quarta-feira, outubro 28, 2026

Poesia portuguesa

 Conheço pouco e mal a poesia de Adília Lopes e o artigo de Pedro Mexia sobre ela, esta semana na Revista do Expresso, despertou o meu interesse.

Às tantas diz:

" "A poesia",  para um leitor português,  é Sophia, e muito bom gosto têm esses leitores. Mas Adília é em tudo a anti-Sophia, embora a admirasse e sobre ela tivesse escrito um belo texto para as comemorações do centenário. ....................................................................................................................................................

Adília compara escrever um poema com apanhar um peixe com as mãos, uma experiência escorregadia e compensadora. Os poemas têm personalidade, bulício, artefactos e temas esquisitos, como um Luna Parque onde a diversão não tem saída, espécie de Hotel Califórnia à portuguesa. E vamos assistindo a aflições, alívios, astúcias, infantilismos, castigos, anticlímaxes, com uma sintaxe e gramática que a tudo se ajustam................................................................................................................................. 

Há gente nesses poemas, e não é a gente do costume, são dactilógrafas, autodidactas , meninas ominosas, tias-avós, Lilian Gish e o seu pulso estreito, amigas da onça."


Fiquei então desperta para a poesia de Adília Lopes que mal conheço, embora já tenho ouvido falar dela muitas vezes, talvez por ser anti-Sophia e eu seja uma sua admiradora.

terça-feira, outubro 27, 2026

Futilidades


 

Depois de ter seguido todas as instruções para pintar uma árvore, conclui que o problema não está na falta de jeito, mas de material não adequado. Tenho mesmo que investir em pincéis inteligentes, daqueles que seguem naturalmente o pensamento da "artista".

A seguir a um filme tão marcante, tão sério, mas sem grande impacto, nada como uma futilidade! :))

segunda-feira, outubro 26, 2026

Cinema

 Ontem consegui aguentar e vi o filme da RTP2  "A Ordem Divina" que só terminou já perto da meia noite e meia.

 Em 1970, Norma Ruckstuhl vive numa pequena aldeia suíça, num cantão de expressão alemã, com o marido e dois filhos -  uma vida pacata, monótona, dedicada à família que inclui um sogro prepotente.

Cansada dessa vida e de não poder trabalhar fora de casa, por ordem do marido, desperta para os movimentos de emancipação das mulheres, na Europa, e acaba por se colocar à frente da luta pelo Referendo do Voto Feminino.

Esta luta foi muito contestada na aldeia e as mulheres acabam a fazer greve, saindo de casa e deixando os homens atarantados com as lides domésticas.

Depois de muitos sobressaltos, no Referendo acabou por ganhar o SIM, em 1971.

Mas só em 1990 é que o último cantão suíço deu o direito de voto às mulheres.

Não fazia a mínima ideia que na Suíça, um país civilizado e próspero, a luta pelo direito ao voto das mulheres tivesse tido tanto impacto.

O filme foi realizado pela suíça Petra Biondina Volpe e o título reenvia-nos para as palavras de um sacerdote, no funeral de uma das contestatárias, interrompido por Norma que coloca os pontos nos is sobre a tal Ordem Divina, de obediência ao marido e anulação da vontade, da dignidade e dos direitos das mulheres.

domingo, outubro 25, 2026

Poesia ao domingo

 Pátria


A Pátria não é apenas

Um corpo de bailador.

Não são duas mãos morenas

Nem mesmo um beijo de amor

Mais do que os livros que lemos,

Mais os amigos que temos,

Mais até que a mocidade,

A Pátria, realidade,

Vive em nós, porque vivemos.


Pedro Homem de Mello, in "Eu Hei-de Voltar um Dia"

sexta-feira, outubro 23, 2026

Música à sexta


 

"O Concerto de Aranjuez é uma obra musical composta em 1939 pelo maestro espanhol Joaquin Rodrigo (1901-1999), escrita originalmente para violão clássico e orquestra, em Paris.

É considerada uma das peças mais importantes e executadas do repertório clássico mundial."

quinta-feira, outubro 22, 2026

Futilidades


 

Como tenho que treinar a todo o custo, hoje fiquei-me por modelos de vasos para a época de Outono/Inverno!

quarta-feira, outubro 21, 2026

Futilidades

 Confesso que me encontro um pouco desanimada com a minha progressão pictórica. 

Todos os ensaios não passam de tristes desenhos abaixo dos infantis, daí a falta de produção que se veja.

Já a Catarina vai de vento em popa !

terça-feira, outubro 20, 2026

Direito à habitação

 Confesso que já fui senhoria de três apartamentos, um por herança da parte do meu sogro e dois por compra nossa.

Neste momento resta-nos um em Lisboa, que comprámos quando juntámos os dois rapazes na universidade, do qual sou coproprietária com o meu filho, vendemos um e  moro no de Fátima, prescindindo da renda.

No domingo houve reunião de condomínio, onde ficámos a saber que as obras que terão de ser feitas, desde mudança do telhado, pintura e arranjo das varandas ficará nuns milhares de euros a cada proprietário, de acordo com a sua permilagem.

Fiquei a pensar nos senhorios que têm apenas um apartamento neste edifício e quando irão receber o investimento feito, por parte dos inquilinos , além do IMI e do aumento do IRS por conta.

É muito fácil falar do lado dos inquilinos, mas o pequeno investidor tem despesas difíceis de reaver, além dos estragos deixados quando os inquilinos saem.

segunda-feira, outubro 19, 2026

Leituras




 

O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, é o livro que será analisado no dia 29 de Outubro, no Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ourém.

Por um feliz acaso, no sábado, tive a oportunidade de assistir à dramatização desta obra, por um grupo brasileiro, composto por quatro excelentes jovens atores.

Escolheram quatro ou cinco "cenas" onde se desenrolam os temas da paternidade, racismo, relações conjugais, desencanto profissional, violência policial na abordagem dos negros que termina no assassinato à queima roupa do pai do narrador.

Aliado à palavra, os atores jogam com a mímica, a música , a dança, num emaranhado de sensações que transmitem ao público completamente fascinado. 

De referir que o autor esteve presente e no final prestou-se a algumas perguntas e autografou os nossos livros.

domingo, outubro 18, 2026

Poesia ao domingo

 Pedro Mexia num extenso artigo escreve, na Revista do Expresso, sobre a obra de um poeta totalmente desconhecido para mim, de seu nome José Alberto Oliveira.

Nasceu em Souto da Casa, Fundão em 1952, faleceu em Lisboa em 2023 e era médico cardiologista.

Publicou oito livros de poemas e foi grande tradutor de poesia, sobretudo inglesa e americana.

"Do primeiro ao último, e aos inéditos, encontramos em José Alberto Oliveira uma certa amargura literária, exasperada nos anos finais, mas sempre surpreendente......."

Acabei por escolher um seu poema incompleto, não sei a que ponto, porque não consegui encontrá-lo na Net, também referido neste artigo.


Onde estão os pássaros

que voavam para longe

de fisgas, onde estão os tremoços,

que se compravam, em cartuchos

de papel pardo, por cinco tostões?

Onde estão os cigarros Paris

os figos que eu não comia, o sr.

José Dias, que dava injecções

(em seringas de vidro, que cozia)

preferíveis às zaragatoas

que o meu pai administrava

em amígdalas recalcitrantes

que removeram, em sufoco

de clorofórmio, no Hospital do Fundão?

(.......)

Onde estão as tuas pernas

que corriam à frente

da imaginação?


José Alberto Oliveira