Nunca se sabe aquilo que
basta. Talvez baste um
poema, uma coisa
mínima, viva, nossa,
uma coisa sub-reptícia
para empunhar diante
do implacável acordo das
forma exteriores.
Também pode ser que nada baste. E nesse caso
tanto faz escrever um romance ou cem poemas
ou apenas um poema, ou
ler ou emendar o céu
astronómico ou manter-
se parado no meio de um
jardim húmido e
silencioso, à noite. Até
pode suceder que a morte
não seja bastante.
Herberto Helder
Jornal Público, 4 de Dezembro de 1990
Herberto Helder um poeta a conhecer melhor, um transgressor na mancha gráfica do poema.