Quem me espera não me espera
Quem me ama já esqueceu
Quem me toca dilacera
Esta estranha primavera
Que o mês de Maio me deu
Eu já não sei o que tenho
Se febre, se mal ruim
Se este sentimento estranho
De não ser de onde venho
Comigo longe de mim
E assim fico sentado
Com as algas a boiar
De queixo na mão pousado
Ó meu barquinho parado
Sem porto para ancorar
António Lobo Antunes
" VODKA e VALIUM 10"
P.S. A Teresa, que está de férias no Porto, lembrou-me a feição poética de ALA, daí este poema.
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