A narrativa desenrola-se praticamente toda à volta dessa fuga dramática, rumo ao Norte, aprendendo a subir e a descer da "Besta", assim denominados os comboios de mercadorias, viajando nos tejadilhos.
Encontra amigos, inimigos, é roubada, duas adolescentes das Honduras, suas mestras nestas andanças, são violadas, assiste à morte de companheiros e vai resistindo na esperança de salvar o filho, com o cartel no seu encalce.
Depois de uma travessia dolorosa do deserto com alguns companheiros e o melhor passador da zona chega aos EUA onde irá iniciar uma vida bem diferente da que tinha, casada com um jornalista, dona de uma livraria e cidadã com plenos direitos.
Ilegal, corre sérios riscos de ser deportada como tantos outros.
Num mundo assolado pelas migrações, com milhares de mortos no Mediterrâneo e pelo caminho, fiquei impressionada com este relato que individualiza fugitivos da América Latina e me fez ver que em cada migrante há uma história de vida bem sofrida.
