sexta-feira, outubro 09, 2026
Música à sexta
quinta-feira, outubro 08, 2026
Prémio Nobel
A Teresa do Ematejoca já nos deu toda a informação sobre Anna Carson.
Fui então fazer uma breve pesquisa e encontrei um poema da sua autoria lido por Madalena Sá Fernandes, retirado do livro intitulado "Vidro, Ironia e Deus".
Pensei que fosse ouvir algo de difícil compreensão, mas saiu-me um poema que, embora enorme, foca dados do quotidiano, localiza-se numa cozinha onde mãe e filha tomam uma refeição à base de alface, onde o eu poético tece considerações bem comezinhas.
Gostei do que ouvi.
terça-feira, outubro 06, 2026
Leituras
Talvez por ser uma "baby boom" e na minha infância ainda ouvir ecos das atrocidades da 2ª Guerra Mundial, além de ter contactado com uma menina austríaca que veio passar duas temporadas a casa de uma tia minha, através da Cruz Vermelha, tenho uma certo fascínio por romances e filmes que relatam essa época.
A Erika era mais velha do que eu , mas lembro-me do medo que tinha e que a levava a esconder-se debaixo da cama, quando ouvia tocar a buzina das fábricas.
Com a leitura deste livro que está na foto, penso que fiquei vacinada e que não voltarei a ler mais nada sobre este tema.
As amigas que já o tinham lido disseram que era emocionante e que até tinham chorado com o desenrolar dos trágicos acontecimentos vividos por duas irmãs, durante a ocupação da França por parte do exército alemão, o papel das mesmas na Resistência e as terríveis consequências vividas por elas.
Confesso que não me emocionei e senti que para mim já chegava.
A história é como todas as história da Resistência, mas não lhe encontrei valor literário.
Acrescento que foi uma amiga que mo ofereceu nos anos.
Alguém, desse lado, já o leu?
domingo, outubro 04, 2026
Poesia ao domingo
Outonal
Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio...Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País Vago...
Veludos a ondear...Mistério mago...
Encantamento...A hora que não esquece
A luz que a pouco e pouco desfalece.
Que lança em mim a bênção dum afago...
Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!
Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor...
Florbela Espanca, in Charneca em Flor
sábado, outubro 03, 2026
O cinema e a atualidade
Ontem revi "A Lista de Schindler", um filme de 1993.
No final é oferecido ao salvador de centenas de judeus um anel de ouro, feito a partir dos dentes de ouro de muitos dos operários.
Nesse anel estava inscrita uma frase do Talmude, que é uma coletânea de livros sagrados dos judeus, um texto central para o judaísmo rabínico .
Era esta a frase:
Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro.
Perante esta frase, interrogo-me sobre o valor da vida para os dirigentes israelitas que não salvam ninguém em Gaza e na Cisjordânia e estão a dizimar um povo.
Nota: Já estive nas instalações da fábrica de Schindler, em Cracóvia, uma cidade belíssima, e nas paredes há várias imagens do filme.
sexta-feira, outubro 02, 2026
quinta-feira, outubro 01, 2026
Celebrações do dia 1 de Outubro
Hoje, dia 1 de Outubro há várias celebrações:
É Dia Internacional da Doença de Gaucher, Dia Internacional do Idoso, Dia Internacional do Café, Dia Internacional da Música.
No Facebook assinalei o Dia Internacional da Música e como não podia deixar de ser bebi um café Nespresso, depois do pequeno-almoço.
Aqui vou fazer uma breve referência ao Dia do Idoso.
Ouvi ontem, num dos canais da TV, várias opiniões sobre a Lei do Arrendamento, em discussão na AR. Fiquei então a saber que, entre as muitas causas da escassez de casas para arrendar, face à imensa procura, também se encontra o envelhecimento da população que não se despacha a morrer e a deixar vaga a casa onde mora!
Como sou proprietária não me senti muito atingida, mas dá que pensar!
quarta-feira, setembro 30, 2026
Leituras
terça-feira, setembro 29, 2026
Efeméride
O Dia de Confúcio , 28 de Setembro, começou a ser festejado em 2006, em Hong Kong, mas passou a fazer parte do calendário da China continental, das regiões administrativas de Macau, Taiwan, além da Coreia do Sul.
A sabedoria de Confúcio, além de ser apreciada pelos chineses, é também muito apreciada em todo o mundo.
Desconhecia esta efeméride, mas hoje ouvi referência a ela numa das rádios que ouço diariamente.
Foi este o ensinamento deste filósofo, de há milhares de anos, aí referido:
"Se vires um homem bom, imita-o, se vires um homem mau, examina-te."
Achei isto de uma enorme sabedoria e de grande conhecimento do ser humano.
domingo, setembro 27, 2026
Poesia ao domingo
Canção de Outono
No entardecer da terra,
o sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que hoje sou
Amanhã direi: quem dera
Volver a sê-lo! mais frio
O vento vago voltou.
Fernando Pessoa
sábado, setembro 26, 2026
Amigos virtuais
Ontem tive uma consulta de rotina na Gastro, no Hospital de Sto. André em Leiria.
Deslocava-me lentamente, naquele imenso e cansativo corredor, apoiada na minha canadiana, quando vejo um casal parar à minha frente a sorrir. Penso que foram eles que me reconheceram primeiro, mas eu exclamei logo:
- Adélia! e ela:
- Leonilde!
Era a Adélia, do blog Flor de Jasmim, acompanhada pelo Rodrigo do Folha Seca, com os blogues parados há muito, mas meus amigos no Facebook.
Nunca nos tínhamos visto ao vivo e a cores, mas trocámos vários abraços bem apertados e cheios de sorrisos.
E ainda dizem que as redes sociais são prejudiciais ao convívio!
sexta-feira, setembro 25, 2026
quinta-feira, setembro 24, 2026
Clube de leitura
Hoje, ao fim da tarde, terei mais uma sessão do Clube de Leitura, na Biblioteca Municipal de Ourém.
Desta vez os participantes irão falar de um livro que tivessem lido durante as férias.
Como li vários, estou indecisa sobre qual devo falar.

quarta-feira, setembro 23, 2026
Citação
" O tempo, ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, não é o mesmo para toda a gente."
José Saramago
terça-feira, setembro 22, 2026
Outono
domingo, setembro 20, 2026
Poesia ao domingo
Quotidiano (Reflexão)
Por exemplo, as coisas que faltam
neste lugar:
uma enxada para que as mãos não
toquem na terra,
um ninho de pardais no canto
da relha,
para que um ruído de asas se possa
abrigar,
um pedaço de verde no monte que
ainda vejo,
por detrás dos prédios que invadem
tudo.
Mas se estas coisas estivessem aqui,
também faria falta um copo de água
para ver, através do vidro, um horizonte
desfocado;
e ainda os restos de madeira com que,
no inverno, é costume atiçar o fogo
e a imaginação que ele consome.
Como se tudo estivesse no lugar,
pronto para ser usado na data
prevista,
sento-me à janela, e fixo a única coisa
que não se move:
o gato, hipnotizado por um olhar
que só ele pressente.
Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"
sábado, setembro 19, 2026
Citação
"Portugal pode ser pobre em recursos naturais, mas é riquíssimo em grupos de reflexão e em estudos. Passos Coelho está a coordenar um deles, para ajudar a "destravar" a economia portuguesa. O ex-primeiro-ministro pode ter muitas virtudes, mas a clareza e o poder de síntese nunca foram o seu forte. Para quê mais um estudo se o programa para acelerar a economia - mais horas de trabalho, menos direitos laborais, menos IRC e mais poupança, a começar por deixar de ir jantar a restaurantes - cabe numa simples linha?"
Extrato de uma crónica de Pedro Garcias no Público de 18 de Setembro
Esta crónica tem um título bem sugestivo:
Para alguns patrões, "vinagre no rabo dos trabalhadores é Barca Velha"
sexta-feira, setembro 18, 2026
quinta-feira, setembro 17, 2026
Futilidades
Os meus poucos, mas estimados leitores/amigos sabem que também uso com muita frequência o Facebook.
Nesta rede digital funciona o algoritmo que nos vai presenteando com aquilo onde nós colocamos likes ou fazemos comentários. Aqui há uns dias só me apareciam bandas musicais e orquestras que me deixaram maravilhada, porque adoro toda a espécie de música.
Agora só vejo técnicas de pintura, o que me deixa boquiaberta, uma vez que sou um zero nesta arte.
Interrogo-me se o algoritmo descobriu que fui a uma papelaria à procura de lápis acrílicos, nem sei se isso existe, entusiasmada com as pinturas maravilhosas da Catarina . Não havia!
Por enquanto vou apenas observando os desenhos que o Facebook me oferece, talvez eu tenha esse dom adormecido!
quarta-feira, setembro 16, 2026
segunda-feira, setembro 14, 2026
Regresso às aulas
Ontem os rapazes regressaram a Lisboa com o pai.
O mais novo começou as aulas hoje e o mais velho, devido às confusões havidas sobretudo com os exames do 12º, só começará no dia 21. Os professores do Secundário precisam de respirar fundo, antes de enfrentarem mais um ano letivo.
O pequeno apartamento voltou à quietude habitual, com os gatos a dormir descansados, sem serem incomodados com festas.
E eu decidi seguir um horário pouco habitual. Pequeno almoço às 10h, filme a seguir deitada no sofá e só depois as tarefas domésticas, tudo isto acompanhada por música.
Agora todo o tempo me pertence e só faço o que me apetece. Quer dizer que continua muita coisa à espera que eu tome uma atitude.
domingo, setembro 13, 2026
Poesia ao domingo
Natália Correia nasceu a 13 de setembro de 1923.
Ó meu país, meu corpo delirante,
Meu sangue, minha febre, meu desejo,
Meu mar de sal, meu vinho abundante,
Meu sol de fogo, meu eterno ensejo!
Em ti me perco, em ti reconheço,
Em ti me cumpro, em ti me incendeio,
Em ti me entrego, em ti me estremeço,
Em ti me afogo, em ti me mareio.
É o teu grito que me sobe à boca,
É teu o ritmo que me agita o passo,
É teu o fogo que me a alma provoca,
É teu o sonho que me prende ao laço.
Natália Correia, in Cântico do País Emerso
sábado, setembro 12, 2026
Citação
"Quando os ventos da mudança começam a soprar, algumas pessoas levantam muros para se proteger, enquanto outras constroem moinhos para aproveitar a força do vento."
Provérbio chinês
sexta-feira, setembro 11, 2026
quinta-feira, setembro 10, 2026
Desabafos
Os meus netos estão a passar comigo os últimos 15 dias de férias e o pai telefona todos os dias, aliás fá-lo sempre independentemente dos rapazes estarem comigo ou não.
À tantas digo-lhe que não tenho lido quase nada ultimamente e ele responde:
Deixa lá, minha mãe, estás a construir memórias e eles também!
Fiquei a pensar quanto tempo de memórias me resta construir.
segunda-feira, setembro 07, 2026
Citação
" Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro. "
Clarice Lispector
Um conselho nada católico! :))
domingo, setembro 06, 2026
Poesia ao domingo
The Dancing Words
Porque és o retrato dos meus olhos
Onde as fontes do sol vêm beber
Este mar de setembro azul perfeito
Que nas pedras acaba de morrer.
Porque na noite clara do teu peito
A lua é só um pássaro ferido
E as palavras nascem dos meus dedos
Carregadas de sonho e de sentido
Porque és a cor dos rios em cada fonte
No silêncio da terra desvelada
Lágrima orvalho pétala horizonte
Onde se abre verde a madrugada.
António Lobo Antunes
sábado, setembro 05, 2026
Banalidades
Desde que mudei de casa o algoritmo do Facebook deixou de me presentear com cadeiras elevatórias, é espantoso como sabe que já não preciso!
Em contrapartida agora só apanho bandas e fico bem feliz com isso, porque adoro essas manifestações musicais quer populares, quer eruditas.
Nota: Ontem, pelos vistos, os blogues andaram marados, muitos não conseguiram comentar ninguém, eu estou na lista.
sexta-feira, setembro 04, 2026
quinta-feira, setembro 03, 2026
A minha casa
Ontem fui a casa, continuo a dizer casa, porque é lá que repousa a maioria das minhas boas memórias.
Fui para abrir a porta a dois técnicos que iriam, finalmente, avaliar o estado em que se encontram as janelas do sótão que voaram quando do Kristin. Como não acionei o seguro, tudo ficará por minha conta.
O diagnóstico não foi famoso, o ideal seria mudar todo o telhado, para remediar apresentaram duas soluções - procurar telhas que tapem o espaço em aberto, ou colocação de uma tela que impedirá a chuva de entrar.
A minha vivenda é geminada, com o telhado comum à casa do lado, por isso a sua mudança teria que ser negociada com os vizinhos e eu sem a mínima paciência para negociações e sem vontade de gastar um absurdo na mudança do telhado de uma casa onde não voltarei a dormir.
Uma feliz descoberta - há uma orquídea a florir e ainda há rosas vermelhas num vaso.
Como não levei o telemóvel não houve fotos.
terça-feira, setembro 01, 2026
Setembro
E Setembro chegou cheio de doçura, embora ainda se anunciem dias de muito calor e de alguma chuva.
Com as aulas a começarem em Outubro, era em Setembro que a minha mãe, a minha irmã e eu íamos passar um mês à Nazaré, porque as rendas das casas eram bem mais baratas e a minha mãe era uma boa gestora de um orçamento apertado.
Muitos anos depois, comprámos lá um apartamento e os meus filhos puderam gozar de excelentes férias, durante parte da infância, adolescência e início da juventude do mais velho. O mais novo ainda hoje lamenta a venda precipitada do apartamento por parte do pai, que tinha uma característica muito especial - fartava-se com facilidade de ver sempre as mesmas pessoas em férias.
Setembro traz-me outras doces recordações - as vindimas e o delicioso cheiro no celeiro dos meus avós paternos, a maçãs, peras, figos espalhados em tabuleiros em cima de arcas e das uvas penduradas no teto.
Foi também em Setembro que fui tia e mãe pela primeira vez e, ainda agora, o aniversário do meu sobrinho é vivido com a alegria de dois aniversários com um ausente.
O atual Setembro traz o regresso às aulas dos meus netos que vieram passar os últimos 15 dias de férias comigo.
Espero que passe a ser uma boa recordação para eles!
segunda-feira, agosto 31, 2026
Citação
" Aquele que pergunta o caminho pode parecer tolo por cinco minutos, mas quem não pergunta permanece perdido para sempre."
Provérbio Finlandês
domingo, agosto 30, 2026
Poesia ao domingo
Corredores
Acendias lâmpadas nos corredores,
insistias nos regressos, falavas
do Inverno como se as estações do ano
fossem lugares onde se pudesse
construir uma casa, plantar uma vinha.
Carlos de Oliveira
sábado, agosto 29, 2026
Aniversário
Foi no dia 29 de Agosto de 2006 que este blogue nasceu!, tendo como "padrinho" o meu filho.
Contra ventos e marés, com pausas mais ou menos longas, faz hoje 20 anos que entrei na blogosfera onde conquistei alguns amigos e algumas amigas.
Ao longo deste tempo, alguns partiram para uma outra dimensão e recordo-os com saudade, outros simplesmente desistiram por razões que só a eles diz respeito.
Eu cá vou teimando em manter o contacto com aqueles e aquelas que vão resistindo.
Espero poder continuar a visitar-vos e a receber a vossa visita!
sexta-feira, agosto 28, 2026
quinta-feira, agosto 27, 2026
Josefa de Óbidos
"Josefa de Óbidos pintou com o pai, Baltazar Gomes Figueira, os meses alegres do Portugal depois de 1640.
O quadro acima exposto, "Mês de Abril", faz parte de uma série realizada pela dupla de pintores.
Com oficina em Óbidos, pai e filha criaram uma nova cultura visual profana na arte portuguesa."
Informação a partir do jornal Público de hoje.
Josefa de Óbidos imortalizou-se a partir da temática religiosa, muito presente na sua pintura, mas também com naturezas mortas em parceria com o pai e a solo.
Foi de tal forma importante como artista, na sua época, que conseguiu, contrariamente à prática vigente, viver economicamente independente.
Confesso que só a conhecia a partir de quadros de temática religiosa presente em várias igrejas que visitei, nomeadamente a Igreja de Santa Maria, em Óbidos e a Igreja do Mosteiro de Cós, em Alcobaça, entre outras.
quarta-feira, agosto 26, 2026
Efeméride
Dia Internacional da Igualdade Feminina
"Uma mulher não precisa de endurecer o coração para se tornar forte, precisa apenas parar de abandonar a si mesma para ser aceite."
Simone de Beauvoir
segunda-feira, agosto 24, 2026
Perdeu-se Relógio de Senhora
"Portugal, anos do fascismo. As vidas de três mulheres vão-se desvendando, inscritas num tempo com pouca cor, sob o olhar vigilante da Polícia política e de uma moral repressiva, num país sob a sombra da guerra colonial e já farto da ditadura."
Estas mulheres de origens sociais e de contextos geográficos diferentes acabam por se encontrar num apartamento em Lisboa.
Cada uma delas carrega um ferrete, uma sofreu a violência doméstica e refez a vida fora do casamento, outra, proletária, aderiu ao PC, viveu na clandestinidade, foi presa e depois de longa tortura disse o que podia ser dito, a terceira, mais jovem, vive a vergonha de ser filha de pais incógnitos embora saiba quem é o pai a quem chama padrinho.
Este romance lê-se de um fôlego, pois a técnica narrativa é aliciante, num vai e vem entre cada uma das protagonistas.
A linguagem é quase coloquial, muito atual, em desconformidade com o que é narrado.
O narrador é muito interessante porque vai opinando pelo meio, de forma mordaz, irónica.
domingo, agosto 23, 2026
Poesia ao domingo
Há Palavras Que Nos Beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca
Palavras de amor, de esperança
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas,
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado).
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte.
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O´Neill, in No Reino da Dinamarca
sábado, agosto 22, 2026
Alarme social
sexta-feira, agosto 21, 2026
Música à sexta
Federico Garcia Lorca, poeta andaluz de Granada, foi assassinado pelo franquismo a 19 de Agosto de 1936, fez anteontem 90 anos.
quarta-feira, agosto 19, 2026
Televisão - RTP2
Dez Programas para o Fim do Mundo, na RTP2
Embora fosse uma repetição de 14 de Dezembro de 2025, para mim foi uma estreia. Assisti ao programa na segunda-feira, já perto das 11 horas da noite.
Nuno Artur Silva conversa com Viriato Soromenho-Marques, filósofo e professor universitário e com Irene Pimentel, historiadora, sobre o papel da memória na História dos povos e o que a sua ausência pode acarretar.
Parece que a História não se repete, mas rima, segundo Mark Twain e até gagueja, segundo alguém que não fixei.
Resumindo, o que me deixou mais desperta foram os três grandes acontecimentos que poderão perturbar ou já estão a perturbar o nosso presente e adiantados por Viriato Soromenho-Marques:
1. A desregulação do Ambiente que está a provocar catástrofes climáticas;
2. Os graves focos de conflito que podem dar origem a uma 3ª Guerra Mundial, com a agravante de o nuclear estar na mão de loucos;
3. O alargamento da IA a muitos setores da sociedade, gerando inúmero desemprego e alterando valores fundamentais para a sobrevivência das Democracias.
Foi uma longa conversa que me trouxe algum desassossego, embora nada disto seja novidade.
Dá a sensação que estamos mesmo à beira do abismo.
Só a excecionalidade do ser humano nos salvará, se houver mudanças significativas nas rotas de eminente colisão.
terça-feira, agosto 18, 2026
A espuma dos dias
A espuma dos dias ainda faz lembrar a espuma do mar, mas há que guardar as belas imagens das férias e assentar arraiais!
Agora que eles partiram, voltei a ser senhora da minha secretária que se encontra no quarto deles e que eles ocupavam a tempo inteiro.
Ainda há pouco abriam buracos no jardim em busca de uma cidade romana, faziam coleção de caracóis, regavam-se mutuamente com a mangueira, levantavam-se cedo, enchiam a casa de legos e de correrias, para agora acordarem tarde, comerem muito bem e quase não tirarem o nariz dos computadores.
São adolescentes que vivem em realidades paralelas que, tanto eu como o pai, assaltamos muitas vezes, para acabarmos os quatro a rir.
segunda-feira, agosto 17, 2026
Querido mês de Agosto
Aos poucos o mês vai escorrendo, deixando para trás férias na praia, longas tardes à beira da piscina, refeições a quatro, risos com as piadas dos rapazes.
Ainda deu para uns dias na santa terrinha e uma ida à Praia Fluvial de Constância, no Zêzere. Eles adoram esta praia.
Chegaram com pedrinhas do rio e a grande novidade:
- Avó, imagina que este ano até apareceu um vendedor de bolas de Berlim!
Agosto sem bolas de Berlim, não seria Agosto!
Entretanto já partiram para uns dias com a mãe, o pai voltou ao trabalho e eu voltei a ficar só com a companhia dos gatos.
domingo, agosto 16, 2026
Poesia ao domingo
Aldeia
Nove casas
duas ruas,
ao meio das ruas
um largo,
ao meio do largo
um poço de água fria.
Tudo isto tão parado
e o céu tão baixo
que quando alguém grita para longe
um nome familiar
se assustam pombos bravos
e acordam ecos no descampado.
Manuel da Fonseca, in Poemas Completos
sexta-feira, agosto 14, 2026
quinta-feira, agosto 13, 2026
Leituras
Conheci a maestria de Machado de Assis na Faculdade, mas como romancista.
Foi com este livro que o meu filho que me trouxe que descobri o excelente contista que ele é.
Se clicarem na 1ª imagem terão praticamente uma sinopse do mesmo.
É muito curto e lê-se muito bem!
quarta-feira, agosto 12, 2026
Citação
" Nestes tempos não sei, por assim dizer, aquilo que quero; talvez não queira aquilo que sei e queira aquilo que não sei."
MARSÍLIO FICINO, carta a Giovanni Cavalcanti, c. 1475
É espantoso encontrar uma citação destas datada do séc. XV!
domingo, agosto 09, 2026
Poesia ao domingo
A Forma Justa
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
o céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é o meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas
sexta-feira, agosto 07, 2026
Música à sexta
A ponte que uniu Lisboa à margem sul fez/faz 60 anos e, em 1966, era a ponte suspensa mais alta da Europa.
Daí ter me lembrado dos Jafumega!
quarta-feira, agosto 05, 2026
Leituras
Baseado em factos verídicos ocorridos na Bélgica, durante a ocupação nazi, com um abade católico, o narrador conta a profunda amizade desenvolvida entre um padre e um miúdo judeu.
Esse miúdo foi entregue pelos pais a uma família nobre em Bruxelas, mas essa família acabou, por razões de denúncia, por se socorrer do tal padre de uma aldeia a cerca trinta kms da cidade e que acolhia rapazes judeus, numa espécie de colégio, e cujos pais tinham sido levados pelos nazis ou os próprios pais os tinham deixado para os salvarem.
Entre o miúdo judeu e o padre católico surgem diálogos que vão do místico, ao divertido, mas também ao dramático, sobretudo no questionamento sobre a ação de Deus e nas diferenças entre o judaísmo e o catolicismo.
O padre procura que o miúdo não esqueça a sua religião, mas ao mesmo tempo tem de levá-lo a ele e a todos a construírem uma nova identidade a partir de documentos falsos que atestavam a sua origem católica e a irem mesmo à missa na aldeia.
Durante três anos sofrerem muitos sustos, mas a guerra acabou e os pais do miúdo apareceram.
É uma pequena narrativa cuja conclusão já nos coloca na atualidade, com referências ao conflito entre Israel e o povo palestiniano.
Já adultos, o tal miúdo e um grande amigo que vive em Israel, têm este diálogo:
- Não sejas ingénuo, José. A melhor forma de chegar à paz, é muitas vezes a guerra.
- Eu não estou de acordo. Quanto mais ódio acumulares entre estes dois campos, menos a paz será possível.
Nota: o meu último Leituras teve apenas duas leitoras!
terça-feira, agosto 04, 2026
Desafio
Estou de férias com os meus "índios"!
Como não posso movimentar-me na areia, fico pela piscina.
A pergunta é:
- Como se chama a praia onde estamos?
domingo, agosto 02, 2026
Poesia ao domingo
O último andar
No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que quero morar.
O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua no terraço
fica todo o luar
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem
para ninguém os maltratar:
no último andar.
De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que quero morar:
no último andar.
Cecília Meireles
Do meu último andar não vejo o mar, mas vejo a serra!
sábado, agosto 01, 2026
Leituras
Na 5ª feira houve mais uma sessão no Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ourém.
O livro em análise é o que se encontra na imagem.
O tema central gira à volta da crise conjugal vivida por um casal de meia idade e na reforma, quando foi a Moscovo visitar a filha de uma 1ª relação do homem.
Depois de algumas e alguns leitores terem considerado a obra pouco profunda, surgiram comentários que contrariaram essa opinião.
A condição feminina, o envelhecimento, a juventude, as divergências sociopolíticas entre pai e filha e a falta de comunicação são os eixos desta quase novela e, como tal, deram origem as discussões bem profundas.
sexta-feira, julho 31, 2026
Música à sexta
Rui Veloso fez ontem 69 anos e é um dos nossos bons cantores, fez parte integrante da banda GNR.
terça-feira, julho 28, 2026
Curiosidades
A Mata do Bussaco é a primeira Floresta Terapêutica da Península Ibérica.
Bussaco vai receber a certificação de Floresta Terapêutica e torna-se a quarta do mundo a ostentar tal título.
As suas características cruzam natureza, saúde e bem-estar.
Esta Mata Nacional vai receber essa certificação na próxima semana, revelou recentemente o presidente da Fundação Mata do Bussaco, Gonçalo Breda Marques.
Subscrevo este galardão, pois já passei umas belas férias com duas amigas nesta região e até subi estas escadas!
É uma bela Mata Nacional!
segunda-feira, julho 27, 2026
Solução do desafio botânico
Era mesmo um feto, nome pelo qual é conhecida esta planta entre nós.
No Brasil chama-se samambaia .
As samambaias ou fetos são plantas sem flores ou sementes que se reproduzem por esporos, destacando-se pela folhagem verde e exuberante.
Tem o nome científico de Nephrolepis, como adiantou uma nova visitante, Luma Rosa.
Aos participantes os meus agradecimentos, é sempre um prazer ter uma boa adesão aos desafios.
domingo, julho 26, 2026
Poesia ao domingo
Dois Cimbalinos Escaldados
Não sei, meu amigo, o que
irradiava mais calor, se
a chávena escaldada, se
o cimbalino fervente, se
as conversas sobre livros de poesia
que nesse tempo ainda
acreditávamos ser a maior razão.
Curto, normal, cheio
o cimbalino, esse negro odor
com moldura branca
numa mesa de café, na cidade
onde habitávamos desde sempre.
Inês Lourenço, in O Segundo Olhar
Nota: Inês Lourenço é a protagonista da Feira do Livro do Porto, a decorrer entre 21 de agosto e 6 de setembro.
sábado, julho 25, 2026
Desafio botânico
Os tempos não estão fáceis com tanta perturbação na ordem mundial, perdas de vozes que amamos, incêndios em Portugal e os nossos vizinhos espanhóis a passarem da euforia à enorme preocupação com milhares de desalojados por precaução, mas também já com muitos prejuízos.
Daí pensar em aliviar um pouco o ambiente.
Tenho uma amiga brasileira que, na semana passada, me visitou e me trouxe esta bela planta.
Por acaso sabem o nome dela em português do Brasil?
sexta-feira, julho 24, 2026
Música à sexta
Procurei uma das canções dos Trovante que ainda não tivesse ouvido por aqui.
Quem já foi ao Faial conhece bem este bar icónico, o Peter´s !
quarta-feira, julho 22, 2026
Homenagem
Foi a triste notícia que tive ao acordar.
Luís Represas partiu, a nossa música ficou sem um extraordinário cantor que permanecerá na nossa memória.
segunda-feira, julho 20, 2026
Festivais
Agora que a febre do Mundial passou, podemos, finalmente, focar-nos naquilo que mais apreciamos- "Festivais", de preferência de música, porque tristezas não pagam dívidas.
Assim tivemos o NOS Alive, o Meo Arena, vamos ter o Festival de Vilar de Mouros, o de Paredes de Coura, o de Porto Covo, além dos vários "arraiais minhotos" com o Quim Barreiros, o Toy, o Tony Carreira, os Vizinhos, etc.
Este ano, pela 1a vez, estamos a viver o Festival das Notas que, neste caso, não são musicais e estão a perturbar seriamente a vida de milhares de famílias.
Parece que se vai prolongar pelo Verão e é completamente surreal o que se está a passar.
domingo, julho 19, 2026
Poesia ao domingo
Os Gatos
Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem
Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa
Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos
Manuel António Pina
sexta-feira, julho 17, 2026
quinta-feira, julho 16, 2026
Caminho de Santiago de Compostela
Um dos meus sobrinhos por via conjugal está a fazer o caminho de Santiago, penso que talvez esteja a fazer o Caminho Central!
A minha admiração prende-se com o facto de, sendo católico por ser batizado, fui sua madrinha, não é praticante. Não sei o que o levou a partir de Lisboa sozinho e de, etapa a etapa, já estar em Ponte de Lima onde dormirá esta noite.
Toda a família tem seguido a sua peregrinação através do WhatsApp onde nos dá conta do que vai acontecendo, de quem vai encontrando e do que vai vendo através de inúmeras fotos.
Daqui, desta santa terrinha, saem muitas pessoas que vão até Valença em transporte próprio e só a partir daí seguem o Caminho a pé, mas é tudo gente católica, apostólica, romana.
Só quando nos encontrarmos no habitual ajuntamento familiar de verão é que ficarei a saber o que o levou a semelhante odisseia.
terça-feira, julho 14, 2026
Desabafo
Hoje fui até casa, quer dizer à outra casa onde não ia há uns tempos. Subi, com dificuldade, ao 1º andar que tinha abandonado a 29 de setembro, rumo ao hospital.
Senti uma enorme estranheza perante o vazio de algumas divisões e o amontoado de "tralha" que talvez ainda venha para o apartamento.
Penso que se aplicam bem nesta situação duas frases que encontrei no livro que comecei a ler hoje:
"As casas sem pessoas ficam pasmadas. Como se fossem mera lembrança."
segunda-feira, julho 13, 2026
Aniversário
domingo, julho 12, 2026
Poesia ao domingo
Irmão
Eu podia ser um deles
Aquele
O que não se vê...
Porque não sou um daqueles?
Porquê?
Mas só de pensar que podia
Ser mais um na multidão
Sangro de melancolia
De não sendo nenhum deles
Ser de todos um irmão.
João Monge
Nasceu em Lisboa a 1 de Agosto de 1957 e escreveu, por exemplo, Timor esse hino à liberdade e independência dos timorenses.
sexta-feira, julho 10, 2026
Música à sexta
Hoje teria que ser esta senhora de voz inconfundível
Fez de Portugal, Albufeira, a sua morada e partiu ontem aos 75 anos no hospital de Faro onde estava internada há uns meses.
quinta-feira, julho 09, 2026
Desafio
Eu sei que os desafios já não são o que eram, mas aqui fica um.
Onde se encontra este leitor?
Não digam logo de chapa!
terça-feira, julho 07, 2026
Vizinhas
Subia a rampa de acesso ao elevador, apoiada num andarilho e eu atrás com a minha canadiana.
Chegadas lá, a senhora abre a porta, entra, coloca o andarilho de forma a eu entrar e pergunta:
- É irmã?
Eu respondo:
- Sim, sou irmã da minha irmã!
- Eu queria dizer se era religiosa, acrescenta ela.
- Não, não sou religiosa. E a senhora?
- Eu sou religiosa do 3º andar.
- Mas não tem hábito...
(As religiosas do 3º andar têm um bonito hábito azul clarinho.)
- Lá em Cabo Verde não temos hábito e também andamos descalças.
E estava mesmo descalça, tipo Cesária Évora!
E lá subimos, eu calçada , ela descalça, ambas com um sorriso de boa vizinhança
domingo, julho 05, 2026
Poesia ao domingo
As Amoras
O meu país sabe a amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país,
talvez nem goste dele,
mas quando um amigo me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas
sábado, julho 04, 2026
Netos
Pensava eu e afirmava, avó ingénua, que os meus netos seriam daqueles rapazes que gostariam muito de ler, de conversar, de rir, de brincar e que, talvez de vez em quando, mexessem no telemóvel ou no computador, quando fossem mais velhos.
Pura ilusão, ainda "ontem" eram assim e hoje não fazem outra coisa senão jogar com os amigos via computador.
O mais velho, apesar de tudo ainda lê, embora em inglês o que eu acho uma patetice, mas o mais novo nem isso.
É bem verdade "pela boca morre o peixe"
sexta-feira, julho 03, 2026
quarta-feira, julho 01, 2026
Citação
" A mulher seria verdadeiramente igual ao homem no dia em que, para um cargo importante, fosse nomeada uma mulher incompetente."
Françoise Giroud
(Jornalista, escritora e política)
Nota: não resisti a esta citação! :))
segunda-feira, junho 29, 2026
Memória
Ontem, numa conversa telefónica com uma amiga, acabámos por concluir que a nossa memória visual para paisagens e rostos deixa muito a desejar, mas a nossa memória para palavras mantém-se fresca.
Lembramos poemas, frases de romances, conversas com amigos/amigas, as palavras aldrabadas da infância dos nossos filhos, mas esquecemos os pormenores de locais por onde andámos há muito e onde fomos felizes.
Salvaguardo Paris que visualizo com facilidade!
domingo, junho 28, 2026
sábado, junho 27, 2026
Leituras
sexta-feira, junho 26, 2026
Música à sexta
terça-feira, junho 23, 2026
S. João
O meu bairro está em festa!
Desde há 30 anos, data da inauguração desta capelinha, que se festeja o S. João e de que maneira.
Há comes e bebes durante vários dias, quermesse, algodão doce, filhoses, café da avó, animação musical, baile até às tantas, mas também cerimónias religiosas, missa, terço e procissão.
No aspeto decorativo, todos os anos somos surpreendidos com um tapete de flores que vai das escadas da capela até ao final do pequeno largo. Este ano as flores foram substituídas por verdura e elos ligados uns aos aos outros a simbolizar a união presente no bairro, onde dezenas de moradores se envolvem, para que tudo corra bem e com muita animação.
Neste dia 23, ao fim da tarde, já há uma enorme fila para as sardinhas que são o prato forte, o jantar prolonga-se quase até à meia-noite, hora de lançamento do fogo de artifício, com foguetes de luzes, controlado com a presença dos bombeiros.
Este ano com Portugal a jogar, penso que às 17,30 já há mesas ocupadas.
Com as sardinhas de semana, a família juntou-se no domingo para o tradicional almoço, nas mesas corridas à boa maneira da província.
Quando digo a família, sou eu com os meus rapazes e a minha irmã com os filhos e netas. Este ano tivemos duas faltas justificadas.
Os rapazes vieram de Lisboa, mas partiram cedo porque o neto mais velho tinha exame de matemática na segunda.
Se a música se ouvia muito bem na minha vivenda, aqui no apartamento ainda chegam alguns ecos.
E é assim o S. João no meu bairro.














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