quarta-feira, setembro 30, 2026

Leituras

Saí da minha zona de conforto e voltei à fisioterapia.
O jovem que me acompanha tem 23 anos e eu admiro esta juventude que opta por ficar a trabalhar em Portugal, apesar da tentação de melhores vencimentos "lá fora". Seja como for, viver com os pais e a dois passos do trabalho também é uma mais valia.
Como sou uma conversadora nata, vamos falando de vários temas, enquanto faço o melhor que posso para me livrar da canadiana.
Num dos últimos temas, abordámos as leituras que temos entre mãos.
Foi então que fiquei a saber que, depois de ter visto o filme Odisseia, resolveu comprar o livro e iniciar a sua leitura.
Disse-me que não esperava que fosse em verso, eu sorri e disse que, como narrativa épica, era como os Lusíadas ou que os Lusíadas eram como a Odisseia.
Falei-lhe do mito da criação da cidade de Lisboa por Ulisses e do  primeiro poema da Mensagem de Fernando Pessoa intitulado, precisamente, Ulisses, e que começa por nos dizer que " O mito é o nada que é tudo".
Em contrapartida ele aconselhou-me a usar a pedaleira que tenho em casa, enquanto leio!

terça-feira, setembro 29, 2026

Efeméride

 O  Dia de Confúcio , 28 de Setembro, começou a ser festejado em 2006,  em Hong Kong, mas passou a fazer parte do calendário da China continental, das regiões administrativas de Macau, Taiwan, além da Coreia do Sul.

A sabedoria de Confúcio, além de ser apreciada pelos chineses, é também muito apreciada em todo o mundo.

Desconhecia esta efeméride, mas hoje ouvi referência a ela numa das rádios que ouço diariamente.

Foi este o ensinamento deste filósofo, de há milhares de anos, aí referido:

"Se vires um homem bom, imita-o, se vires um homem mau, examina-te."

Achei isto de uma enorme sabedoria e de grande conhecimento do ser humano.

domingo, setembro 27, 2026

Poesia ao domingo

 Canção de Outono


No entardecer da terra,

o sopro do longo outono

Amareleceu o chão.

Um vago vento erra,

Como um sonho mau num sono,

Na lívida solidão.


Soergue as folhas, e pousa

As folhas volve e revolve

Esvai-se ainda outra vez.

Mas a folha não repousa

E o vento lívido volve

E expira na lividez.


Eu já não sou quem era;

O que eu sonhei, morri-o;

E mesmo o que hoje sou

Amanhã direi: quem dera

Volver a sê-lo! mais frio

O vento vago voltou.


Fernando Pessoa

sábado, setembro 26, 2026

Amigos virtuais

 Ontem tive uma consulta de rotina na Gastro, no Hospital de Sto. André em Leiria.

Deslocava-me lentamente, naquele imenso e cansativo corredor, apoiada na minha canadiana, quando vejo um casal parar à minha frente a sorrir. Penso que foram eles que me reconheceram primeiro, mas eu exclamei logo:

- Adélia! e ela:

- Leonilde!

Era a Adélia, do blog Flor de Jasmim, acompanhada pelo Rodrigo do Folha Seca, com os blogues parados há muito, mas meus amigos no Facebook.

Nunca nos tínhamos visto ao vivo e a cores, mas trocámos vários abraços bem apertados e cheios de sorrisos.

E ainda dizem que as redes sociais são prejudiciais ao convívio!

sexta-feira, setembro 25, 2026

Música à sexta

Para terminar as sextas musicais de setembro.
Não estamos a 21, mas 25 também serve!



 

quinta-feira, setembro 24, 2026

Clube de leitura

 Hoje, ao fim da tarde, terei mais uma sessão do Clube de Leitura, na Biblioteca Municipal de Ourém.

Desta vez os participantes irão falar de um livro que tivessem lido durante as férias.

Como li vários, estou indecisa sobre qual devo falar.

Apresento estes dois exemplos, mas acrescento  "O Alienista" de Machado de Assis, "Perdeu-se relógio de senhora" de Alice Brito, de que já falei e ainda terminei, finalmente, "O Manual dos Inquisidores" de Lobo Antunes.




"A Praça do Diamante" tem como cenário o bairro operário de Gràcia, em Barcelona, onde , no início dos anos trinta, um jovem casal inicia a sua vida em comum, até eclodir a Guerra Civil e o marido se aliar aos resistentes contra as tropas de Franco.
Assistiremos à luta diária de Natália, para enfrentar todas as dificuldades com dois filhos pequenos.
"Cães Pretos" tem como cenário a queda do Muro de Berlim, recua no tempo até à Europa do pós-guerra e narra a história de amor vivida por um jovem casal britânico, ambos membros do Partido Comunista. Na lua-de-mel passada em França, a jovem passa por um episódio traumático com dois cães pretos, muda radicalmente a sua forma de viver, descobre a religião e abandona o partido. A relação entre os dois enfraquece, distanciam-se , mas nunca chegam a divorciar-se.
Será o seu genro que 40 anos mais tarde irá contar a história turbulenta dos dois.

quarta-feira, setembro 23, 2026

Citação

 " O tempo, ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, não é o mesmo para toda a gente."


José Saramago

terça-feira, setembro 22, 2026

Outono

O Outono está a bater-nos à porta e com ele vem o tempo da colheita das maçãs numa das minhas propriedades tão abandonadas.
Foram os rapazes que se deram ao trabalho de as apanhar e ontem  foi tempo de as transformar em doce.


 

domingo, setembro 20, 2026

Poesia ao domingo

 Quotidiano (Reflexão)


Por exemplo, as coisas que faltam

neste lugar:

uma enxada para que as mãos não

toquem na terra,

um ninho de pardais no canto

da relha,

para que um ruído de asas se possa

abrigar,

um pedaço de verde no monte que 

ainda vejo, 

por detrás dos prédios que invadem

tudo.


Mas se estas coisas estivessem aqui,

também faria falta um copo de água

para ver, através do vidro, um horizonte

desfocado;

e ainda os restos de madeira com que, 

no inverno, é costume atiçar o fogo

e a imaginação que ele consome.


Como se tudo estivesse no lugar,

pronto para ser usado na data

prevista,

sento-me à janela, e fixo a única coisa

que não se move:

o gato, hipnotizado por um olhar

que só ele pressente.


Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"

sábado, setembro 19, 2026

Citação

 "Portugal pode ser pobre em recursos naturais, mas é riquíssimo em grupos de reflexão e em estudos. Passos Coelho está a coordenar um deles, para ajudar a "destravar" a economia portuguesa. O ex-primeiro-ministro pode ter muitas virtudes, mas a clareza e o poder de síntese nunca foram o seu forte. Para quê mais um estudo se o programa para acelerar a economia - mais horas de trabalho, menos direitos laborais, menos IRC e mais poupança, a começar por  deixar de ir jantar a restaurantes - cabe numa simples linha?"


Extrato de uma crónica de Pedro Garcias no Público de 18 de Setembro 

Esta crónica tem um título bem sugestivo:

Para alguns patrões, "vinagre no rabo dos trabalhadores é Barca Velha"

sexta-feira, setembro 18, 2026

Música à sexta

Enquanto for Setembro!


 

quinta-feira, setembro 17, 2026

Futilidades

Os meus poucos, mas estimados leitores/amigos sabem que também uso com muita frequência o Facebook.

Nesta rede digital funciona o algoritmo que nos vai presenteando com aquilo onde nós colocamos likes ou fazemos comentários.  Aqui há uns dias só me apareciam bandas musicais e orquestras que me deixaram maravilhada, porque adoro toda a espécie de música.

Agora só vejo técnicas de pintura, o que me deixa boquiaberta, uma vez que sou um zero nesta arte.

Interrogo-me se o algoritmo descobriu que fui a uma papelaria à procura de lápis acrílicos, nem sei se isso existe, entusiasmada com as pinturas maravilhosas da Catarina . Não havia!

Por enquanto vou apenas observando os desenhos que o Facebook me oferece, talvez eu tenha esse dom adormecido!

quarta-feira, setembro 16, 2026

Banalidades

 Estou sem acesso aos blogues.

O que é que se passa convosco?

segunda-feira, setembro 14, 2026

Regresso às aulas

 Ontem os rapazes regressaram a Lisboa com o pai.

O mais novo começou as aulas hoje e o mais velho, devido às confusões havidas sobretudo com os exames do 12º, só começará no dia 21. Os professores do Secundário precisam de respirar fundo, antes de enfrentarem mais um ano letivo.

O pequeno apartamento voltou à quietude habitual, com os gatos a dormir descansados, sem serem incomodados com festas.

E eu decidi seguir um horário pouco habitual. Pequeno almoço às 10h, filme a seguir deitada no sofá e só depois as tarefas domésticas, tudo isto acompanhada por música.

Agora todo o tempo me pertence e só faço o que me apetece. Quer dizer que continua muita coisa à espera que eu tome uma atitude.

domingo, setembro 13, 2026

Poesia ao domingo

 Natália Correia nasceu a 13 de setembro de 1923.



Ó meu país, meu corpo delirante,

Meu sangue, minha febre, meu desejo,

Meu mar de sal, meu vinho abundante,

Meu sol de fogo, meu eterno ensejo!


Em ti me perco, em ti reconheço, 

Em ti me cumpro, em ti me incendeio,

Em ti me entrego, em ti me estremeço,

Em ti me afogo, em ti me mareio.


É o teu grito que me sobe à boca,

É teu o ritmo que me agita o passo,

É teu o fogo que me a alma provoca,

É teu o sonho que me prende ao laço.


Natália Correia, in Cântico do País Emerso

sábado, setembro 12, 2026

Citação

 "Quando os ventos da mudança começam a soprar, algumas pessoas levantam muros para se proteger, enquanto outras constroem moinhos para aproveitar a força do vento."


Provérbio chinês

sexta-feira, setembro 11, 2026

Música à sexta

E continuamos com setembro!


 

quinta-feira, setembro 10, 2026

Desabafos

 Os meus netos estão a passar comigo os últimos 15 dias de férias e o pai telefona todos os dias, aliás fá-lo sempre independentemente dos rapazes estarem comigo ou não.

À tantas digo-lhe que não tenho lido quase nada ultimamente e ele responde:

 Deixa lá, minha mãe, estás a construir memórias e eles também!

Fiquei a pensar quanto tempo de memórias me resta construir.

segunda-feira, setembro 07, 2026

Citação

 " Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro. "


Clarice Lispector 


Um conselho nada católico! :))

domingo, setembro 06, 2026

Poesia ao domingo

 The Dancing Words


Porque és o retrato dos meus olhos

Onde as fontes do sol vêm beber

Este mar de setembro azul perfeito

Que nas pedras acaba de morrer.

Porque na noite clara do teu peito

A lua é só um pássaro ferido

E as palavras nascem dos meus dedos

Carregadas de sonho e de sentido

Porque és a cor dos rios em cada fonte

No silêncio da terra desvelada

Lágrima orvalho pétala horizonte

Onde se abre verde a madrugada.


António Lobo Antunes

sábado, setembro 05, 2026

Banalidades

Desde que mudei de casa o algoritmo do Facebook deixou de me presentear com cadeiras elevatórias, é espantoso como sabe que já não preciso!

Em contrapartida agora só apanho bandas e fico bem feliz com isso, porque adoro essas manifestações musicais quer populares, quer eruditas.


Nota: Ontem, pelos vistos, os blogues andaram marados, muitos não conseguiram comentar ninguém, eu estou na lista.

sexta-feira, setembro 04, 2026

quinta-feira, setembro 03, 2026

A minha casa

 Ontem fui a casa, continuo a dizer casa, porque é lá que repousa a maioria das minhas boas memórias.

Fui  para abrir a porta a dois técnicos que iriam, finalmente, avaliar o estado em que se encontram as janelas do sótão que voaram quando do Kristin. Como não acionei o seguro, tudo ficará por minha conta.

O diagnóstico não foi famoso, o ideal seria mudar todo  o telhado, para remediar apresentaram duas soluções - procurar telhas que tapem o espaço em aberto, ou colocação de uma tela que impedirá a chuva de entrar.

A minha vivenda é geminada, com o telhado comum à casa do lado, por isso a sua mudança teria que ser negociada com os vizinhos e eu sem a mínima paciência para negociações e sem vontade de gastar um absurdo na mudança do telhado de uma casa onde não voltarei a dormir.

Uma feliz descoberta - há uma orquídea a florir e ainda há rosas vermelhas num vaso.

Como não levei o telemóvel não houve fotos.

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

 E Setembro chegou cheio de doçura, embora ainda se anunciem dias de muito calor e de alguma chuva.

Com as aulas a começarem em Outubro, era em Setembro que a minha mãe, a minha irmã e eu íamos passar um mês à Nazaré, porque as rendas das casas eram bem mais baratas e a minha mãe era uma boa gestora de um orçamento apertado. 

Muitos anos depois, comprámos lá um apartamento e os meus filhos puderam gozar de excelentes férias, durante parte da infância, adolescência e início da juventude do mais velho. O mais novo ainda hoje lamenta a venda precipitada do apartamento por parte do pai, que tinha uma característica muito especial - fartava-se com facilidade de ver sempre as mesmas pessoas em férias.

Setembro traz-me outras doces  recordações - as vindimas e o delicioso cheiro no celeiro dos meus avós paternos, a maçãs, peras, figos espalhados em tabuleiros em cima de arcas e das uvas penduradas no teto.

Foi também em Setembro que fui tia e mãe pela primeira vez e, ainda agora, o aniversário do meu sobrinho é vivido com a alegria de dois aniversários com um ausente.

O atual  Setembro traz o regresso às aulas dos meus netos que vieram passar os últimos 15 dias de férias comigo.

Espero que passe a ser uma boa recordação para eles!