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segunda-feira, maio 11, 2026

Leituras


 


Rómulo Castelo, um pianista e professor de piano virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte.

Tem em casa um estúdio à prova de sons exteriores e, por detrás da porta blindada, refugia-se todas as manhãs, distanciando-se de um casamento problemático e de um filho que jamais corresponderá aos seus ideais de excelência enquanto ensaia, à exaustão, aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique.

Só que um terrível acidente, em que ficou com a mão direita decepada, vem interromper esta carreira brilhante. 

Daí para a frente será uma luta constante na procura de retomar o estatuto que tinha como professor na universidade, criando conflitos com alunos, colegas e a própria direção e aguentando "a dor fantasma", que é a dor presente na mão ausente, terminando só,  destruído e endividado, por ter acreditado que uma mão "robótica" iria substituir a mão perdida.


Gostei bastante da obra e, embora tenha encontrado na sua escrita marcas muito presentes, como é  óbvio, do português do Brasil, mostra que em Português nos entendemos.

Este romance foi "Prémio Literário José Saramago 2022".

sexta-feira, julho 02, 2021

Clube de Leitura


 Este foi o último livro em análise no meu Clube de Leitura.

O seu autor é um jovem nascido em Salvador, Bahia, geógrafo de formação e doutor em Estudos  Étnicos  Africanos, com pesquisa na formação de comunidades quilombolas no interior do Nordeste brasileiro.

É um romance e ao mesmo tempo um documento histórico sobre a pseudo libertação dos negros que, após esse decreto, passaram a vaguear de fazenda em fazenda em busca de trabalho que não era remunerado e nem tinham direito a construir casa de alvenaria .

Nesse trabalho de sol a sol, de domingo a domingo passariam a trabalhar os filhos de tenra idade e as mulheres.

A condição feminina está bem patente no seu sofrimento mas também numa galeria de mulheres fortes, insubmissas, capazes de enfrentar todas as adversidades.

A magia, a feitiçaria, o encantatório como forma de cultura e de sobrevivência são a única alegria nestas comunidades exploradas até à medula.

Finalmente chega a hora do despertar do direito à verdadeira liberdade com a devida posse da terra, terra essa que faz parte do corpo de cada trabalhador negro.