A praia da minha infância foi a Nazaré!
O que recordo desses verões felizes resumem-se a:
Bolos da Batel e de Alfeizeirão vendidos em caixas com gavetinhas que se abriam diante de nós, de joelhos, com a água salgada a escorrer do cabelo pela cara abaixo;
Barquilhos com uma rodinha da sorte e línguas da sogra;
O jogo do prego que podia ser de ferro e era guardado de um ano para o outro, ou de vidro, lindíssimos, mas que que se partiam logo que batiam numa pedra maior;
O Catitinha, velho senhor sempre bem vestido, de barbas brancas, que ia passando pelas praias, do norte até Cascais, arrastando atrás de si a garotada que o queria cumprimentar;
E, finalmente, os Robertos.
Os Robertos foram a minha 1ª experiência de teatro ao vivo.
Os "artistas" chegavam, montavam a barraquinha num dos largos e o espetáculo começava connosco sentados na areia a rir às gargalhadas com as travessuras dos bonecos movimentados por dedos mágicos.
Foi assim que por volta dos cinco anos me perdi pela 1ª e última vez porque decidi seguir o espetáculo para outros largos.
Acabei em lágrimas no Posto de Turismo, levada por um pescador, o altifalante anunciou a presença de uma menina perdida e daí a pouco chegou a minha mãe, também em lágrimas.
Ainda me lembro da mão áspera do pescador que me levou até ao Posto de Turismo!