Eu sei que os desafios já não são o que eram, mas aqui fica um.
Onde se encontra este leitor?
Não digam logo de chapa!
Eu sei que os desafios já não são o que eram, mas aqui fica um.
Onde se encontra este leitor?
Não digam logo de chapa!
Subia a rampa de acesso ao elevador, apoiada num andarilho e eu atrás com a minha canadiana.
Chegadas lá, a senhora abre a porta, entra, coloca o andarilho de forma a eu entrar e pergunta:
- É irmã?
Eu respondo:
- Sim, sou irmã da minha irmã!
- Eu queria dizer se era religiosa, acrescenta ela.
- Não, não sou religiosa. E a senhora?
- Eu sou religiosa do 3º andar.
- Mas não tem hábito...
(As religiosas do 3º andar têm um bonito hábito azul clarinho.)
- Lá em Cabo Verde não temos hábito e também andamos descalças.
E estava mesmo descalça, tipo Cesária Évora!
E lá subimos, eu calçada , ela descalça, ambas com um sorriso de boa vizinhança
As Amoras
O meu país sabe a amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país,
talvez nem goste dele,
mas quando um amigo me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas
Pensava eu e afirmava, avó ingénua, que os meus netos seriam daqueles rapazes que gostariam muito de ler, de conversar, de rir, de brincar e que, talvez de vez em quando, mexessem no telemóvel ou no computador, quando fossem mais velhos.
Pura ilusão, ainda "ontem" eram assim e hoje não fazem outra coisa senão jogar com os amigos via computador.
O mais velho, apesar de tudo ainda lê, embora em inglês o que eu acho uma patetice, mas o mais novo nem isso.
É bem verdade "pela boca morre o peixe"
" A mulher seria verdadeiramente igual ao homem no dia em que, para um cargo importante, fosse nomeada uma mulher incompetente."
Françoise Giroud
(Jornalista, escritora e política)
Nota: não resisti a esta citação! :))
Ontem, numa conversa telefónica com uma amiga, acabámos por concluir que a nossa memória visual para paisagens e rostos deixa muito a desejar, mas a nossa memória para palavras mantém-se fresca.
Lembramos poemas, frases de romances, conversas com amigos/amigas, as palavras aldrabadas da infância dos nossos filhos, mas esquecemos os pormenores de locais por onde andámos há muito e onde fomos felizes.
Salvaguardo Paris que visualizo com facilidade!