ideais de excelência enquanto ensaia, à exaustão, aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique.
Só que um terrível acidente, em que ficou com a mão direita decepada, vem interromper esta carreira brilhante.
Daí para a frente será uma luta constante na procura de retomar o estatuto que tinha como professor na universidade, criando conflitos com alunos, colegas e a própria direção e aguentando "a dor fantasma", que é a dor presente na mão ausente, terminando só, destruído e endividado, por ter acreditado que uma mão "robótica" iria substituir a mão perdida.
Gostei bastante da obra e, embora tenha encontrado na sua escrita marcas muito presentes, como é óbvio, do português do Brasil, mostra que em Português nos entendemos.
Este romance foi "Prémio Literário José Saramago 2022".
domingo, maio 10, 2026
Poesia ao Domingo
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina ( 1943 - 2012 )
sexta-feira, maio 08, 2026
Música à sexta
quinta-feira, maio 07, 2026
A importância das janelas nas aprendizagens
Vou vender, como ouvi na Antena 3, logo de manhã.
Uma universidade chinesa, não captei qual, publicou um estudo onde se demonstra que os alunos, colocados perto de uma janela com uma bela paisagem, têm melhores resultados do que aqueles que ficam no meio das salas.
Pasmei, porque como professora sempre achei que as janelas eram fatores de distração.
Será uma chinesice que só funciona na China ou funcionará em qualquer sala de aula?
quarta-feira, maio 06, 2026
As Vozes da Rádio
Tenho vários rádios a pilhas que não funcionam, as pilhas estragaram-se por falta de uso e o rádio/despertador da mesa de cabeceira nunca funcionou bem a não ser como despertador, coisa que eu detestava.
Nunca precisei de despertador para acordar, a não ser a desoras, tipo 4/5 da manhã, já o meu companheiro usava e abusava de despertadores, mesmo no plural, um não chegava.
Ouvia música no carro e como andava muito, não lhe sentia a falta em casa.
Com o meu novo estilo de vida, pedi, pelos anos, ao meu filho um rádio portátil e ele ofereceu-me um multiusos. Tem um ótimo som, tem uma lanterna, tem uma bússola, tem um botão de alarme, se eu me perder na floresta (palavras do rapaz), tem um dispositivo para carregar o telemóvel, caso a luz falhe, tem bateria que dá para mais de um mês e carrega-se como um telemóvel.
Ligo-o logo que acordo, faz-me companhia durante horas e passei a conhecer as últimas novidades da música portuguesa que é a que passa nos emissores que capto.
Enfim, é o ideal para situações de emergência, tipo "apagão" ou outra "Kristin".
segunda-feira, maio 04, 2026
Vizinhos
Há dias ouvi martelar no corredor, como ainda não conhecia nenhum vizinho do andar, conheço apenas algumas Irmãs da Comunidade Religiosa que ocupa todo o 3º piso, abri a porta e dei-me com um jovem às voltas com a fechadura da porta.
Cumprimentei-o e apresentei-me, um pouco embaraçado também se apresentou, como não acrescentava mais nada perguntei-lhe se vivia sozinho.
Afinal vivia com a mulher e filhos, não sei quantos.
Disse-lhe que vivia sozinha e que, se lhe tocasse à campainha, ficava a saber que precisava de ajuda.
Sorriu, mas não respondeu que estivesse à vontade.
Esta vivência de se ignorar quem vive ao nosso lado ou em frente, não me agrada de todo.
domingo, maio 03, 2026
Poesia ao domingo
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e a chuva desaba, veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará para sempre
junto do seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in " Lição das Coisas"
quarta-feira, abril 29, 2026
Cataratas
Acontece que há muita gente viajada por aqui e que conhece muitas cataratas, eu tenho-me ficado pelas cascatas do continente e das ilhas.
Só que não é dessas que eu quero falar, vou falar da bela catarata, segundo a oftalmologista, presente no meu olho direito.
Irei ser intervencionada amanhã em Coimbra e, segundo amigos que já passaram por esta experiência, ficarei afastada de ecrãs durante pelo menos uma semana, também não poderei ler.
Enfim, resta-me ouvir música.
Assim ficam a saber o porquê da minha ausência
terça-feira, abril 28, 2026
Amizades virtuais
A blogosfera trouxe-me amizades virtuais que se foram consolidando ao logo dos anos.
Algumas, poucas dessas amizades, mantêm-se firmes nas visitas que me fazem, com palavras de ânimo, de solidariedade e de companheirismo.
Conto sempre com elas.
Embora a lista de blogues que tenho para visitar seja longa, acontece que muitos foram morrendo na praia e outros partiram mesmo para outra dimensão. Assim restam-me poucos a comentar.
Apesar disso tenho por hábito comentar quem me comenta, desde que consiga aceder ao seu espaço.
É uma espécie de troca de visita.
Não os tenho acrescentado à minha lista porque me esqueci como se faz, mas um dia destes hei de tentar.
Às vezes interrogo-me sobre o facto de haver blogues que comento, mas que não se aproximam nunca do meu espaço e concluo que sou demasiado banal para os seus administradores.
A amizade virtual é muito interessante, porque acabamos por conhecer melhor alguns desses amigos do que gente que vive ao nosso lado e nada têm em comum connosco.
segunda-feira, abril 27, 2026
Faltou-me cantar
Gosto muito de música, de cantar e tenho saudades do tempo em que era contralto no Chorus Auris.
Para mim o 25 de Abril é festa, é música, é E Depois do Adeus, é Grândola, Vila Morena , é Vejam Bem, é Acordai, é o Hino Nacional e muitas mais músicas que sempre adorei cantar em coro.
Este ano e já no ano passado, circunstâncias bem desagradáveis impediram-me de me juntar a um grupo, ou mesmo a uma multidão.
Como consolo, tive nesse dia a companhia de uma amiga e juntas comemos, bebemos, conversámos, rimos e recordámos os velhos tempos em que éramos muitos.
Não cantei, mas foram horas muito agradáveis.
A Amizade também é uma festa!
domingo, abril 26, 2026
Poesia ao domingo
sexta-feira, abril 24, 2026
Descer a Avenida da Liberdade
Hoje seria, segundo o calendário anterior, dia de música, mas talvez por ter mudado de operadora ou por aselhice minha, não consegui introduzir o som que queria " Os Lobos e Ninguém ", com música e letra de José Luís Tinoco, desaparecido há dias, na voz de Carlos do Carmo. É uma música que recomendo, fala-nos da guerra colonial e implicitamente é um apelo à paz.
Ontem no contacto telefónico diário com o meu filho, disse-me que viria sábado, como habitualmente.
Insurgi-me logo:
- Então não vais descer a Avenida com os rapazes?
- Pensei que preferias que fôssemos sábado...
- De maneira alguma! Primeiro está a festa da Avenida, de preferência com um cravo ao peito.
O cravo, ele não levará pela certa, é muito contido, mas eu irei jantar com uma amiga e lá estaremos nós, a festejar de véspera, de cravo ao peito, numa terra onde os cravos não proliferam!
quinta-feira, abril 23, 2026
Dia Mundial do Livro
" - Eu também sinto necessidade de reler os livros que já li - diz um terceiro leitor - mas em cada releitura parece-me ler pela primeira vez um livro novo. Serei eu que continuo a mudar e vejo coisas novas que antes não tinha notado? Ou a leitura é uma construção que ganha forma juntando um grande número de variáveis e não se pode repetir duas vezes de acordo com o mesmo desenho? Sempre que tento reviver a emoção de uma leitura anterior, obtenho impressões diferentes e inesperadas, e não reencontro as anteriores.
In- Se Numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino
Nota: Acabei de ler este livro e essa leitura tornou-se um exercício de persistência, eu que de persistente tenho pouco ou nada.
Foi-me trazido pelo meu filho, ainda eu estava e estive em reclusão e disse-me que já tinha pegado nele várias vezes, mas que acabava por o largar.
Essas palavras levaram-me até ao fim da obra e, no fim, assimilei um pouco da sua mensagem que versa sobre o prazer de ler, de tal forma que são iniciados dez romances e nenhum é concluído. Torna-se numa espécie de busca pela continuidade de obras que se interrompem por estranhos acontecimentos.
E convosco o que se passa?
Gostam de reler certas obras ou não?
quarta-feira, abril 22, 2026
No último andar
No último andar é mais bonito
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar.
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua no terraço
fica tudo ao luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem
para ninguém os maltratar:
no último andar.
De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
no último andar.
Cecília Meireles
terça-feira, abril 21, 2026
Mudança
Nestes últimos 2 anos, a minha mobilidade alterou-se e daí ter que deixar a casa que foi o meu porto de abrigo, durante 57 anos, apesar de ter feito outras escolhas temporárias.
Eis-me de novo no pequeno apartamento que comprámos há 23 anos, quando a casa sofreu um incêndio em Dezembro de 2003. Estivemos aqui quase 5 anos e foi um tempo doloroso, lembro-me de passar semanas deitada num sofá com um cobertor por cima da cabeça, após esse fatídico Dezembro de 2004.
Mas não podia continuar assim a bem da minha sanidade mental e do equilíbrio familiar.
Agora vou ter que criar novas vivências, umas vezes só , outras com o filho e os netos. Os miúdos, agora adolescentes, gostam deste espaço, mas adoram a vivenda e tudo o que ela representa na sua infância de citadinos.
Aos poucos vêm pertences de lá, embora seja impossível trazer tudo o que gostaria, sobretudo livros, quadros e as fotos de família que cobrem uma das paredes do meu escritório.
segunda-feira, abril 20, 2026
E escrevo o quê?
Depois de mais de seis meses sem abrir este espaço, sinto uma certa estranheza acompanhada pela indecisão.
Irei continuar a postar, irei procurar temas interessantes para partilhar, ou simplesmente deixo acontecer, porque este não é um blogue de grandes voos.


