quinta-feira, setembro 17, 2026

Futilidades

Os meus poucos, mas estimados leitores/amigos sabem que também uso com muita frequência o Facebook.

Nesta rede digital funciona o algoritmo que nos vai presenteando com aquilo onde nós colocamos likes ou fazemos comentários.  Aqui há uns dias só me apareciam bandas musicais e orquestras que me deixaram maravilhada, porque adoro toda a espécie de música.

Agora só vejo técnicas de pintura, o que me deixa boquiaberta, uma vez que sou um zero nesta arte.

Interrogo-me se o algoritmo descobriu que fui a uma papelaria à procura de lápis acrílicos, nem sei se isso existe, entusiasmada com as pinturas maravilhosas da Catarina . Não havia!

Por enquanto vou apenas observando os desenhos que o Facebook me oferece, talvez eu tenha esse dom adormecido!

quarta-feira, setembro 16, 2026

Banalidades

 Estou sem acesso aos blogues.

O que é que se passa convosco?

segunda-feira, setembro 14, 2026

Regresso às aulas

 Ontem os rapazes regressaram a Lisboa com o pai.

O mais novo começou as aulas hoje e o mais velho, devido às confusões havidas sobretudo com os exames do 12º, só começará no dia 21. Os professores do Secundário precisam de respirar fundo, antes de enfrentarem mais um ano letivo.

O pequeno apartamento voltou à quietude habitual, com os gatos a dormir descansados, sem serem incomodados com festas.

E eu decidi seguir um horário pouco habitual. Pequeno almoço às 10h, filme a seguir deitada no sofá e só depois as tarefas domésticas, tudo isto acompanhada por música.

Agora todo o tempo me pertence e só faço o que me apetece. Quer dizer que continua muita coisa à espera que eu tome uma atitude.

domingo, setembro 13, 2026

Poesia ao domingo

 Natália Correia nasceu a 13 de setembro de 1923.



Ó meu país, meu corpo delirante,

Meu sangue, minha febre, meu desejo,

Meu mar de sal, meu vinho abundante,

Meu sol de fogo, meu eterno ensejo!


Em ti me perco, em ti reconheço, 

Em ti me cumpro, em ti me incendeio,

Em ti me entrego, em ti me estremeço,

Em ti me afogo, em ti me mareio.


É o teu grito que me sobe à boca,

É teu o ritmo que me agita o passo,

É teu o fogo que me a alma provoca,

É teu o sonho que me prende ao laço.


Natália Correia, in Cântico do País Emerso

sábado, setembro 12, 2026

Citação

 "Quando os ventos da mudança começam a soprar, algumas pessoas levantam muros para se proteger, enquanto outras constroem moinhos para aproveitar a força do vento."


Provérbio chinês

sexta-feira, setembro 11, 2026

Música à sexta

E continuamos com setembro!


 

quinta-feira, setembro 10, 2026

Desabafos

 Os meus netos estão a passar comigo os últimos 15 dias de férias e o pai telefona todos os dias, aliás fá-lo sempre independentemente dos rapazes estarem comigo ou não.

À tantas digo-lhe que não tenho lido quase nada ultimamente e ele responde:

 Deixa lá, minha mãe, estás a construir memórias e eles também!

Fiquei a pensar quanto tempo de memórias me resta construir.

segunda-feira, setembro 07, 2026

Citação

 " Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro. "


Clarice Lispector 


Um conselho nada católico! :))

domingo, setembro 06, 2026

Poesia ao domingo

 The Dancing Words


Porque és o retrato dos meus olhos

Onde as fontes do sol vêm beber

Este mar de setembro azul perfeito

Que nas pedras acaba de morrer.

Porque na noite clara do teu peito

A lua é só um pássaro ferido

E as palavras nascem dos meus dedos

Carregadas de sonho e de sentido

Porque és a cor dos rios em cada fonte

No silêncio da terra desvelada

Lágrima orvalho pétala horizonte

Onde se abre verde a madrugada.


António Lobo Antunes

sábado, setembro 05, 2026

Banalidades

Desde que mudei de casa o algoritmo do Facebook deixou de me presentear com cadeiras elevatórias, é espantoso como sabe que já não preciso!

Em contrapartida agora só apanho bandas e fico bem feliz com isso, porque adoro essas manifestações musicais quer populares, quer eruditas.


Nota: Ontem, pelos vistos, os blogues andaram marados, muitos não conseguiram comentar ninguém, eu estou na lista.

sexta-feira, setembro 04, 2026

quinta-feira, setembro 03, 2026

A minha casa

 Ontem fui a casa, continuo a dizer casa, porque é lá que repousa a maioria das minhas boas memórias.

Fui  para abrir a porta a dois técnicos que iriam, finalmente, avaliar o estado em que se encontram as janelas do sótão que voaram quando do Kristin. Como não acionei o seguro, tudo ficará por minha conta.

O diagnóstico não foi famoso, o ideal seria mudar todo  o telhado, para remediar apresentaram duas soluções - procurar telhas que tapem o espaço em aberto, ou colocação de uma tela que impedirá a chuva de entrar.

A minha vivenda é geminada, com o telhado comum à casa do lado, por isso a sua mudança teria que ser negociada com os vizinhos e eu sem a mínima paciência para negociações e sem vontade de gastar um absurdo na mudança do telhado de uma casa onde não voltarei a dormir.

Uma feliz descoberta - há uma orquídea a florir e ainda há rosas vermelhas num vaso.

Como não levei o telemóvel não houve fotos.

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

 E Setembro chegou cheio de doçura, embora ainda se anunciem dias de muito calor e de alguma chuva.

Com as aulas a começarem em Outubro, era em Setembro que a minha mãe, a minha irmã e eu íamos passar um mês à Nazaré, porque as rendas das casas eram bem mais baratas e a minha mãe era uma boa gestora de um orçamento apertado. 

Muitos anos depois, comprámos lá um apartamento e os meus filhos puderam gozar de excelentes férias, durante parte da infância, adolescência e início da juventude do mais velho. O mais novo ainda hoje lamenta a venda precipitada do apartamento por parte do pai, que tinha uma característica muito especial - fartava-se com facilidade de ver sempre as mesmas pessoas em férias.

Setembro traz-me outras doces  recordações - as vindimas e o delicioso cheiro no celeiro dos meus avós paternos, a maçãs, peras, figos espalhados em tabuleiros em cima de arcas e das uvas penduradas no teto.

Foi também em Setembro que fui tia e mãe pela primeira vez e, ainda agora, o aniversário do meu sobrinho é vivido com a alegria de dois aniversários com um ausente.

O atual  Setembro traz o regresso às aulas dos meus netos que vieram passar os últimos 15 dias de férias comigo.

Espero que passe a ser uma boa recordação para eles!

segunda-feira, agosto 31, 2026

Citação

 " Aquele que pergunta o caminho pode parecer tolo por cinco minutos, mas quem não pergunta permanece perdido para sempre."


Provérbio Finlandês

domingo, agosto 30, 2026

Poesia ao domingo

 Corredores


Acendias lâmpadas nos corredores,

insistias nos regressos, falavas

do Inverno como se as estações do ano

fossem lugares onde se pudesse


construir uma casa, plantar uma vinha.


Carlos de Oliveira

sábado, agosto 29, 2026

Aniversário

 Foi no dia 29 de Agosto de 2006 que este blogue nasceu!, tendo como "padrinho" o meu filho. 

Contra ventos e marés, com pausas mais ou menos longas, faz hoje 20 anos que entrei na blogosfera onde conquistei alguns amigos e algumas amigas.

Ao longo deste tempo, alguns partiram para uma outra dimensão e recordo-os com saudade, outros simplesmente desistiram por razões que só a eles diz respeito.

Eu cá vou teimando em manter o contacto com aqueles e aquelas que vão resistindo.

Espero poder continuar a visitar-vos e a receber a vossa visita!

sexta-feira, agosto 28, 2026

Música à sexta


 

Dolly Parton partiu esta semana e deixa-nos uma voz e temas inesquecíveis!

quinta-feira, agosto 27, 2026

Josefa de Óbidos





 

"Josefa de Óbidos pintou com o pai, Baltazar Gomes Figueira, os meses alegres do Portugal depois de 1640.

O quadro acima exposto, "Mês de Abril",  faz parte de uma série realizada pela dupla de pintores.

Com oficina em Óbidos, pai e filha criaram uma nova cultura visual profana na arte portuguesa."


Informação a partir do jornal Público de hoje.


Josefa de Óbidos imortalizou-se a partir da temática religiosa, muito presente na sua pintura, mas também com naturezas mortas em parceria com o pai e a solo.

Foi de tal forma importante como artista, na sua época, que conseguiu, contrariamente à prática vigente, viver economicamente independente.

Confesso que só a conhecia a partir de quadros de temática religiosa presente em várias igrejas que visitei, nomeadamente a Igreja de Santa Maria, em Óbidos e a Igreja do Mosteiro de Cós, em Alcobaça, entre outras.

quarta-feira, agosto 26, 2026

Efeméride

 Dia Internacional da Igualdade Feminina


"Uma mulher não precisa de endurecer o coração para se tornar forte, precisa apenas parar de abandonar a si mesma para ser aceite."


Simone de Beauvoir

segunda-feira, agosto 24, 2026

Perdeu-se Relógio de Senhora


 

"Portugal, anos do fascismo. As vidas de três mulheres vão-se desvendando, inscritas num tempo com pouca cor, sob o olhar vigilante da Polícia política e de uma moral repressiva, num país sob a sombra da guerra colonial e já farto da ditadura." 

Estas mulheres de origens sociais e de contextos geográficos diferentes acabam por se encontrar num apartamento em Lisboa.

Cada uma delas carrega um ferrete, uma sofreu a violência doméstica e refez a vida fora do casamento, outra, proletária, aderiu ao PC, viveu na clandestinidade, foi presa e depois de longa tortura disse o que podia ser dito, a terceira, mais jovem, vive a vergonha de ser filha de pais incógnitos embora saiba quem é o pai a quem chama padrinho.

Este romance lê-se de um fôlego, pois a técnica narrativa é aliciante, num vai e vem entre cada uma das protagonistas.

A linguagem é quase coloquial, muito atual, em desconformidade com o que é narrado.

O narrador é muito interessante porque vai opinando pelo meio, de forma mordaz, irónica.

domingo, agosto 23, 2026

Poesia ao domingo

 Há Palavras Que Nos Beijam


Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca

Palavras de amor, de esperança

De imenso amor, de esperança louca.


Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto;

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.


De repente coloridas,

Entre palavras sem cor,

Esperadas inesperadas

Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído

No papel abandonado).


Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte.

Ao silêncio dos amantes 

Abraçados contra a morte.


Alexandre O´Neill, in No Reino da Dinamarca

sábado, agosto 22, 2026

Alarme social

Se há uma coisa que me incomoda é a falta de solidariedade feminina.
Vivo felizmente num ambiente social e familiar onde essa prática existe, alargada também ao universo masculino tão necessitado de apoio, por vezes.
Vem isto a propósito de uma notícia que surgiu esta semana com o encontro de uma criança de 3 anos, aparentemente abandonada e a chorar nas escadas de um prédio, altas horas da noite.
Logo soaram os alarmes por parte dos vizinhos que chamaram a polícia, entretanto a irmã de 15 anos, que era a sua cuidadora temporária, surgiu e justificou a sua ausência com a necessidade de comprar bolachas. A mãe, ausente por estar a trabalhar, tinha acabado de lhe mandar 10 euros por MBWay.
Caiu o Carmo e a Trindade contra a mãe que "abandonou" dois filhos menores à sua sorte.
Ninguém teve em consideração o tipo de trabalho da mãe, trabalho noturno, nem a cultura de origem da família em questão.
Se para nós, europeus, uma menina de 15 anos não pode ser responsável por um irmão, uma menina africana dessa idade tem essa responsabilidade desenvolvida.
Não estou a dizer que seja normal aceitarmos uma situação destas, estou a lamentar que sejam logo as mulheres a atirar a primeira pedra, sem antes se questionarem do porquê da mesma.
Sabem lá muitas mulheres que vida difícil vivem neste país famílias monoparentais, sobretudo mães com filhos menores e sem rede de apoio familiar?
Devem ser do tipo "mulheres conservadoras", porque as outras têm de solidárias, fraternas e nunca atirarem a primeira pedra a quem já é flagelada pelas agruras da vida.
Agora está tudo nas mãos da CPCJ e talvez esta mãe possa ser olhada com humanismo.

sexta-feira, agosto 21, 2026

Música à sexta

 Federico Garcia Lorca, poeta andaluz de Granada, foi assassinado pelo franquismo a 19 de Agosto de 1936, fez anteontem 90 anos.

Aqui fica uma sua homenagem .



quarta-feira, agosto 19, 2026

Televisão - RTP2

 Dez Programas para o Fim do Mundo, na RTP2


Embora fosse uma repetição de 14 de Dezembro de 2025, para mim foi uma estreia. Assisti ao programa na segunda-feira, já perto das 11 horas da noite.

Nuno Artur Silva conversa com Viriato Soromenho-Marques, filósofo e professor universitário e com Irene Pimentel, historiadora, sobre o papel da memória na História dos povos e o que a sua ausência pode acarretar.

Parece que a História não se repete, mas rima, segundo Mark Twain e até gagueja, segundo alguém que não fixei.

Resumindo, o que me deixou mais desperta foram os três grandes acontecimentos que poderão perturbar ou já estão a perturbar o nosso presente e adiantados por Viriato Soromenho-Marques:

1. A desregulação do Ambiente que está a provocar catástrofes climáticas;

2. Os graves focos de conflito que podem dar origem a uma 3ª Guerra Mundial, com a agravante de o nuclear estar na mão de loucos;

3. O alargamento da IA a muitos setores da sociedade, gerando inúmero desemprego e alterando valores fundamentais para a sobrevivência das Democracias.


Foi uma longa conversa que me trouxe algum desassossego, embora nada disto seja novidade.

Dá a sensação que estamos mesmo à beira do abismo.

Só a excecionalidade do ser humano nos salvará, se houver mudanças significativas nas rotas de eminente colisão.


terça-feira, agosto 18, 2026

A espuma dos dias


 

A espuma dos dias ainda faz lembrar a espuma do mar, mas há que guardar as belas imagens das férias e assentar arraiais!

Agora que eles partiram, voltei a ser senhora da minha secretária que se encontra no quarto deles e que eles ocupavam a tempo inteiro.

Ainda há pouco abriam buracos no jardim em busca de uma cidade romana, faziam coleção de caracóis, regavam-se mutuamente com a mangueira, levantavam-se cedo, enchiam a casa de legos e de correrias, para agora acordarem tarde, comerem muito bem e quase não tirarem o nariz dos computadores.

São adolescentes que vivem em realidades paralelas que, tanto eu como o pai, assaltamos muitas vezes, para acabarmos os quatro a rir.

segunda-feira, agosto 17, 2026

Querido mês de Agosto

 Aos poucos o mês vai escorrendo, deixando para trás férias na praia, longas tardes à beira da piscina, refeições a quatro, risos com as piadas dos rapazes.

Ainda deu para  uns dias na santa terrinha e uma ida à Praia Fluvial de Constância, no Zêzere. Eles adoram esta praia.

Chegaram com pedrinhas do rio e a grande novidade:

- Avó, imagina que este ano até apareceu um vendedor de bolas de Berlim!

Agosto sem bolas de Berlim, não seria Agosto!

Entretanto já partiram para uns dias com a mãe, o pai voltou ao trabalho e eu voltei a ficar só com a companhia dos gatos.

domingo, agosto 16, 2026

Poesia ao domingo

 Aldeia


Nove casas

duas ruas,

ao meio das ruas

um largo,

ao meio do largo

um poço de água fria.


Tudo isto tão parado

e o céu tão baixo

que quando alguém grita para longe

um nome familiar

se assustam pombos bravos

e acordam ecos no descampado.


Manuel da Fonseca, in Poemas Completos

sexta-feira, agosto 14, 2026

Música à sexta


 

Dou normalmente prioridade à música portuguesa que será ou não do vosso agrado!

quinta-feira, agosto 13, 2026

Leituras





 Tenho lido bastante, mas só irei falar das minhas leituras de vez em quando para não vos cansar.

Conheci a maestria de Machado de Assis na Faculdade, mas como romancista.

Foi com este livro que o meu filho que me trouxe  que descobri o excelente contista que ele é.

Se clicarem na 1ª imagem terão praticamente uma sinopse do mesmo.

É muito curto e lê-se muito bem! 

quarta-feira, agosto 12, 2026

Citação

 " Nestes tempos não sei, por assim dizer, aquilo que quero; talvez não queira aquilo que sei e queira aquilo que não sei."


MARSÍLIO FICINO, carta a  Giovanni Cavalcanti, c. 1475


É espantoso encontrar uma citação destas datada do séc. XV!

domingo, agosto 09, 2026

Poesia ao domingo

 A Forma Justa


Sei que seria possível construir o mundo justo

As cidades poderiam ser claras e lavadas

Pelo canto dos espaços e das fontes

o céu o mar e a terra estão prontos

A saciar a nossa fome do terrestre

A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia

Cada dia a cada um a liberdade e o reino

- Na concha na flor no homem no fruto

Se nada adoecer a própria forma é justa

E no todo se integra como palavra em verso

Sei que seria possível construir a forma justa

De uma cidade humana que fosse

Fiel à perfeição do universo


Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco

E este é o meu ofício  de poeta para a reconstrução do mundo


Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas

sexta-feira, agosto 07, 2026

Música à sexta


 

A ponte que uniu Lisboa à margem sul fez/faz 60 anos e, em 1966, era a ponte suspensa mais alta da Europa.

Daí ter me lembrado dos Jafumega!

quarta-feira, agosto 05, 2026

Leituras

 


Baseado em factos verídicos ocorridos na Bélgica, durante a ocupação nazi, com um abade católico, o narrador conta a profunda amizade desenvolvida entre um padre e um miúdo judeu.

Esse miúdo foi entregue pelos pais a uma família nobre em Bruxelas, mas essa família acabou, por razões de denúncia, por se socorrer do tal padre de uma aldeia a cerca  trinta kms da cidade e que acolhia rapazes judeus, numa espécie de colégio, e cujos pais tinham sido levados pelos nazis ou os próprios pais os tinham deixado para os salvarem.

Entre o miúdo judeu e o padre católico surgem diálogos que vão do místico, ao divertido, mas também ao dramático, sobretudo no questionamento sobre a ação de Deus e nas diferenças entre o judaísmo e o catolicismo. 

O padre procura que o miúdo não esqueça a sua religião, mas ao mesmo tempo tem de levá-lo a ele e a todos a construírem uma nova identidade a partir de documentos falsos que atestavam a sua origem católica e a irem mesmo à missa na aldeia.

Durante três anos sofrerem muitos sustos, mas a guerra acabou e os pais do miúdo apareceram.

É uma pequena narrativa cuja conclusão já nos coloca na atualidade, com referências ao conflito entre Israel e o povo palestiniano.

Já adultos, o tal miúdo e um grande amigo que vive em Israel, têm este diálogo:

- Não sejas ingénuo, José. A melhor forma de chegar à paz, é muitas vezes a guerra.

- Eu não estou de acordo. Quanto mais ódio acumulares entre estes dois campos, menos a paz será possível.



Nota: o meu último Leituras teve apenas duas leitoras!

terça-feira, agosto 04, 2026

Desafio


 

Estou de férias com os meus "índios"!

Como não posso movimentar-me na areia, fico pela piscina.

A pergunta é:

- Como se chama a praia onde estamos?

domingo, agosto 02, 2026

Poesia ao domingo

 O último andar


No último andar é mais bonito:

do último andar se vê o mar.

É lá que quero morar.


O último andar é muito longe:

custa-se muito a chegar.

Mas é lá que eu quero morar.


Todo o céu fica a noite inteira

sobre o último andar

É lá que eu quero morar.


Quando faz lua no terraço

fica todo o luar

É lá que eu quero morar.


Os passarinhos lá se escondem

para ninguém os maltratar:

no último andar.


De lá se avista o mundo inteiro:

tudo parece perto, no ar.

É lá que quero morar:


no último andar.


Cecília Meireles


Do meu último andar não vejo o mar, mas vejo a serra!

sábado, agosto 01, 2026

Leituras


 

Na 5ª feira houve mais uma sessão no Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ourém.

O livro em análise é o que se encontra na imagem.

O tema central gira à volta da crise conjugal vivida por um casal de meia idade e na reforma, quando foi a Moscovo visitar a filha de uma 1ª relação do homem.

Depois de algumas e alguns leitores terem considerado a obra pouco profunda, surgiram comentários que contrariaram essa opinião.

A condição feminina, o envelhecimento, a juventude, as divergências sociopolíticas entre pai e filha e a falta de comunicação são os eixos desta quase novela e, como tal, deram origem as discussões bem profundas.

sexta-feira, julho 31, 2026

Música à sexta


 


Rui Veloso fez ontem 69 anos e é um dos nossos bons cantores, fez parte integrante da banda GNR.

terça-feira, julho 28, 2026

Curiosidades


 

A Mata do Bussaco é a primeira Floresta Terapêutica da Península Ibérica.

Bussaco vai receber a certificação de Floresta Terapêutica  e torna-se a quarta do mundo a ostentar tal título.

As suas características cruzam natureza, saúde e bem-estar.

Esta Mata Nacional vai receber essa certificação na próxima semana, revelou recentemente o presidente da Fundação Mata do Bussaco, Gonçalo Breda Marques.

Subscrevo este galardão, pois já passei umas belas férias com duas amigas  nesta região e até subi estas escadas!

É uma bela Mata Nacional!

segunda-feira, julho 27, 2026

Solução do desafio botânico


 

Era mesmo um feto, nome pelo qual é conhecida esta planta entre nós.

No Brasil chama-se samambaia .

As samambaias ou fetos são plantas sem flores ou sementes que se reproduzem por esporos, destacando-se pela folhagem verde e exuberante.

Tem o nome científico de Nephrolepis, como adiantou uma nova visitante, Luma Rosa.

Aos participantes os meus agradecimentos, é sempre um prazer ter uma boa adesão aos desafios.

domingo, julho 26, 2026

Poesia ao domingo

 Dois Cimbalinos Escaldados


Não sei, meu amigo, o que

irradiava mais calor, se

a chávena escaldada, se

o cimbalino fervente, se

as conversas sobre livros de poesia

que nesse tempo ainda

acreditávamos ser a maior razão.


Curto, normal, cheio

o cimbalino, esse negro odor

com moldura branca

numa mesa de café, na cidade

onde habitávamos desde sempre.


Inês Lourenço, in O Segundo Olhar



Nota: Inês Lourenço é a protagonista da Feira do Livro do Porto, a decorrer entre 21 de agosto e 6 de setembro.

sábado, julho 25, 2026

Desafio botânico


 

Os tempos não estão fáceis com tanta perturbação na ordem mundial, perdas de vozes que amamos, incêndios em Portugal e os nossos vizinhos espanhóis a passarem da euforia à enorme preocupação com milhares de desalojados por precaução, mas também já com muitos prejuízos.

Daí pensar em aliviar um pouco o ambiente.

Tenho uma amiga brasileira que, na semana passada, me visitou e me trouxe esta bela planta.

Por acaso sabem o nome dela em português do Brasil?

sexta-feira, julho 24, 2026

Música à sexta


 

Procurei uma das canções dos Trovante que ainda não tivesse ouvido por aqui.

Quem já foi ao Faial conhece bem este bar icónico, o Peter´s !

quarta-feira, julho 22, 2026

Homenagem


 

Foi a triste notícia que tive ao acordar.

Luís Represas partiu, a nossa música ficou sem um extraordinário cantor que permanecerá na nossa memória.

segunda-feira, julho 20, 2026

Festivais

 Agora que a febre do Mundial passou, podemos, finalmente, focar-nos naquilo que mais apreciamos- "Festivais", de preferência de música, porque tristezas não pagam dívidas.

Assim tivemos o NOS Alive, o Meo Arena, vamos ter o Festival de Vilar de Mouros, o de Paredes de Coura, o de Porto Covo, além dos vários "arraiais minhotos" com o Quim Barreiros, o Toy, o Tony Carreira, os Vizinhos, etc.

Este ano, pela 1a vez, estamos a viver o Festival das Notas que, neste caso, não são musicais e estão a perturbar seriamente a vida de milhares de famílias.

Parece que se vai prolongar pelo Verão e é completamente surreal o que se está a passar.

domingo, julho 19, 2026

Poesia ao domingo


 Os Gatos


Há um deus único e secreto

em cada gato inconcreto

governando um mundo efémero

onde estamos de passagem


Um deus que nos hospeda

nos seus vastos aposentos

de nervos, ausências, pressentimentos,

e de longe nos observa


Somos intrusos, bárbaros amigáveis,

e compassivo o deus

permite que o sirvamos

e a ilusão de que o tocamos



Manuel António Pina

sexta-feira, julho 17, 2026

Música à sexta


 

Em música temos mais uma prova de sermos uma bela mistura!

quinta-feira, julho 16, 2026

Caminho de Santiago de Compostela

 Um dos meus sobrinhos por via conjugal está a fazer o caminho de Santiago, penso que talvez esteja a fazer o Caminho Central!

A minha admiração prende-se com o facto de, sendo católico por ser batizado, fui sua madrinha, não é praticante. Não sei o que o levou a partir de Lisboa sozinho e de, etapa a etapa, já estar em Ponte de Lima onde dormirá esta noite.

Toda a família tem seguido a sua peregrinação através do WhatsApp onde nos dá conta do que vai acontecendo, de quem vai encontrando e do que vai vendo através de inúmeras fotos.

Daqui, desta santa terrinha, saem muitas pessoas que vão até Valença em transporte próprio e só a partir daí seguem o Caminho a pé, mas é tudo gente católica, apostólica, romana.

Só quando nos encontrarmos no habitual ajuntamento familiar de verão é que ficarei a saber o que o levou a semelhante odisseia.

terça-feira, julho 14, 2026

Desabafo

 Hoje fui até casa, quer dizer à outra casa onde não ia há uns tempos. Subi, com dificuldade, ao 1º andar que tinha abandonado a 29 de setembro, rumo ao hospital.

Senti uma enorme estranheza perante o vazio de algumas divisões e o amontoado de "tralha" que talvez ainda venha para o apartamento.

Penso que se aplicam bem nesta situação duas frases que encontrei no livro que comecei a ler hoje:

"As casas sem pessoas ficam pasmadas. Como se fossem mera lembrança."

segunda-feira, julho 13, 2026

Aniversário


O meu filho fez anos no sábado e veio, até à santa terrinha, festejar com os rapazes, comigo e com outros elementos da família.
Parafraseando o Rogério, escolhi este vinho para animar ainda mais o convívio, tanto mais que também sou a "mainova" das irmãs.
Aconselho este branco alentejano bem fresco.
Uma delícia!

domingo, julho 12, 2026

Poesia ao domingo

 Irmão


Eu podia ser um deles

Aquele

O que não se vê...

Porque não sou um daqueles?

Porquê?

Mas só de pensar que podia

Ser mais um na multidão

Sangro de melancolia

De não sendo nenhum deles

Ser de todos um irmão.


João Monge

Nasceu em Lisboa a 1 de Agosto de 1957 e escreveu, por exemplo, Timor esse hino à liberdade e independência dos timorenses.

sexta-feira, julho 10, 2026

Música à sexta


 

Hoje teria que ser esta senhora de voz inconfundível

Fez de Portugal, Albufeira, a sua morada e partiu ontem aos 75 anos no hospital de Faro onde estava internada há uns meses.

quinta-feira, julho 09, 2026

Desafio


 

Eu sei que os desafios já não são o que eram, mas aqui fica um.

Onde se encontra este leitor?

Não digam logo de chapa!

terça-feira, julho 07, 2026

Vizinhas

 Subia a rampa de acesso ao elevador, apoiada num andarilho e eu atrás com a minha canadiana.

Chegadas lá, a senhora abre a porta, entra, coloca o andarilho de forma a eu entrar e pergunta:

- É irmã?

Eu respondo:

- Sim, sou irmã da minha irmã!

- Eu queria dizer se era religiosa, acrescenta ela.

- Não, não sou religiosa. E a senhora?

- Eu sou religiosa do 3º andar.

- Mas não tem hábito...

(As religiosas do 3º andar têm um bonito hábito azul clarinho.)

- Lá em Cabo Verde não temos hábito e também andamos descalças.

E estava mesmo descalça, tipo Cesária Évora!

E lá subimos, eu calçada , ela descalça, ambas com um sorriso de boa vizinhança

domingo, julho 05, 2026

Poesia ao domingo

 As Amoras


O meu país sabe a amoras bravas no verão.

Ninguém ignora que não é grande,

nem inteligente, nem elegante o meu país,

mas tem esta voz doce

de quem acorda cedo para cantar nas silvas.

Raramente falei do meu país,

talvez nem goste dele,

mas quando um amigo me traz amoras bravas

os seus muros parecem-me brancos,

reparo que também no meu país o céu é azul.


Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas

sábado, julho 04, 2026

Netos

 Pensava eu e afirmava, avó ingénua, que os meus netos seriam daqueles rapazes que gostariam muito de ler, de conversar, de rir, de brincar e que, talvez de vez em quando, mexessem no telemóvel ou no computador, quando fossem mais velhos.

Pura ilusão, ainda "ontem" eram assim e hoje não fazem outra coisa senão jogar com os amigos via computador.

O mais velho, apesar de tudo ainda lê, embora em inglês o que eu acho uma patetice, mas o mais novo nem isso.

É bem verdade "pela boca morre o peixe"

sexta-feira, julho 03, 2026

quarta-feira, julho 01, 2026

Citação

 " A mulher seria verdadeiramente igual ao homem no dia em que, para um cargo importante, fosse nomeada uma mulher incompetente."


Françoise Giroud

(Jornalista, escritora e política)


Nota: não resisti a esta citação! :))

segunda-feira, junho 29, 2026

Memória

 Ontem, numa conversa telefónica com uma amiga, acabámos por concluir que a nossa memória visual para paisagens e rostos deixa muito a desejar, mas a nossa memória para palavras mantém-se fresca.

Lembramos poemas, frases de romances, conversas com amigos/amigas, as palavras aldrabadas da infância dos nossos filhos, mas esquecemos os pormenores de locais por onde andámos há muito e onde fomos felizes.

Salvaguardo Paris que visualizo com facilidade!

domingo, junho 28, 2026

sábado, junho 27, 2026

Leituras


Na 5ª feira, realizou-se mais uma sessão do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ourém.
Como ainda estou com algumas limitações de mobilidade tenho falhado ao Clube de Leitura que frequento há muitos anos, em Leiria.
O livro em discussão era este e fiquei a saber que ele foi primeiro uma peça de teatro que, depois de vários pedidos, foi transformado numa pequena história.
" Com uma escrita simples, emocionante e cheia de humor, Eric-Emmanuel Schimtt narra a história de um menino judeu e de um velho merceeiro árabe( muçulmano). Momo, o menino judeu vive sozinho com um pai frio e distante. O senhor Ibrahim, o velho merceeiro, é acolhedor, simpático, disponível.
Juntos vivem uma série de aventuras e constroem uma amizade que ultrapassa todas as fronteiras."
O interessante da sessão foi ver as várias leituras e descobertas feitas pelos participantes, com opiniões muito interessantes, a maioria gostou imenso do livro, houve apenas uma jovem que não o apreciou e outra que declarou não ter sentido de humor e não se ter divertido a lê-lo.
De resto, o que esteve em causa foi a capacidade que temos de ver aquilo que outros não veem e acima de tudo a lição da aceitação da diferença.

sexta-feira, junho 26, 2026

Música à sexta


  Eu sei que é muito conhecido este fado, mas não resisti à letra de Pedro Homem de Melo e à voz de Dulce Pontes.

terça-feira, junho 23, 2026

S. João


O meu bairro está em festa!

Desde há 30 anos, data da inauguração desta capelinha, que se festeja o S. João e de que maneira.

Há comes e bebes durante vários dias, quermesse, algodão doce, filhoses, café da avó, animação musical, baile até às tantas, mas também cerimónias religiosas, missa, terço e procissão.

No aspeto decorativo, todos os anos somos surpreendidos com um tapete de flores que vai das escadas da capela até ao final do pequeno largo. Este ano as flores foram substituídas por verdura e elos ligados uns aos aos outros a simbolizar a união presente no bairro, onde dezenas de moradores se envolvem, para que tudo corra bem e com muita animação. 

Neste dia 23, ao fim da tarde, já há uma enorme fila para as sardinhas que são o prato forte, o jantar prolonga-se quase até à meia-noite, hora de lançamento do fogo de artifício, com foguetes de luzes, controlado com a presença dos bombeiros.

Este ano com Portugal a jogar, penso que às 17,30 já há mesas ocupadas.

Com as sardinhas de semana, a família juntou-se no domingo para o tradicional almoço, nas mesas corridas à boa maneira da província.

Quando digo a família, sou eu com os meus rapazes e a minha irmã com os filhos e netas. Este ano tivemos duas faltas justificadas.

Os rapazes vieram de Lisboa, mas partiram cedo porque o neto mais velho tinha exame de matemática na segunda.

Se a música se ouvia muito bem na minha vivenda, aqui no apartamento ainda chegam alguns ecos.

E é assim o S. João no meu bairro.

segunda-feira, junho 22, 2026

Futilidades


 Não é só a Catarina que come bons petiscos!

São serviços?

domingo, junho 21, 2026

Poesia ao domingo

 O Vagabundo do Mar


Sou barco de vela e remo

sou vagabundo do mar.

Não tenho escala marcada

nem hora para chegar:

é tudo conforme o vento,

tudo conforme a maré...

Muitas vezes acontece

largar o rumo tomado

da praia para onde ia...

Foi o vento que virou?

foi o mar que enraiveceu

e não há porto de abrigo?

ou foi a minha vontade

de vagabundo do mar?

Sei lá.

Fosse o que fosse

não tenho rota marcada

ando ao sabor da maré.

É por isso meus amigos,

que a tempestade da Vida

me apanhou no alto mar.

E agora

queira ou não queira,

cara alegre e braço forte:

estou no meu posto a lutar1

Se for ao fundo acabou-se.

Estas coisas acontecem

aos vagabundos do mar.


Manuel da Fonseca, in Obra Poética



sexta-feira, junho 19, 2026

Música à sexta


 

E nada melhor do que uma música de Cabo Verde para homenagear esse país que aguentou firme o ímpeto da Espanha, graças às mãos de ouro do Vozinha! 

quinta-feira, junho 18, 2026

Citação

 Desculpai não vos responder como faço habitualmente, mas ainda estou a recuperar da minha falha de intuição.

" E alegre se fez triste"

Felizmente, logo de manhã, caí em cima de um artigo de Ascenso Simões, no Expresso digital, creio, com o título "O Poeta da Cidade"

Aqui fica a sua introdução.

" Não sei o nome dele, pouco interessa. só sei que enche a alma, que nos retira da fossa em que estamos, nos concede a imagem de um Deus frágil, próximo e amigo. O Poeta da Cidade é o que de melhor nos deu o algoritmo através das redes sociais."


P.S. Vão por mim, que também o encontro muitas vezes por aqui e é um consolo ouvi-lo.

quarta-feira, junho 17, 2026

Desabafo

Não sou nada convencida, mas tenho a mania que sou intuitiva.
Esse convencimento já me trouxe alguns desgostos e deceções em relação a pessoas que considerava fiáveis, amigas e das quais não esperava determinadas atitudes que descobri tardiamente.
Mas para a frente é que é o caminho e, sobretudo, não demonstrar essa deceção. Assim ficamos todos bem e eu posso ser um pouco irónica de vez em quando sem me denunciar.
Este desabafo vem a propósito da minha intuição que me leva a acreditar na vitória contra o Congo!
Olha a volta que eu dei!

terça-feira, junho 16, 2026

Jornais

Deixei de comprar jornais diários e semanais desde que fiquei sozinha.
Limito-me a ler as suas capas na Net,  vejo o noticiário das 21 e 30 da RTP2 e assim fico informada.
O Facebook também me mantém atualizada em relação a muitos aspetos.
Ainda assino o jornal da minha terra de origem e um regional.
O mundo continua perigoso e Portugal faz que anda mas não anda, como o barquinho da carreira...só que não é brincadeira.

segunda-feira, junho 15, 2026

Portugal

 Quer queiramos ou não, na matriz identitária de Portugal encontram-se gravadas as palavras Fado, Futebol e Fátima.

No Fado cabem os descobrimentos, a colonização, a descolonização, a saudade do que queríamos ser e não fomos, a tristeza dos amores desencontrados.

Já o Futebol oscila entre grandes alegrias e enormes tristezas. Veremos o que nos espera a partir de quarta-feira, o exemplo do Brasil não foi animador.

Fátima é outra conversa, é um nome universal, conhecido de crentes e não-crentes.

Se não houve milagre, passou a haver!

domingo, junho 14, 2026

Poesia ao domingo

 As Mãos


Com as mãos se faz a paz se faz a guerra,

Com as mãos tudo se faz e se desfaz.

Com as mãos se faz o poema - e são de terra.

Com as mãos se faz a guerra - e são a paz.


Com as mãos se rasga o mar. Com as mãos se lavra.

Não são de pedras estas casas mas

de mãos. E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.


E cravam-se no Tempo como farpas

as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.


De mãos é cada flor cada cidade.

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.


Manuel Alegre, in O Canto e as Armas

sábado, junho 13, 2026

Santo António


 Em dia de Santo António

Eu comprei um manjerico

Com ou sem harmónio

Em casa é que não fico.


Por aqui se pode avaliar o meu jeito para versejar!

sexta-feira, junho 12, 2026

Música à sexta


 

E porque o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades foi há pouco e porque o Mundial de Futebol começou ontem e porque este fado tem muito de Portugal, aqui fica!

quarta-feira, junho 10, 2026

Cataratas

 E lá foi à vida a 2a. catarata!

Tenho estado de descanso! 

domingo, junho 07, 2026

Poesia ao domingo

 

Quem me espera não me espera

Quem me ama já esqueceu

Quem me toca dilacera

Esta estranha primavera

Que o mês de Maio me deu


Eu já não sei o que tenho

Se febre, se mal ruim

Se este sentimento estranho

De não ser de onde venho

Comigo longe de mim


E assim fico sentado

Com as algas a boiar

De queixo na mão pousado

Ó meu barquinho parado

Sem porto para ancorar


António Lobo Antunes

 " VODKA e VALIUM 10"


P.S. A Teresa, que está de férias no Porto, lembrou-me a feição poética de ALA, daí este poema.

sábado, junho 06, 2026

Dia D


 


Faz hoje 82 anos que se deu o desembarque das tropas aliadas, nas praias da Normandia que estavam divididas em 5 setores: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword.

O desembarque em Omaha foi o mais sangrento, com milhares de mortos de um lado e do outro.

Estive lá, nessa zona costeira com alunos da minha escola e onde ainda se viam alguns obstáculos no mar e em terra restavam algumas casamatas  de onde os soldados alemães atingiram milhares de aliados.

Também visitámos um museu que reconstituía o desembarque.

Neste dia iniciou-se o princípio do fim do nazismo e o fim da Segunda Guerra Mundial.

Julgávamos nós que, na Europa, não tornaríamos a assistir à barbárie de uma guerra, mas ela aí está e sem fim à vista.

sexta-feira, junho 05, 2026

quinta-feira, junho 04, 2026

Leituras

Há dias no Facebook, a propósito das crónicas de Lobo Antunes, uma amiga, fã das mesmas, escreveu que o autor dizia uma coisa interessante..."Quem lia as crónicas eram os que não sabiam nadar, ao contrário dos que liam os livros dele."
Eu acrescentei também me deliciar com as suas crónicas, mas que já tinha iniciado as aulas de natação com a leitura de " Até Que as Pedras se Tornem mais Leves Que a Água", um livro muito difícil, violento que nos transporta para os traumas da guerra colonial num alferes. Levei muito tempo a terminá-lo.
Agora lancei-me ao segundo, este que está na foto e com o qual me estou a divertir bastante. É o relato do desmoronamento de uma família da alta burguesia, ligada ao Estado Novo, após o 25 de Abril, com uma quinta em Palmela completamente arruinada, com fugas para Espanha, com uma linguagem que retrata os tiques linguísticos dos bem nascidos em Cascais.




 

terça-feira, junho 02, 2026

Publicidade


 

Há muito que não tínhamos um anúncio tão original como este.

Aliás os nossos publicitários não andam nada criativos.

Este anúncio faz-me lembrar o "Tou xim".

segunda-feira, junho 01, 2026

Olhares


  A papoila resiliente!

domingo, maio 31, 2026

Poesia ao domingo

 Dez Reis de Esperança



Se não fosse esta certeza

que nem sei de onde me vem,

não comia, não bebia,

nem falava com ninguém.

Acocorava-me a um canto,

no mais escuro que houvesse,

punha os joelhos à boca

e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes

do ingénuo adolescente,

a chuva das penas brancas

a cair impertinente,

aquele incógnito rosto,

pintado em tons de aguarela,

que sonha no frio encosto

da vidraça da janela,

 não fosse a imensa piedade

dos homens que não cresceram,

que ouviram, viram, ouviram,

viram e não perceberam,

essas máscaras selectas,

antologia do espanto, 

flores sem caule, flutuando

no pranto do desencanto,

se não fosse a fome e a sede

dessa humanidade exangue,

roía as unhas e os dedos

até os fazer em sangue.


António Gedeão, in Poesias Completas (1956-1967)

sexta-feira, maio 29, 2026

Música à sexta

E deu-me a nostalgia da música deste filme, do tempo em que os filmes franceses me encantavam



 

quinta-feira, maio 28, 2026

SNS

 Sempre tive acesso ao meu Centro de Saúde sem qualquer problema.

A última consulta que tive foi em março para renovação da carta de condução, de resto solicito por mail ao médico de família os medicamentos ou alguns exames solicitados por outros médicos e até ontem tudo correu bem.

Ontem, perante o agravamento da tosse, telefonei para agendar uma consulta de urgência, a instrução que recebi de uma voz anónima foi de premir a tecla 1. Assim fiz, de novo uma voz anónima manda-me ligar para a Saúde 24 e seguir as instruções.

E o que é que eu fiz? Liguei para uma clínica privada, marquei, sem problemas, consulta para um médico conhecido que até tem acordo com a ADSE e assim resolvi o assunto.

Penso que é mesmo uma estratégia para "desampararmos a loja"!

Claro que isto nada tem a ver com o facto de não aceitarem no Hospital de Faro uma grávida em trabalho de parto, por não ter telefonado primeiro para a Saúde 24. E assim foi obrigada a deslocar-se 70kms até Portimão, onde felizmente o parto ocorreu sem problemas, mas podia ter corrido mal.

Estão deliberadamente a "matar" o SNS!

terça-feira, maio 26, 2026

Desabafos





 


Ainda não senti a diferença!

Então de noite nem se fala.

Além destes rebuçados ditos "milagrosos",  tenho usado mel, limão e Vick!

Já não sei o que fazer mais!