Canção de Outono
No entardecer da terra,
o sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que hoje sou
Amanhã direi: quem dera
Volver a sê-lo! mais frio
O vento vago voltou.
Fernando Pessoa
Fizeste uma boa escolha!
ResponderEliminarBeijos e um bom domingo!
Fernando Pessoa é sempre uma boa escolha! 😀
EliminarAbraço
O vento que arrasta as folhas secas simboliza a dispersão dos pensamentos e a própria fragmentação da identidade do eu lírico, um tema que Fernando Pessoa viria a explorar exaustivamente mais tarde através dos seus heterónimos.
ResponderEliminarDepois da metáfora do vento como actuante na tal dispersão, na última estrofe debruça-se sobre a modificação do eu e o lamento do que já passou.
EliminarAbraço
De qualquer maneira a influência do Walter Whitman é marcante. O António Lobo Antunes tem toda a razão.
EliminarEssa influência é mais notória no heterónimo Álvaro de Campos.
EliminarO vento é o ar em movimento e Pessoa sabia disso.
ResponderEliminarUm abraço, Léo.
“Estou preso ao meu pensamento como o vento preso ao ar”
EliminarFernando Pessoa consegue fazer poesia com tudo!
EliminarAbraço
Impossível fugir dos seus pensamentos!
EliminarAbraço
Pessoa escreveu poemas praticamente sobre quase tudo o que é imaginável.
ResponderEliminarBoa tarde de domingo
Ele faz isso mas acrescenta associações inimagináveis!
EliminarAbraço
Que belo o teu cabeçalho, Leo!
ResponderEliminarQuando puderes, e se quiseres, explica-me como fazes para ampliar as fotos, pela via que mais te aprouver.
Quanto ao poema de Pessoa, quando o comece a ler pareceu-me ser obra de Cesário Verde. Talvez por andar com ele na ideia...☺️
Beijinhos
Não faço nada em relação às fotos.
EliminarVou ao Google Crome onde tenho as fotos transfiro-as e depois vou lá buscá-las. Não há truque com o aumento.
Fernando Pessoa é mais introspectivo, mas também gosto de Cesário Verde, o poeta da melancolia na cidade.
Abraço
Um poema profundamente marcado pela melancolia e pela passagem do tempo. Fernando Pessoa usa o outono, as folhas e o vento como metáforas da própria existência. Tal como a folha é levada pelo vento, também o ser humano vai mudando, deixando para trás aquilo que foi. Uma bela escolha para a época que parece estar a surgir.
ResponderEliminarUm abraço.
A passagem do tempo e o que ela provoca no eu poético é uma das suas obsessões.
ResponderEliminarAbraço