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sábado, junho 19, 2021

Eutanásia




Soube ontem que a menina bonita da música francesa, dos meus tempos também de menina de franja, apaixonada pelas suas canções, está gravemente doente e pretende ser eutanasiada, ato que não é consentido pela lei do seu país.



A propósito trago aqui o último livro analisado no meu Clube de Leitura.

Uma velha prostituta judia, sobrevivente da guerra, é a "mãe" de vários miúdos, filhos de mulheres ainda no ativo e que lhos confiam, mediante um pagamento determinado que nem sempre acontece.

Com o tempo, a saúde de Madame Rosa vai-se deteriorando e o seu apartamento num 6º andar sem elevador também não lhe facilita a vida..

Para o fim resta-lhe um rapazinho, Maomedh  (Momo), que é tudo para ela e ela tudo para ele ao ponto de permanecer junto da velha senhora para além da sua morte.

É uma história de solidariedade, de amizade entre pessoas de etnias, religiões, culturas, comportamentos sexuais diferentes mas unidos pela mesma condição de estarem à margem da sociedade, às portas de Paris.

Quando a saúde de Madame Rosa se agrava e Momo quer levá-la para o hospital, ela diz:

"- Vão obrigar-me a viver, Momo. É o que fazem sempre no hospital, têm leis para isso. Não quero viver mais do que o necessário e já não é necessário. Há um limite, até para os judeus. Vão-me submeter a sevícias para me impedir de morrer, têm uma coisa a Ordem dos Médicos que serve para isso. Fazem a vida negra até ao fim e não vos dão o direito de morrer, porque faria privilegiados."


É uma obra publicada em 1975 e com ela o seu autor recebeu o 2º Prémio Goncourt, com o pseudónimo de Émile Ajar.


Temos ou não o direito de escolher a hora da partida?

Peço desculpa pelo alongamento pouco habitual em mim.
 

quinta-feira, novembro 07, 2013

Centenário do nascimento de Albert Camus



Albert de Camus nasceu a 7 de Novembro de 1913, em Mondovi, Argélia ainda possessão francesa e faleceu a 4 de Junho de 1960 de acidente, em Villeblevin, França, apenas três anos depois de ter recebido o Prémio Nobel da Literatura, em 1957. 
Romancista, ensaísta, filósofo, pensador, homem de causas, ligado à Resistência, apesar de tudo nunca deixou de ser considerado um pied noir, uma espécie de francês de 2ª por ter nascido na Argélia.
A sua obra é extensíssima mas confesso que dele só li "A Peste" e "O Estrangeiro". Lamento não ter visto  a adaptação a filme deste último que considero um livro absurdamente espantoso!
Para reflexão deixo-vos esta frase da sua autoria:

"Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado."