quinta-feira, setembro 03, 2026

A minha casa

 Ontem fui a casa, continuo a dizer casa, porque é lá que repousa a maioria das minhas boas memórias.

Fui  para abrir a porta a dois técnicos que iriam, finalmente, avaliar o estado em que se encontram as janelas do sótão que voaram quando do Kristin. Como não acionei o seguro, tudo ficará por minha conta.

O diagnóstico não foi famoso, o ideal seria mudar todo  o telhado, para remediar apresentaram duas soluções - procurar telhas que tapem o espaço em aberto, ou colocação de uma tela que impedirá a chuva de entrar.

A minha vivenda é geminada, com o telhado comum à casa do lado, por isso a sua mudança teria que ser negociada com os vizinhos e eu sem a mínima paciência para negociações e sem vontade de gastar um absurdo na mudança do telhado de uma casa onde não voltarei a dormir.

Uma feliz descoberta - há uma orquídea a florir e ainda há rosas vermelhas num vaso.

Como não levei o telemóvel não houve fotos.

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

 E Setembro chegou cheio de doçura, embora ainda se anunciem dias de muito calor e de alguma chuva.

Com as aulas a começarem em Outubro, era em Setembro que a minha mãe, a minha irmã e eu íamos passar um mês à Nazaré, porque as rendas das casas eram bem mais baratas e a minha mãe era uma boa gestora de um orçamento apertado. 

Muitos anos depois, comprámos lá um apartamento e os meus filhos puderam gozar de excelentes férias, durante parte da infância, adolescência e início da juventude do mais velho. O mais novo ainda hoje lamenta a venda precipitada do apartamento por parte do pai, que tinha uma característica muito especial - fartava-se com facilidade de ver sempre as mesmas pessoas em férias.

Setembro traz-me outras doces  recordações - as vindimas e o delicioso cheiro no celeiro dos meus avós paternos, a maçãs, peras, figos espalhados em tabuleiros em cima de arcas e das uvas penduradas no teto.

Foi também em Setembro que fui tia e mãe pela primeira vez e, ainda agora, o aniversário do meu sobrinho é vivido com a alegria de dois aniversários com um ausente.

O atual  Setembro traz o regresso às aulas dos meus netos que vieram passar os últimos 15 dias de férias comigo.

Espero que passe a ser uma boa recordação para eles!

segunda-feira, agosto 31, 2026

Citação

 " Aquele que pergunta o caminho pode parecer tolo por cinco minutos, mas quem não pergunta permanece perdido para sempre."


Provérbio Finlandês

domingo, agosto 30, 2026

Poesia ao domingo

 Corredores


Acendias lâmpadas nos corredores,

insistias nos regressos, falavas

do Inverno como se as estações do ano

fossem lugares onde se pudesse


construir uma casa, plantar uma vinha.


Carlos de Oliveira

sábado, agosto 29, 2026

Aniversário

 Foi no dia 29 de Agosto de 2006 que este blogue nasceu!, tendo como "padrinho" o meu filho. 

Contra ventos e marés, com pausas mais ou menos longas, faz hoje 20 anos que entrei na blogosfera onde conquistei alguns amigos e algumas amigas.

Ao longo deste tempo, alguns partiram para uma outra dimensão e recordo-os com saudade, outros simplesmente desistiram por razões que só a eles diz respeito.

Eu cá vou teimando em manter o contacto com aqueles e aquelas que vão resistindo.

Espero poder continuar a visitar-vos e a receber a vossa visita!

sexta-feira, agosto 28, 2026

Música à sexta


 

Dolly Parton partiu esta semana e deixa-nos uma voz e temas inesquecíveis!

quinta-feira, agosto 27, 2026

Josefa de Óbidos





 

"Josefa de Óbidos pintou com o pai, Baltazar Gomes Figueira, os meses alegres do Portugal depois de 1640.

O quadro acima exposto, "Mês de Abril",  faz parte de uma série realizada pela dupla de pintores.

Com oficina em Óbidos, pai e filha criaram uma nova cultura visual profana na arte portuguesa."


Informação a partir do jornal Público de hoje.


Josefa de Óbidos imortalizou-se a partir da temática religiosa, muito presente na sua pintura, mas também com naturezas mortas em parceria com o pai e a solo.

Foi de tal forma importante como artista, na sua época, que conseguiu, contrariamente à prática vigente, viver economicamente independente.

Confesso que só a conhecia a partir de quadros de temática religiosa presente em várias igrejas que visitei, nomeadamente a Igreja de Santa Maria, em Óbidos e a Igreja do Mosteiro de Cós, em Alcobaça, entre outras.

quarta-feira, agosto 26, 2026

Efeméride

 Dia Internacional da Igualdade Feminina


"Uma mulher não precisa de endurecer o coração para se tornar forte, precisa apenas parar de abandonar a si mesma para ser aceite."


Simone de Beauvoir

segunda-feira, agosto 24, 2026

Perdeu-se Relógio de Senhora


 

"Portugal, anos do fascismo. As vidas de três mulheres vão-se desvendando, inscritas num tempo com pouca cor, sob o olhar vigilante da Polícia política e de uma moral repressiva, num país sob a sombra da guerra colonial e já farto da ditadura." 

Estas mulheres de origens sociais e de contextos geográficos diferentes acabam por se encontrar num apartamento em Lisboa.

Cada uma delas carrega um ferrete, uma sofreu a violência doméstica e refez a vida fora do casamento, outra, proletária, aderiu ao PC, viveu na clandestinidade, foi presa e depois de longa tortura disse o que podia ser dito, a terceira, mais jovem, vive a vergonha de ser filha de pais incógnitos embora saiba quem é o pai a quem chama padrinho.

Este romance lê-se de um fôlego, pois a técnica narrativa é aliciante, num vai e vem entre cada uma das protagonistas.

A linguagem é quase coloquial, muito atual, em desconformidade com o que é narrado.

O narrador é muito interessante porque vai opinando pelo meio, de forma mordaz, irónica.

domingo, agosto 23, 2026

Poesia ao domingo

 Há Palavras Que Nos Beijam


Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca

Palavras de amor, de esperança

De imenso amor, de esperança louca.


Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto;

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.


De repente coloridas,

Entre palavras sem cor,

Esperadas inesperadas

Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído

No papel abandonado).


Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte.

Ao silêncio dos amantes 

Abraçados contra a morte.


Alexandre O´Neill, in No Reino da Dinamarca