sábado, junho 27, 2026
Leituras
sexta-feira, junho 26, 2026
Música à sexta
terça-feira, junho 23, 2026
S. João
O meu bairro está em festa!
Desde há 30 anos, data da inauguração desta capelinha, que se festeja o S. João e de que maneira.
Há comes e bebes durante vários dias, quermesse, algodão doce, filhoses, café da avó, animação musical, baile até às tantas, mas também cerimónias religiosas, missa, terço e procissão.
No aspeto decorativo, todos os anos somos surpreendidos com um tapete de flores que vai das escadas da capela até ao final do pequeno largo. Este ano as flores foram substituídas por verdura e elos ligados uns aos aos outros a simbolizar a união presente no bairro, onde dezenas de moradores se envolvem, para que tudo corra bem e com muita animação.
Neste dia 23, ao fim da tarde, já há uma enorme fila para as sardinhas que são o prato forte, o jantar prolonga-se quase até à meia-noite, hora de lançamento do fogo de artifício, com foguetes de luzes, controlado com a presença dos bombeiros.
Este ano com Portugal a jogar, penso que às 17,30 já há mesas ocupadas.
Com as sardinhas de semana, a família juntou-se no domingo para o tradicional almoço, nas mesas corridas à boa maneira da província.
Quando digo a família, sou eu com os meus rapazes e a minha irmã com os filhos e netas. Este ano tivemos duas faltas justificadas.
Os rapazes vieram de Lisboa, mas partiram cedo porque o neto mais velho tinha exame de matemática na segunda.
Se a música se ouvia muito bem na minha vivenda, aqui no apartamento ainda chegam alguns ecos.
E é assim o S. João no meu bairro.
segunda-feira, junho 22, 2026
domingo, junho 21, 2026
Poesia ao domingo
O Vagabundo do Mar
Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré...
Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.
E agora
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar1
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.
Manuel da Fonseca, in Obra Poética
sexta-feira, junho 19, 2026
Música à sexta
E nada melhor do que uma música de Cabo Verde para homenagear esse país que aguentou firme o ímpeto da Espanha, graças às mãos de ouro do Vozinha!
quinta-feira, junho 18, 2026
Citação
Desculpai não vos responder como faço habitualmente, mas ainda estou a recuperar da minha falha de intuição.
" E alegre se fez triste"
Felizmente, logo de manhã, caí em cima de um artigo de Ascenso Simões, no Expresso digital, creio, com o título "O Poeta da Cidade"
Aqui fica a sua introdução.
" Não sei o nome dele, pouco interessa. só sei que enche a alma, que nos retira da fossa em que estamos, nos concede a imagem de um Deus frágil, próximo e amigo. O Poeta da Cidade é o que de melhor nos deu o algoritmo através das redes sociais."
P.S. Vão por mim, que também o encontro muitas vezes por aqui e é um consolo ouvi-lo.
quarta-feira, junho 17, 2026
Desabafo
terça-feira, junho 16, 2026
Jornais
segunda-feira, junho 15, 2026
Portugal
Quer queiramos ou não, na matriz identitária de Portugal encontram-se gravadas as palavras Fado, Futebol e Fátima.
No Fado cabem os descobrimentos, a colonização, a descolonização, a saudade do que queríamos ser e não fomos, a tristeza dos amores desencontrados.
Já o Futebol oscila entre grandes alegrias e enormes tristezas. Veremos o que nos espera a partir de quarta-feira, o exemplo do Brasil não foi animador.
Fátima é outra conversa, é um nome universal, conhecido de crentes e não-crentes.
Se não houve milagre, passou a haver!
domingo, junho 14, 2026
Poesia ao domingo
As Mãos
Com as mãos se faz a paz se faz a guerra,
Com as mãos tudo se faz e se desfaz.
Com as mãos se faz o poema - e são de terra.
Com as mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com as mãos se rasga o mar. Com as mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre, in O Canto e as Armas
sábado, junho 13, 2026
Santo António
Eu comprei um manjerico
Com ou sem harmónio
Em casa é que não fico.
Por aqui se pode avaliar o meu jeito para versejar!
sexta-feira, junho 12, 2026
Música à sexta
E porque o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades foi há pouco e porque o Mundial de Futebol começou ontem e porque este fado tem muito de Portugal, aqui fica!
quarta-feira, junho 10, 2026
domingo, junho 07, 2026
Poesia ao domingo
Quem me espera não me espera
Quem me ama já esqueceu
Quem me toca dilacera
Esta estranha primavera
Que o mês de Maio me deu
Eu já não sei o que tenho
Se febre, se mal ruim
Se este sentimento estranho
De não ser de onde venho
Comigo longe de mim
E assim fico sentado
Com as algas a boiar
De queixo na mão pousado
Ó meu barquinho parado
Sem porto para ancorar
António Lobo Antunes
" VODKA e VALIUM 10"
P.S. A Teresa, que está de férias no Porto, lembrou-me a feição poética de ALA, daí este poema.
sábado, junho 06, 2026
Dia D
Faz hoje 82 anos que se deu o desembarque das tropas aliadas, nas praias da Normandia que estavam divididas em 5 setores: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword.
O desembarque em Omaha foi o mais sangrento, com milhares de mortos de um lado e do outro.
Estive lá, nessa zona costeira com alunos da minha escola e onde ainda se viam alguns obstáculos no mar e em terra restavam algumas casamatas de onde os soldados alemães atingiram milhares de aliados.
Também visitámos um museu que reconstituía o desembarque.
Neste dia iniciou-se o princípio do fim do nazismo e o fim da Segunda Guerra Mundial.
Julgávamos nós que, na Europa, não tornaríamos a assistir à barbárie de uma guerra, mas ela aí está e sem fim à vista.
sexta-feira, junho 05, 2026
quinta-feira, junho 04, 2026
Leituras
terça-feira, junho 02, 2026
Publicidade
Há muito que não tínhamos um anúncio tão original como este.
Aliás os nossos publicitários não andam nada criativos.
Este anúncio faz-me lembrar o "Tou xim".
segunda-feira, junho 01, 2026
domingo, maio 31, 2026
Poesia ao domingo
Dez Reis de Esperança
Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, não bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.
António Gedeão, in Poesias Completas (1956-1967)
sexta-feira, maio 29, 2026
Música à sexta
quinta-feira, maio 28, 2026
SNS
Sempre tive acesso ao meu Centro de Saúde sem qualquer problema.
A última consulta que tive foi em março para renovação da carta de condução, de resto solicito por mail ao médico de família os medicamentos ou alguns exames solicitados por outros médicos e até ontem tudo correu bem.
Ontem, perante o agravamento da tosse, telefonei para agendar uma consulta de urgência, a instrução que recebi de uma voz anónima foi de premir a tecla 1. Assim fiz, de novo uma voz anónima manda-me ligar para a Saúde 24 e seguir as instruções.
E o que é que eu fiz? Liguei para uma clínica privada, marquei, sem problemas, consulta para um médico conhecido que até tem acordo com a ADSE e assim resolvi o assunto.
Penso que é mesmo uma estratégia para "desampararmos a loja"!
Claro que isto nada tem a ver com o facto de não aceitarem no Hospital de Faro uma grávida em trabalho de parto, por não ter telefonado primeiro para a Saúde 24. E assim foi obrigada a deslocar-se 70kms até Portimão, onde felizmente o parto ocorreu sem problemas, mas podia ter corrido mal.
Estão deliberadamente a "matar" o SNS!
terça-feira, maio 26, 2026
Desabafos
Ainda não senti a diferença!
Então de noite nem se fala.
Além destes rebuçados ditos "milagrosos", tenho usado mel, limão e Vick!
Já não sei o que fazer mais!
domingo, maio 24, 2026
Poesia ao domingo
Imagem
Este é o poema duma macieira.
Quem quiser lê-lo,
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.
Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.
São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.
Miguel Torga, in Antologia Poética
sexta-feira, maio 22, 2026
Música à sexta
quarta-feira, maio 20, 2026
Multidões e emoções
O almoço já tinha terminado, mas ficámos quatro ou cinco à volta de uma mesa.
A conversa recaiu naturalmente nas cerimónias dos dias 12 e 13 de maio.
Uma das amigas assistiu ao terço e à procissão das velas na noite de 12 e esteve na missa com o Adeus à Virgem no dia 13.
Falou da emoção que sentiu nos dois momentos, no arrepio que sentia com o cântico do Adeus à Virgem e com a imensa multidão, 250.000 mil à noite, um mar de luz e um pouco menos no dia 13.
Eu disse que todos os ajuntamentos de multidões são emocionantes, falei da emoção que sentia ao ouvir o Hino Nacional, quando um ou uma atleta se sagrava campeão/ã, ou noutras situações, ao ponto de chegar a deitar umas lágrimas, eu que as tenho congeladas há muito.
Todas concordaram com essa emoção, mas algumas estavam mais inclinadas para os cânticos religiosos.
Às tantas, declaro que me emociono com a Internacional Socialista, com o Avante, Camarada e o Acordai de Fernando Lopes Graça que algumas desconheciam.
Ia caindo o Carmo e a Trindade!
O que vale é que tinha pelo menos uma do meu lado.
E convosco, o que vos emociona do ponto de vista musical, associado a multidões?
terça-feira, maio 19, 2026
Prémios Nobel
Com a simpática participação de dez leitores, incluindo um anónimo, chegámos ao fim do desafio!
Agradeço a vossa participação.
O prémio da melhor dica vai para o Pedro Coimbra que não perde uma oportunidade de referir Trump! :))
Para os que tiveram dificuldade em identificar alguns dos títulos, aqui vai a ordem dos livros de autores galardoados com o Prémio Nobel da Literatura, era essa a afinidade entre eles. Alguns estão repetidos.
De cima para baixo:
Annie Ernaux - 2022
Gabriel Garcia Marquez - 1982
Patrik Modiano - 2014
Gabriel Garcia Marquez
Camilo José Cela - 1989
Thomas Mann - 1929
Albert Camus - 1957
José Saramago - 1998
Yasunari Kawabata - 1968
Gao Xingjian - 2000
Patrik Modiano
Annie Ernaux
Le Clézio - 2008
Alice Munro - 2013
Hermann Hesse - 1946
Abdulrazak Gurnah - 2021
Mario Vargas Llosa - 2010
J.M. Coetzee - 2003
Olga Tokarczuk - 2018
Vargas Llosa
Este desafio decorreu do facto de me ter inscrito no Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ourém que, em boa hora, decidiu desenvolver esta atividade.
O primeiro encontro será a 28 de maio e o tema é Prémios Nobel, daí ter ido até à outra casa procurar o que havia à mão.
Tenho outros, mas estão no 1º andar e não estive para me cansar.
Pesquisei todos os galardoados desde 1901 até 2025 e, além de ter encontrado anos sem o prémio ter sido entregue e anos em que houve dois galardoados, não sei como, tenho que pesquisar, fiquei a saber que Sir Winston Churchill também recebeu este prémio em 1953 e verifiquei, para grande admiração, que o Brasil, com uma literatura riquíssima, nunca foi contemplado.
O tema dá pano para mangas, veremos que autores irão surgir.
Eu tenho muito presentes o Nobel de 2025, O Tango de Satanás, do húngaro Lászlo Krasznahorkai, As Vinhas da Ira de John Steinbeck, americano, de 1962 e Levantado do Chão do nosso José Saramago, de 1998.
segunda-feira, maio 18, 2026
Desafio
Há quanto tempo não temos um desafio?
Uma pergunta com resposta fácil!
O que é que estes livros têm em comum?
Não deem logo a resposta de chapa! :))
domingo, maio 17, 2026
Poesia ao domingo
Os Remos
Que rumor de remos
De que negra barca
Ouve-se tão perto
sem se ver a água
Vem Caronte ao leme
Ou tudo uma farsa
que ninguém encena
que ninguém aplaude
Em torno parece
adensar-se o nada
O que mais inquieta
já não tem palavras
Mas ainda resta
saber de que margem
ouvimos os remos
não vemos a água
David Mourão-Ferreira, in "Quatro Tempos"
sexta-feira, maio 15, 2026
Música à sexta
quinta-feira, maio 14, 2026
Quinta Feira da Ascensão/Dia da Espiga
terça-feira, maio 12, 2026
Apagamentos
Tinha um texto muito bem preparado sobre o turismo religioso e o que significa na terra onde vivo, penso que todos sabem que resido em Fátima, sou fatimense por adoção e sem qualquer ligação à economia local.
Só que, numa tentativa de adicionar novos blogues, tanto cliquei que apaguei todos os que tinha, agora para os recuperar vai ser o cabo dos trabalhos e fiquei sem vontade de introduzir o tal texto e aborrecida com a minha inépcia!
Nem Nossa Senhora me vai valer, porque está demasiado ocupada com as preces dos peregrinos.
Quanto maior é a crise mais se reza!
segunda-feira, maio 11, 2026
Leituras
Rómulo Castelo, um pianista e professor de piano virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte.
Tem em casa um estúdio à prova de sons exteriores e, por detrás da porta blindada, refugia-se todas as manhãs, distanciando-se de um casamento problemático e de um filho que jamais corresponderá aos seus ideais de excelência enquanto ensaia, à exaustão, aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique.
Só que um terrível acidente, em que ficou com a mão direita decepada, vem interromper esta carreira brilhante.
Daí para a frente será uma luta constante na procura de retomar o estatuto que tinha como professor na universidade, criando conflitos com alunos, colegas e a própria direção e aguentando "a dor fantasma", que é a dor presente na mão ausente, terminando só, destruído e endividado, por ter acreditado que uma mão "robótica" iria substituir a mão perdida.
Gostei bastante da obra e, embora tenha encontrado na sua escrita marcas muito presentes, como é óbvio, do português do Brasil, mostra que em Português nos entendemos.
Este romance foi "Prémio Literário José Saramago 2022".
domingo, maio 10, 2026
Poesia ao Domingo
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina ( 1943 - 2012 )
sexta-feira, maio 08, 2026
Música à sexta
quinta-feira, maio 07, 2026
A importância das janelas nas aprendizagens
Vou vender, como ouvi na Antena 3, logo de manhã.
Uma universidade chinesa, não captei qual, publicou um estudo onde se demonstra que os alunos, colocados perto de uma janela com uma bela paisagem, têm melhores resultados do que aqueles que ficam no meio das salas.
Pasmei, porque como professora sempre achei que as janelas eram fatores de distração.
Será uma chinesice que só funciona na China ou funcionará em qualquer sala de aula?
quarta-feira, maio 06, 2026
As Vozes da Rádio
Tenho vários rádios a pilhas que não funcionam, as pilhas estragaram-se por falta de uso e o rádio/despertador da mesa de cabeceira nunca funcionou bem a não ser como despertador, coisa que eu detestava.
Nunca precisei de despertador para acordar, a não ser a desoras, tipo 4/5 da manhã, já o meu companheiro usava e abusava de despertadores, mesmo no plural, um não chegava.
Ouvia música no carro e como andava muito, não lhe sentia a falta em casa.
Com o meu novo estilo de vida, pedi, pelos anos, ao meu filho um rádio portátil e ele ofereceu-me um multiusos. Tem um ótimo som, tem uma lanterna, tem uma bússola, tem um botão de alarme, se eu me perder na floresta (palavras do rapaz), tem um dispositivo para carregar o telemóvel, caso a luz falhe, tem bateria que dá para mais de um mês e carrega-se como um telemóvel.
Ligo-o logo que acordo, faz-me companhia durante horas e passei a conhecer as últimas novidades da música portuguesa que é a que passa nos emissores que capto.
Enfim, é o ideal para situações de emergência, tipo "apagão" ou outra "Kristin".
segunda-feira, maio 04, 2026
Vizinhos
Há dias ouvi martelar no corredor, como ainda não conhecia nenhum vizinho do andar, conheço apenas algumas Irmãs da Comunidade Religiosa que ocupa todo o 3º piso, abri a porta e dei-me com um jovem às voltas com a fechadura da porta.
Cumprimentei-o e apresentei-me, um pouco embaraçado também se apresentou, como não acrescentava mais nada perguntei-lhe se vivia sozinho.
Afinal vivia com a mulher e filhos, não sei quantos.
Disse-lhe que vivia sozinha e que, se lhe tocasse à campainha, ficava a saber que precisava de ajuda.
Sorriu, mas não respondeu que estivesse à vontade.
Esta vivência de se ignorar quem vive ao nosso lado ou em frente, não me agrada de todo.
domingo, maio 03, 2026
Poesia ao domingo
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e a chuva desaba, veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará para sempre
junto do seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in " Lição das Coisas"
quarta-feira, abril 29, 2026
Cataratas
Acontece que há muita gente viajada por aqui e que conhece muitas cataratas, eu tenho-me ficado pelas cascatas do continente e das ilhas.
Só que não é dessas que eu quero falar, vou falar da bela catarata, segundo a oftalmologista, presente no meu olho direito.
Irei ser intervencionada amanhã em Coimbra e, segundo amigos que já passaram por esta experiência, ficarei afastada de ecrãs durante pelo menos uma semana, também não poderei ler.
Enfim, resta-me ouvir música.
Assim ficam a saber o porquê da minha ausência
terça-feira, abril 28, 2026
Amizades virtuais
A blogosfera trouxe-me amizades virtuais que se foram consolidando ao logo dos anos.
Algumas, poucas dessas amizades, mantêm-se firmes nas visitas que me fazem, com palavras de ânimo, de solidariedade e de companheirismo.
Conto sempre com elas.
Embora a lista de blogues que tenho para visitar seja longa, acontece que muitos foram morrendo na praia e outros partiram mesmo para outra dimensão. Assim restam-me poucos a comentar.
Apesar disso tenho por hábito comentar quem me comenta, desde que consiga aceder ao seu espaço.
É uma espécie de troca de visita.
Não os tenho acrescentado à minha lista porque me esqueci como se faz, mas um dia destes hei de tentar.
Às vezes interrogo-me sobre o facto de haver blogues que comento, mas que não se aproximam nunca do meu espaço e concluo que sou demasiado banal para os seus administradores.
A amizade virtual é muito interessante, porque acabamos por conhecer melhor alguns desses amigos do que gente que vive ao nosso lado e nada têm em comum connosco.
segunda-feira, abril 27, 2026
Faltou-me cantar
Gosto muito de música, de cantar e tenho saudades do tempo em que era contralto no Chorus Auris.
Para mim o 25 de Abril é festa, é música, é E Depois do Adeus, é Grândola, Vila Morena , é Vejam Bem, é Acordai, é o Hino Nacional e muitas mais músicas que sempre adorei cantar em coro.
Este ano e já no ano passado, circunstâncias bem desagradáveis impediram-me de me juntar a um grupo, ou mesmo a uma multidão.
Como consolo, tive nesse dia a companhia de uma amiga e juntas comemos, bebemos, conversámos, rimos e recordámos os velhos tempos em que éramos muitos.
Não cantei, mas foram horas muito agradáveis.
A Amizade também é uma festa!
domingo, abril 26, 2026
Poesia ao domingo
sexta-feira, abril 24, 2026
Descer a Avenida da Liberdade
Hoje seria, segundo o calendário anterior, dia de música, mas talvez por ter mudado de operadora ou por aselhice minha, não consegui introduzir o som que queria " Os Lobos e Ninguém ", com música e letra de José Luís Tinoco, desaparecido há dias, na voz de Carlos do Carmo. É uma música que recomendo, fala-nos da guerra colonial e implicitamente é um apelo à paz.
Ontem no contacto telefónico diário com o meu filho, disse-me que viria sábado, como habitualmente.
Insurgi-me logo:
- Então não vais descer a Avenida com os rapazes?
- Pensei que preferias que fôssemos sábado...
- De maneira alguma! Primeiro está a festa da Avenida, de preferência com um cravo ao peito.
O cravo, ele não levará pela certa, é muito contido, mas eu irei jantar com uma amiga e lá estaremos nós, a festejar de véspera, de cravo ao peito, numa terra onde os cravos não proliferam!
quinta-feira, abril 23, 2026
Dia Mundial do Livro
" - Eu também sinto necessidade de reler os livros que já li - diz um terceiro leitor - mas em cada releitura parece-me ler pela primeira vez um livro novo. Serei eu que continuo a mudar e vejo coisas novas que antes não tinha notado? Ou a leitura é uma construção que ganha forma juntando um grande número de variáveis e não se pode repetir duas vezes de acordo com o mesmo desenho? Sempre que tento reviver a emoção de uma leitura anterior, obtenho impressões diferentes e inesperadas, e não reencontro as anteriores.
In- Se Numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino
Nota: Acabei de ler este livro e essa leitura tornou-se um exercício de persistência, eu que de persistente tenho pouco ou nada.
Foi-me trazido pelo meu filho, ainda eu estava e estive em reclusão e disse-me que já tinha pegado nele várias vezes, mas que acabava por o largar.
Essas palavras levaram-me até ao fim da obra e, no fim, assimilei um pouco da sua mensagem que versa sobre o prazer de ler, de tal forma que são iniciados dez romances e nenhum é concluído. Torna-se numa espécie de busca pela continuidade de obras que se interrompem por estranhos acontecimentos.
E convosco o que se passa?
Gostam de reler certas obras ou não?
quarta-feira, abril 22, 2026
No último andar
No último andar é mais bonito
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar.
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua no terraço
fica tudo ao luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem
para ninguém os maltratar:
no último andar.
De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
no último andar.
Cecília Meireles
terça-feira, abril 21, 2026
Mudança
Nestes últimos 2 anos, a minha mobilidade alterou-se e daí ter que deixar a casa que foi o meu porto de abrigo, durante 57 anos, apesar de ter feito outras escolhas temporárias.
Eis-me de novo no pequeno apartamento que comprámos há 23 anos, quando a casa sofreu um incêndio em Dezembro de 2003. Estivemos aqui quase 5 anos e foi um tempo doloroso, lembro-me de passar semanas deitada num sofá com um cobertor por cima da cabeça, após esse fatídico Dezembro de 2004.
Mas não podia continuar assim a bem da minha sanidade mental e do equilíbrio familiar.
Agora vou ter que criar novas vivências, umas vezes só , outras com o filho e os netos. Os miúdos, agora adolescentes, gostam deste espaço, mas adoram a vivenda e tudo o que ela representa na sua infância de citadinos.
Aos poucos vêm pertences de lá, embora seja impossível trazer tudo o que gostaria, sobretudo livros, quadros e as fotos de família que cobrem uma das paredes do meu escritório.
segunda-feira, abril 20, 2026
E escrevo o quê?
Depois de mais de seis meses sem abrir este espaço, sinto uma certa estranheza acompanhada pela indecisão.
Irei continuar a postar, irei procurar temas interessantes para partilhar, ou simplesmente deixo acontecer, porque este não é um blogue de grandes voos.










