" O tempo, ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, não é o mesmo para toda a gente."
José Saramago
" O tempo, ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, não é o mesmo para toda a gente."
José Saramago
Quotidiano (Reflexão)
Por exemplo, as coisas que faltam
neste lugar:
uma enxada para que as mãos não
toquem na terra,
um ninho de pardais no canto
da relha,
para que um ruído de asas se possa
abrigar,
um pedaço de verde no monte que
ainda vejo,
por detrás dos prédios que invadem
tudo.
Mas se estas coisas estivessem aqui,
também faria falta um copo de água
para ver, através do vidro, um horizonte
desfocado;
e ainda os restos de madeira com que,
no inverno, é costume atiçar o fogo
e a imaginação que ele consome.
Como se tudo estivesse no lugar,
pronto para ser usado na data
prevista,
sento-me à janela, e fixo a única coisa
que não se move:
o gato, hipnotizado por um olhar
que só ele pressente.
Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"
"Portugal pode ser pobre em recursos naturais, mas é riquíssimo em grupos de reflexão e em estudos. Passos Coelho está a coordenar um deles, para ajudar a "destravar" a economia portuguesa. O ex-primeiro-ministro pode ter muitas virtudes, mas a clareza e o poder de síntese nunca foram o seu forte. Para quê mais um estudo se o programa para acelerar a economia - mais horas de trabalho, menos direitos laborais, menos IRC e mais poupança, a começar por deixar de ir jantar a restaurantes - cabe numa simples linha?"
Extrato de uma crónica de Pedro Garcias no Público de 18 de Setembro
Esta crónica tem um título bem sugestivo:
Para alguns patrões, "vinagre no rabo dos trabalhadores é Barca Velha"
Os meus poucos, mas estimados leitores/amigos sabem que também uso com muita frequência o Facebook.
Nesta rede digital funciona o algoritmo que nos vai presenteando com aquilo onde nós colocamos likes ou fazemos comentários. Aqui há uns dias só me apareciam bandas musicais e orquestras que me deixaram maravilhada, porque adoro toda a espécie de música.
Agora só vejo técnicas de pintura, o que me deixa boquiaberta, uma vez que sou um zero nesta arte.
Interrogo-me se o algoritmo descobriu que fui a uma papelaria à procura de lápis acrílicos, nem sei se isso existe, entusiasmada com as pinturas maravilhosas da Catarina . Não havia!
Por enquanto vou apenas observando os desenhos que o Facebook me oferece, talvez eu tenha esse dom adormecido!
Ontem os rapazes regressaram a Lisboa com o pai.
O mais novo começou as aulas hoje e o mais velho, devido às confusões havidas sobretudo com os exames do 12º, só começará no dia 21. Os professores do Secundário precisam de respirar fundo, antes de enfrentarem mais um ano letivo.
O pequeno apartamento voltou à quietude habitual, com os gatos a dormir descansados, sem serem incomodados com festas.
E eu decidi seguir um horário pouco habitual. Pequeno almoço às 10h, filme a seguir deitada no sofá e só depois as tarefas domésticas, tudo isto acompanhada por música.
Agora todo o tempo me pertence e só faço o que me apetece. Quer dizer que continua muita coisa à espera que eu tome uma atitude.
Natália Correia nasceu a 13 de setembro de 1923.
Ó meu país, meu corpo delirante,
Meu sangue, minha febre, meu desejo,
Meu mar de sal, meu vinho abundante,
Meu sol de fogo, meu eterno ensejo!
Em ti me perco, em ti reconheço,
Em ti me cumpro, em ti me incendeio,
Em ti me entrego, em ti me estremeço,
Em ti me afogo, em ti me mareio.
É o teu grito que me sobe à boca,
É teu o ritmo que me agita o passo,
É teu o fogo que me a alma provoca,
É teu o sonho que me prende ao laço.
Natália Correia, in Cântico do País Emerso
"Quando os ventos da mudança começam a soprar, algumas pessoas levantam muros para se proteger, enquanto outras constroem moinhos para aproveitar a força do vento."
Provérbio chinês