quarta-feira, outubro 21, 2026

Futilidades

 Confesso que me encontro um pouco desanimada com a minha progressão pictórica. 

Todos os ensaios não passam de tristes desenhos abaixo dos infantis, daí a falta de produção que se veja.

Já a Catarina vai de vento em popa !

terça-feira, outubro 20, 2026

Direito à habitação

 Confesso que já fui senhoria de três apartamentos, um por herança da parte do meu sogro e dois por compra nossa.

Neste momento resta-nos um em Lisboa, que comprámos quando juntámos os dois rapazes na universidade, do qual sou coproprietária com o meu filho, vendemos um e  moro no de Fátima, prescindindo da renda.

No domingo houve reunião de condomínio, onde ficámos a saber que as obras que terão de ser feitas, desde mudança do telhado, pintura e arranjo das varandas ficará nuns milhares de euros a cada proprietário, de acordo com a sua permilagem.

Fiquei a pensar nos senhorios que têm apenas um apartamento neste edifício e quando irão receber o investimento feito, por parte dos inquilinos , além do IMI e do aumento do IRS por conta.

É muito fácil falar do lado dos inquilinos, mas o pequeno investidor tem despesas difíceis de reaver, além dos estragos deixados quando os inquilinos saem.

segunda-feira, outubro 19, 2026

Leituras




 

O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, é o livro que será analisado no dia 29 de Outubro, no Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ourém.

Por um feliz acaso, no sábado, tive a oportunidade de assistir à dramatização desta obra, por um grupo brasileiro, composto por quatro excelentes jovens atores.

Escolheram quatro ou cinco "cenas" onde se desenrolam os temas da paternidade, racismo, relações conjugais, desencanto profissional, violência policial na abordagem dos negros que termina no assassinato à queima roupa do pai do narrador.

Aliado à palavra, os atores jogam com a mímica, a música , a dança, num emaranhado de sensações que transmitem ao público completamente fascinado. 

De referir que o autor esteve presente e no final prestou-se a algumas perguntas e autografou os nossos livros.

domingo, outubro 18, 2026

Poesia ao domingo

 Pedro Mexia num extenso artigo escreve, na Revista do Expresso, sobre a obra de um poeta totalmente desconhecido para mim, de seu nome José Alberto Oliveira.

Nasceu em Souto da Casa, Fundão em 1952, faleceu em Lisboa em 2023 e era médico cardiologista.

Publicou oito livros de poemas e foi grande tradutor de poesia, sobretudo inglesa e americana.

"Do primeiro ao último, e aos inéditos, encontramos em José Alberto Oliveira uma certa amargura literária, exasperada nos anos finais, mas sempre surpreendente......."

Acabei por escolher um seu poema incompleto, não sei a que ponto, porque não consegui encontrá-lo na Net, também referido neste artigo.


Onde estão os pássaros

que voavam para longe

de fisgas, onde estão os tremoços,

que se compravam, em cartuchos

de papel pardo, por cinco tostões?

Onde estão os cigarros Paris

os figos que eu não comia, o sr.

José Dias, que dava injecções

(em seringas de vidro, que cozia)

preferíveis às zaragatoas

que o meu pai administrava

em amígdalas recalcitrantes

que removeram, em sufoco

de clorofórmio, no Hospital do Fundão?

(.......)

Onde estão as tuas pernas

que corriam à frente

da imaginação?


José Alberto Oliveira

sábado, outubro 17, 2026

Jornais

 Depois de ter passado anos sem comprar jornais, aderi ao Público online e de vez em quando compro o Expresso.

Apesar de alguns defeitos que a Clara Ferreira Alves tem, escreve bem e, de facto, é mais irritante quando fala.

Na sua Pluma Caprichosa de hoje, com o título Feira Cabisbaixa, fala-nos da morte de amigos e do ato de apagar o seu contacto do telemóvel.

" A resistência à extinção mede-se pela irracionalidade da recusa quotidiana e milimétrica da morte ou da possibilidade da morte. Não é tema, a não ser quando discutida em abstrato e como alguma coisa que acontece aos outros....É a única coisa de que podemos estar certos. O como e quando não são substantivos. Nem negociáveis."

Atrevo-me a dizer que só os poetas conseguem falar da sua morte sem serem mórbidos.

E eu, numa espécie de adiamento do desaparecimento final, tardo em apagar do telemóvel o número de familiares e amigos.

sexta-feira, outubro 16, 2026

Música à sexta


 

Nunca Charles Aznavour pensou que esta canção passaria a ser uma arma de protesto.

Em Portugal o PM aconselhou os manifestantes do Porto a não serem egoístas!

quinta-feira, outubro 15, 2026

Ensaios


 

A Catarina ,https://contempladoraocidental.blogspot.com/ convenceu-me a experimentar pincéis, tintas, lápis!

Fui sempre uma negação em desenho, exceto em desenho geométrico, aí era excelente.

Agora a juntar às atividades que já tinha acrescentei esta.

Apresento-vos uma nova versão de hortências!

quarta-feira, outubro 14, 2026

A cantiga é uma arma

 Nas ruas e praças de Paris e de outras cidades, os jovens cantam e tocam a Marselhesa, a Internacional Socialista e essa bela canção de Charles Aznavour "Emmenez-moi au bout de la terre". Em Espanha ouve-se o Hino dos Mineiros que nasceu nas Astúrias em 1936.

Em França luta-se por melhor qualidade na Educação, na Espanha pelo direito à Habitação!

É bem verdade que "A cantiga é uma arma", da autoria de José Mário Branco.

Em Portugal a luta pelo direito à habitação já faz mexer os jovens com alguns acampamentos, dispersos rapidamente pelas autoridades, mas ainda não cantam.


segunda-feira, outubro 12, 2026

Citação

 " Somos complexos, confusos, misturados. Não somos só bem ou mal. Interessa-me explorar essa condição humana. "


Carla Madeira, escritora brasileira, autora do romance "Tudo é Rio" que está na minha lista para leitura futura.

domingo, outubro 11, 2026

Poesia ao domingo

 Violoncelo


Chorai arcadas

Do violoncelo!

Convulsionadas

Pontes aladas

De pesadelo...

De que esvoaçam,

Brancos, os arcos...

Por baixo passam, 

Se despedaçam,

No rio, os barcos.

Fundas, soluçam

Caudais de choro...

Que ruínas, (ouçam)!

Se se debruçam,

Que sorvedouro!...

Trémulos astros,

Soidões lacustres...

- Lemos e mastros...

E os alabastros


Dos balaústres!

Urnas quebradas!

Blocos de gelo...

- Chorai arcadas,

Despedaçadas,

Do violoncelo.


Camilo Pessanha, in "Clepsidra"

sábado, outubro 10, 2026

Futilidades

 Hoje fiquei-me pela amostragem da minha 1ª tentativa de pintar hortênsias!

Tenho muito que treinar!

sexta-feira, outubro 09, 2026

Música à sexta


 Gosto muito de bandas filarmónicas, mais populares e de orquestras sinfónicas, mais clássicas.

quinta-feira, outubro 08, 2026

Prémio Nobel

 A Teresa do Ematejoca já nos deu toda a informação sobre Anna Carson.

Fui então fazer uma breve pesquisa e encontrei um poema da sua autoria lido por Madalena Sá Fernandes, retirado do livro intitulado "Vidro, Ironia e Deus".

Pensei que fosse ouvir algo de difícil compreensão, mas saiu-me um poema que, embora enorme, foca dados do quotidiano, localiza-se numa cozinha onde mãe e filha tomam uma refeição à base de alface, onde o eu poético tece considerações bem comezinhas.

Gostei do que ouvi.

terça-feira, outubro 06, 2026

Leituras


 

Talvez por ser uma "baby boom" e na minha infância ainda ouvir ecos das atrocidades da 2ª Guerra  Mundial, além de ter contactado com uma menina austríaca que veio passar duas temporadas a casa de uma tia minha, através da Cruz Vermelha, tenho uma certo fascínio por romances e filmes que relatam essa época.

A Erika era mais velha do que eu , mas lembro-me do medo que tinha e que a levava a esconder-se debaixo da cama, quando ouvia tocar a buzina das fábricas.

Com a leitura deste livro que está na foto, penso que fiquei vacinada e que não voltarei a ler mais nada sobre este tema.

As amigas que já o tinham lido disseram que era emocionante e que até tinham chorado com o desenrolar dos trágicos acontecimentos vividos por duas irmãs, durante a ocupação da França por parte do exército alemão, o papel das mesmas na Resistência e as terríveis consequências vividas por elas.

Confesso que não me emocionei e senti que para mim já chegava.

A história é como todas as história da Resistência, mas  não lhe encontrei valor literário.

Acrescento que foi uma amiga que mo ofereceu nos anos.

Alguém, desse lado, já o leu?

domingo, outubro 04, 2026

Poesia ao domingo

 Outonal


Caem as folhas mortas sobre o lago;

Na penumbra outonal, não sei quem tece

As rendas do silêncio...Olha, anoitece!

- Brumas longínquas do País Vago...


Veludos a ondear...Mistério mago...

Encantamento...A hora que não esquece

A luz que a pouco e pouco desfalece.

Que lança em mim a bênção dum afago...


Outono dos crepúsculos doirados,

De púrpuras, damascos e brocados!

- Vestes a terra inteira de esplendor!


Outono das tardinhas silenciosas,

Das magníficas noites voluptuosas

Em que eu soluço a delirar de amor...


Florbela Espanca, in Charneca em Flor

sábado, outubro 03, 2026

O cinema e a atualidade

 Ontem revi "A Lista de Schindler", um filme de 1993.

No final é oferecido ao salvador de centenas de judeus um anel de ouro, feito a partir dos dentes de ouro de muitos dos operários.

Nesse anel estava inscrita uma frase do Talmude, que é uma coletânea de livros sagrados dos judeus,  um texto central para o judaísmo rabínico .

Era esta a frase:

Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro. 

Perante esta frase, interrogo-me sobre o valor da vida para os dirigentes israelitas que não salvam ninguém em Gaza e na Cisjordânia e estão a dizimar um povo.


Nota: Já estive nas instalações da fábrica de Schindler, em Cracóvia, uma cidade belíssima, e nas paredes há várias imagens do filme.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Música à sexta

Achei muito interessante este poema de António Lobo Antunes, musicado!



 

quinta-feira, outubro 01, 2026

Celebrações do dia 1 de Outubro

 Hoje, dia 1 de Outubro há várias celebrações:

É Dia Internacional da Doença de Gaucher, Dia Internacional do Idoso, Dia Internacional do Café, Dia Internacional da Música.

No Facebook assinalei o Dia Internacional da Música e como não podia deixar de ser bebi um café Nespresso, depois do pequeno-almoço.

Aqui vou fazer uma breve referência ao Dia do Idoso.

Ouvi ontem, num dos canais da TV, várias opiniões sobre a Lei do Arrendamento, em discussão na AR. Fiquei então a saber que, entre as muitas causas da escassez de casas para arrendar, face à imensa procura, também se encontra o envelhecimento da população que não se despacha a morrer e a deixar vaga a casa onde mora!

Como sou proprietária não me senti muito atingida, mas dá que pensar!