domingo, junho 14, 2026

Poesia ao domingo

 As Mãos


Com as mãos se faz a paz se faz a guerra,

Com as mãos tudo se faz e se desfaz.

Com as mãos se faz o poema - e são de terra.

Com as mãos se faz a guerra - e são a paz.


Com as mãos se rasga o mar. Com as mãos se lavra.

Não são de pedras estas casas mas

de mãos. E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.


E cravam-se no Tempo como farpas

as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.


De mãos é cada flor cada cidade.

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.


Manuel Alegre, in O Canto e as Armas

15 comentários:

  1. O título do livro remete directamente para o verso clássico de Luís de Camões n'Os Lusíadas ("As armas e os barões assinalados"), que por sua vez se inspira na Eneida de Virgílio ("Arma virumque cano"). Contudo, Manuel Alegre inverte e moderniza o conceito: a poesia (o canto) assume a função de combate (as armas) pela liberdade.

    "As Mãos": Um poema onde exalta o poder constructivo do ser humano e a acção popular, terminando com o icónico verso "nas tuas mãos começa a liberdade“.

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    1. És o máximo, querida Teresa!
      Nas nossas mãos está o bem e o mal, a escolha é nossa!

      Abraço

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  2. Conheço e gosto muito do poema, como, de resto, de todos os de MA, de quem não gosto. Dá para perceber como se pode gostar da poesia de alguém e não gostar nada do poeta?
    Mas é a mais pura verdade!

    Um abraço, Leo!

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    1. Tu gostas do poeta só que não gostas do homem.
      Tens cá uma quezília com os socialistas, nem sei como não embirras comigo! :))

      Abraço

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    2. ...Tu, és diferente, és um ser humano admirável.
      Não gosto do homem e não é por ser socialista, é porque tem mau fundo. Em criança por pouco não matou a irmã...

      Abraço

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    3. Desconhecia esse episódio da sua infância!
      Eu sou como sou, nada de admirável! :))

      Abraço

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  3. Um símbolo de resistência! Boa escolha!
    “Solto de amarras intelectuais, o poder das mãos fez-se divino.”

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  4. Gosto muito deste poema de Manuel Alegre.
    As mãos, como algo de prestidigitador, estão presentes
    em todos os nossos actos.
    Abraço
    Olinda

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  5. O meu conterrâneo escreveu a liberdade como ninguém.
    Abraço

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    1. Concordo consigo, Pedro.
      Gosto muito de Manuel Alegre!

      Abraço

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  6. Faço por agradar aos meus seguidores. :))

    Abraço

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