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domingo, maio 25, 2025

Poesia ao domingo

Nunca  se sabe aquilo que

basta. Talvez baste um

poema, uma coisa

mínima, viva, nossa,

uma coisa sub-reptícia

para empunhar diante

do implacável acordo das

forma exteriores.

Também pode ser que nada baste. E nesse caso

tanto faz escrever um romance ou cem poemas

ou apenas um poema, ou 

ler ou emendar o céu

astronómico ou manter-

se parado no meio de um 

jardim húmido e

silencioso, à noite. Até

pode suceder que a morte

não seja bastante.


Herberto Helder


Jornal Público, 4 de Dezembro de 1990


Herberto Helder um poeta a conhecer melhor, um transgressor na mancha gráfica do poema.