Já tinha perguntado ao meu filho se conhecia os vizinhos do lado e ele, com aquele ar citadino, respondeu que já os tinha visto, eram um casal na casa dos trinta e tinham um cão.
Um cão já eu sabia que tinham, porque o ouço ladrar de vez em quando, sempre a horas decentes.
Ontem, quando saímos do elevador, ia um casal a entrar no outro e com eles um cão.
Saudei-os com o meu melhor sorriso, recebi dele uma espécie de grunhido e dela, nada.
O cão ainda deu umas voltas, a fazer-se rogado para entrar no elevador.
Virei-me para ele e disse:
- Com que então tu és o meu vizinho do lado!
O cão continuava a resistir e o dono a puxá-lo com toda a força, até que entrou.
Era um cão preto, tão grande que mais parecia um pónei pequeno!
Realmente o som do seu ladrar é imponente.
Dos vizinhos humanos só ouço a porta a abrir e a fechar.
Os meus rapazes mantiveram-se em silêncio atrás de mim e ninguém abriu a boca até ao restaurante onde almoçámos e onde recebi um lindo cravo vermelho.
Claro que não me atrevi a perguntar o nome do vizinho cão, perante um encontro tão cordial!