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quinta-feira, junho 04, 2026

Leituras

Há dias no Facebook, a propósito das crónicas de Lobo Antunes, uma amiga, fã das mesmas, escreveu que o autor dizia uma coisa interessante..."Quem lia as crónicas eram os que não sabiam nadar, ao contrário dos que liam os livros dele."
Eu acrescentei também me deliciar com as suas crónicas, mas que já tinha iniciado as aulas de natação com a leitura de " Até Que as Pedras se Tornem mais Leves Que a Água", um livro muito difícil, violento que nos transporta para os traumas da guerra colonial num alferes. Levei muito tempo a terminá-lo.
Agora lancei-me ao segundo, este que está na foto e com o qual me estou a divertir bastante. É o relato do desmoronamento de uma família da alta burguesia, ligada ao Estado Novo, após o 25 de Abril, com uma quinta em Palmela completamente arruinada, com fugas para Espanha, com uma linguagem que retrata os tiques linguísticos dos bem nascidos em Cascais.




 

terça-feira, julho 22, 2025

Leituras


 

Há dias declarei que estava com dificuldades em ler mais do que um livro ao mesmo tempo.

Afinal essa dificuldade ou falta de vontade durou pouco, porque retomei a leitura deste romance que repousava na minha mesa de cabeceira.

É um romance de estreia desta autora.

A ação começa com uma viagem de comboio dos revoltosos da Marinha Grande, a 18 de janeiro de 1934, a caminho do degredo em Cabo Verde onde irão "inaugurar" o campo do Tarrafal.

Desenrola-se nesse longínquo passado e chega ao presente pelas mãos de uma jornalista que vai entrevistar o único sobrevivente dessa infernal prisão.

E mais não digo!


sábado, fevereiro 03, 2024

Leituras

É escusado falar-vos de Lídia Jorge, toda a gente que lê autores portugueses a conhece. Este livro é, simplesmente, fabuloso. Sobre uma camada de real, os últimos tempos da sua mãe numa residência sénior, constrói uma narrativa fictícia mas pouco. Quem já tem experiência destas residências a partir de familiares e/ou amigos reconhece perfeitamente a trama. Lídia Jorge dedica este romance à mãe e a Luís Sepúlveda, seu grande amigo de longa data, os dois foram das primeiras vítimas do Covid.

sábado, janeiro 26, 2019

Eliete



Ando há uns tempos, desde que terminei a sua leitura no início deste mês, para falar deste livro mas a minha capacidade de decisão sobre o que escrever tem-me levado a adiar.
Hoje, quando comecei a leitura de "A Revista do Expresso" dou de caras com uma longa entrevista à sua autora sobre o mesmo.
Em todo o caso aqui fica uma breve sinopse.
"Eliete" é acima de tudo uma narrativa no feminino, ela é a narradora, está na casa dos 42 anos, filha única de sua mãe, neta única da avó paterna, casada, mãe de duas filhas e amiga de sempre de Madilena ( não me lembro bem do nome e já emprestei o livro), uma advogada de sucesso.
Tem uma existência mediana, cinzenta, sem sonhos, limitada mas procura a todo o custo mostrar que é outra a sua vida, levando a própria amiga a invejar essa vida aparentemente feliz.
A doença da avó, que adora, e aquele célebre golo de Éder que sagrou Portugal campeão europeu de  futebol contra a França e que galvanizou o país e os seus mais próximos, levam Eliete, alheada a essa euforia, a abrir um caminho que lhe era de todo alheio - acedeu ao Tinder e daí para a frente a sua vida fingida ainda ficou mais ficcionada. 
Parece que vamos ter uma continuação desta narrativa que termina em suspenso.
Sublinhei esta frase que achei muito interessante e que  decorre dos bons momentos que passa com a sua grande amiga.

"Na verdade, o riso era das poucas coisas do nosso corpo que o tempo de uma vida não era suficiente para estragar."