quinta-feira, junho 04, 2026

Leituras

Há dias no Facebook, a propósito das crónicas de Lobo Antunes, uma amiga, fã das mesmas, escreveu que o autor dizia uma coisa interessante..."Quem lia as crónicas eram os que não sabiam nadar, ao contrário dos que liam os livros dele."
Eu acrescentei também me deliciar com as suas crónicas, mas que já tinha iniciado as aulas de natação com a leitura de " Até Que as Pedras se Tornem mais Leves Que a Água", um livro muito difícil, violento que nos transporta para os traumas da guerra colonial num alferes. Levei muito tempo a terminá-lo.
Agora lancei-me ao segundo, este que está na foto e com o qual me estou a divertir bastante. É o relato do desmoronamento de uma família da alta burguesia, ligada ao Estado Novo, após o 25 de Abril, com uma quinta em Palmela completamente arruinada, com fugas para Espanha, com uma linguagem que retrata os tiques linguísticos dos bem nascidos em Cascais.




 

terça-feira, junho 02, 2026

Publicidade


 

Há muito que não tínhamos um anúncio tão original como este.

Aliás os nossos publicitários não andam nada criativos.

Este anúncio faz-me lembrar o "Tou xim".

segunda-feira, junho 01, 2026

Olhares


  A papoila resiliente!

domingo, maio 31, 2026

Poesia ao domingo

 Dez Reis de Esperança



Se não fosse esta certeza

que nem sei de onde me vem,

não comia, não bebia,

nem falava com ninguém.

Acocorava-me a um canto,

no mais escuro que houvesse,

punha os joelhos à boca

e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes

do ingénuo adolescente,

a chuva das penas brancas

a cair impertinente,

aquele incógnito rosto,

pintado em tons de aguarela,

que sonha no frio encosto

da vidraça da janela,

 não fosse a imensa piedade

dos homens que não cresceram,

que ouviram, viram, ouviram,

viram e não perceberam,

essas máscaras selectas,

antologia do espanto, 

flores sem caule, flutuando

no pranto do desencanto,

se não fosse a fome e a sede

dessa humanidade exangue,

roía as unhas e os dedos

até os fazer em sangue.


António Gedeão, in Poesias Completas (1956-1967)

sexta-feira, maio 29, 2026

Música à sexta

E deu-me a nostalgia da música deste filme, do tempo em que os filmes franceses me encantavam



 

quinta-feira, maio 28, 2026

SNS

 Sempre tive acesso ao meu Centro de Saúde sem qualquer problema.

A última consulta que tive foi em março para renovação da carta de condução, de resto solicito por mail ao médico de família os medicamentos ou alguns exames solicitados por outros médicos e até ontem tudo correu bem.

Ontem, perante o agravamento da tosse, telefonei para agendar uma consulta de urgência, a instrução que recebi de uma voz anónima foi de premir a tecla 1. Assim fiz, de novo uma voz anónima manda-me ligar para a Saúde 24 e seguir as instruções.

E o que é que eu fiz? Liguei para uma clínica privada, marquei, sem problemas, consulta para um médico conhecido que até tem acordo com a ADSE e assim resolvi o assunto.

Penso que é mesmo uma estratégia para "desampararmos a loja"!

Claro que isto nada tem a ver com o facto de não aceitarem no Hospital de Faro uma grávida em trabalho de parto, por não ter telefonado primeiro para a Saúde 24. E assim foi obrigada a deslocar-se 70kms até Portimão, onde felizmente o parto ocorreu sem problemas, mas podia ter corrido mal.

Estão deliberadamente a "matar" o SNS!

terça-feira, maio 26, 2026

Desabafos





 


Ainda não senti a diferença!

Então de noite nem se fala.

Além destes rebuçados ditos "milagrosos",  tenho usado mel, limão e Vick!

Já não sei o que fazer mais!

domingo, maio 24, 2026

Poesia ao domingo

 Imagem


Este é o poema duma macieira.

Quem quiser lê-lo,

Quem quiser vê-lo,

Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.


Floriu assim pela primeira vez.

Deu-lhe um sol de noivado,

E toda a virgindade se desfez

Neste lirismo fecundado.


São dois braços abertos de brancura;

Mas em redor

Não há coisa mais pura,

Nem promessa maior.



Miguel Torga, in Antologia Poética

sexta-feira, maio 22, 2026

Música à sexta

Com um belo poema de Manuel Alegre, Adriano canta o mês das giestas.
Uma canção que se pode incluir no grupo das canções de intervenção política.



 

quarta-feira, maio 20, 2026

Multidões e emoções

 O almoço já tinha terminado, mas ficámos quatro ou cinco à volta de uma mesa.

A conversa recaiu naturalmente nas cerimónias dos dias 12 e 13 de maio.

Uma das amigas assistiu ao terço e à procissão das velas na noite de 12 e esteve na missa com o Adeus à Virgem no dia 13.

Falou da emoção que sentiu nos dois momentos, no arrepio que sentia com o cântico do Adeus à Virgem e com a imensa multidão, 250.000 mil à noite, um mar de luz e um pouco menos no dia 13.

Eu disse que todos os ajuntamentos de multidões são emocionantes, falei da emoção que sentia ao ouvir o Hino Nacional, quando um ou uma atleta se sagrava campeão/ã, ou noutras situações, ao ponto de chegar a deitar umas lágrimas, eu que as tenho congeladas há muito.

Todas concordaram com essa emoção, mas algumas estavam mais inclinadas para os cânticos religiosos.

Às tantas, declaro que me emociono com a Internacional Socialista, com o Avante, Camarada e o Acordai de Fernando Lopes Graça que algumas desconheciam.

Ia caindo o Carmo e a Trindade!

O que vale é que tinha pelo menos uma do meu lado.

E convosco, o que vos emociona do ponto de vista musical, associado a multidões?