As Mãos
Com as mãos se faz a paz se faz a guerra,
Com as mãos tudo se faz e se desfaz.
Com as mãos se faz o poema - e são de terra.
Com as mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com as mãos se rasga o mar. Com as mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre, in O Canto e as Armas
O título do livro remete directamente para o verso clássico de Luís de Camões n'Os Lusíadas ("As armas e os barões assinalados"), que por sua vez se inspira na Eneida de Virgílio ("Arma virumque cano"). Contudo, Manuel Alegre inverte e moderniza o conceito: a poesia (o canto) assume a função de combate (as armas) pela liberdade.
ResponderEliminar"As Mãos": Um poema onde exalta o poder constructivo do ser humano e a acção popular, terminando com o icónico verso "nas tuas mãos começa a liberdade“.
És o máximo, querida Teresa!
EliminarNas nossas mãos está o bem e o mal, a escolha é nossa!
Abraço
Conheço e gosto muito do poema, como, de resto, de todos os de MA, de quem não gosto. Dá para perceber como se pode gostar da poesia de alguém e não gostar nada do poeta?
ResponderEliminarMas é a mais pura verdade!
Um abraço, Leo!
Tu gostas do poeta só que não gostas do homem.
EliminarTens cá uma quezília com os socialistas, nem sei como não embirras comigo! :))
Abraço
...Tu, és diferente, és um ser humano admirável.
EliminarNão gosto do homem e não é por ser socialista, é porque tem mau fundo. Em criança por pouco não matou a irmã...
Abraço
Desconhecia esse episódio da sua infância!
EliminarEu sou como sou, nada de admirável! :))
Abraço
Um símbolo de resistência! Boa escolha!
ResponderEliminar“Solto de amarras intelectuais, o poder das mãos fez-se divino.”
É mesmo, Catarina!
EliminarAbraço
Belíssimo poema.
ResponderEliminarUm abraço.
Também acho, António!
EliminarAbraço
Gosto muito deste poema de Manuel Alegre.
ResponderEliminarAs mãos, como algo de prestidigitador, estão presentes
em todos os nossos actos.
Abraço
Olinda
As mãos podem tudo, a escolha é nossa!
EliminarAbraço
O meu conterrâneo escreveu a liberdade como ninguém.
ResponderEliminarAbraço
Concordo consigo, Pedro.
EliminarGosto muito de Manuel Alegre!
Abraço
Faço por agradar aos meus seguidores. :))
ResponderEliminarAbraço