quarta-feira, agosto 19, 2026

Televisão - RTP2

 Dez Programas para o Fim do Mundo, na RTP2


Embora fosse uma repetição de 14 de Dezembro de 2025, para mim foi uma estreia. Assisti ao programa na segunda-feira, já perto das 11 horas da noite.

Nuno Artur Silva conversa com Viriato Soromenho-Marques, filósofo e professor universitário e com Irene Pimentel, historiadora, sobre o papel da memória na História dos povos e o que a sua ausência pode acarretar.

Parece que a História não se repete, mas rima, segundo Mark Twain e até gagueja, segundo alguém que não fixei.

Resumindo, o que me deixou mais desperta foram os três grandes acontecimentos que poderão perturbar ou já estão a perturbar o nosso presente e adiantados por Viriato Soromenho-Marques:

1. A desregulação do Ambiente que está a provocar catástrofes climáticas;

2. Os graves focos de conflito que podem dar origem a uma 3ª Guerra Mundial, com a agravante de o nuclear estar na mão de loucos;

3. O alargamento da IA a muitos setores da sociedade, gerando inúmero desemprego e alterando valores fundamentais para a sobrevivência das Democracias.


Foi uma longa conversa que me trouxe algum desassossego, embora nada disto seja novidade.

Dá a sensação que estamos mesmo à beira do abismo.

Só a excecionalidade do ser humano nos salvará, se houver mudanças significativas nas rotas de eminente colisão.


terça-feira, agosto 18, 2026

A espuma dos dias


 

A espuma dos dias ainda faz lembrar a espuma do mar, mas há que guardar as belas imagens das férias e assentar arraiais!

Agora que eles partiram, voltei a ser senhora da minha secretária que se encontra no quarto deles e que eles ocupavam a tempo inteiro.

Ainda há pouco abriam buracos no jardim em busca de uma cidade romana, faziam coleção de caracóis, regavam-se mutuamente com a mangueira, levantavam-se cedo, enchiam a casa de legos e de correrias, para agora acordarem tarde, comerem muito bem e quase não tirarem o nariz dos computadores.

São adolescentes que vivem em realidades paralelas que, tanto eu como o pai, assaltamos muitas vezes, para acabarmos os quatro a rir.

segunda-feira, agosto 17, 2026

Querido mês de Agosto

 Aos poucos o mês vai escorrendo, deixando para trás férias na praia, longas tardes à beira da piscina, refeições a quatro, risos com as piadas dos rapazes.

Ainda deu para  uns dias na santa terrinha e uma ida à Praia Fluvial de Constância, no Zêzere. Eles adoram esta praia.

Chegaram com pedrinhas do rio e a grande novidade:

- Avó, imagina que este ano até apareceu um vendedor de bolas de Berlim!

Agosto sem bolas de Berlim, não seria Agosto!

Entretanto já partiram para uns dias com a mãe, o pai voltou ao trabalho e eu voltei a ficar só com a companhia dos gatos.

domingo, agosto 16, 2026

Poesia ao domingo

 Aldeia


Nove casas

duas ruas,

ao meio das ruas

um largo,

ao meio do largo

um poço de água fria.


Tudo isto tão parado

e o céu tão baixo

que quando alguém grita para longe

um nome familiar

se assustam pombos bravos

e acordam ecos no descampado.


Manuel da Fonseca, in Poemas Completos

sexta-feira, agosto 14, 2026

Música à sexta


 

Dou normalmente prioridade à música portuguesa que será ou não do vosso agrado!

quinta-feira, agosto 13, 2026

Leituras





 Tenho lido bastante, mas só irei falar das minhas leituras de vez em quando para não vos cansar.

Conheci a maestria de Machado de Assis na Faculdade, mas como romancista.

Foi com este livro que o meu filho que me trouxe  que descobri o excelente contista que ele é.

Se clicarem na 1ª imagem terão praticamente uma sinopse do mesmo.

É muito curto e lê-se muito bem! 

quarta-feira, agosto 12, 2026

Citação

 " Nestes tempos não sei, por assim dizer, aquilo que quero; talvez não queira aquilo que sei e queira aquilo que não sei."


MARSÍLIO FICINO, carta a  Giovanni Cavalcanti, c. 1475


É espantoso encontrar uma citação destas datada do séc. XV!

domingo, agosto 09, 2026

Poesia ao domingo

 A Forma Justa


Sei que seria possível construir o mundo justo

As cidades poderiam ser claras e lavadas

Pelo canto dos espaços e das fontes

o céu o mar e a terra estão prontos

A saciar a nossa fome do terrestre

A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia

Cada dia a cada um a liberdade e o reino

- Na concha na flor no homem no fruto

Se nada adoecer a própria forma é justa

E no todo se integra como palavra em verso

Sei que seria possível construir a forma justa

De uma cidade humana que fosse

Fiel à perfeição do universo


Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco

E este é o meu ofício  de poeta para a reconstrução do mundo


Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas

sexta-feira, agosto 07, 2026

Música à sexta


 

A ponte que uniu Lisboa à margem sul fez/faz 60 anos e, em 1966, era a ponte suspensa mais alta da Europa.

Daí ter me lembrado dos Jafumega!

quarta-feira, agosto 05, 2026

Leituras

 


Baseado em factos verídicos ocorridos na Bélgica, durante a ocupação nazi, com um abade católico, o narrador conta a profunda amizade desenvolvida entre um padre e um miúdo judeu.

Esse miúdo foi entregue pelos pais a uma família nobre em Bruxelas, mas essa família acabou, por razões de denúncia, por se socorrer do tal padre de uma aldeia a cerca  trinta kms da cidade e que acolhia rapazes judeus, numa espécie de colégio, e cujos pais tinham sido levados pelos nazis ou os próprios pais os tinham deixado para os salvarem.

Entre o miúdo judeu e o padre católico surgem diálogos que vão do místico, ao divertido, mas também ao dramático, sobretudo no questionamento sobre a ação de Deus e nas diferenças entre o judaísmo e o catolicismo. 

O padre procura que o miúdo não esqueça a sua religião, mas ao mesmo tempo tem de levá-lo a ele e a todos a construírem uma nova identidade a partir de documentos falsos que atestavam a sua origem católica e a irem mesmo à missa na aldeia.

Durante três anos sofrerem muitos sustos, mas a guerra acabou e os pais do miúdo apareceram.

É uma pequena narrativa cuja conclusão já nos coloca na atualidade, com referências ao conflito entre Israel e o povo palestiniano.

Já adultos, o tal miúdo e um grande amigo que vive em Israel, têm este diálogo:

- Não sejas ingénuo, José. A melhor forma de chegar à paz, é muitas vezes a guerra.

- Eu não estou de acordo. Quanto mais ódio acumulares entre estes dois campos, menos a paz será possível.



Nota: o meu último Leituras teve apenas duas leitoras!