As minhas origens do lado materno encontram-se no Planalto de Santo António que faz parte do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.
Aí, tirando algumas leiras mais férteis, as terras são secas, de olivais, milho e trigo de sequeiro e de pastoreio, ovelhas, cabras e vacas sobretudo, que trouxeram alguma riqueza a quem tinha o seu pedaço de terra.
Os terrenos são divididos por muros de pedra seca, solta que alguns dos mais experientes construtores de muros transformaram em obras de arte.
Foi assim que há dias, o concelho de Porto de Mós ganhou o 1º prémio com a candidatura "Muros que unem" no âmbito do concurso das 7 Maravilhas do Património Natural. (Não tenho bem a certeza do nome do concurso).
As terras dos meus avós maternos estavam divididas assim, mesmo o pátio de entrada e o enorme quintal das traseiras onde havia três eiras e uma pia bem funda, cavada na rocha, coberta por lajes onde se acumulava a água da chuva.
Estes muros fazem parte da minha infância, umas vezes saltava-os, outras passava pelas guaritas abertas para a entrada e saída dos animais mais pequenos.
Um reino feito de rendilhado de pedra!

