Rosa dos Ventos
sexta-feira, maio 15, 2026
Música à sexta
quinta-feira, maio 14, 2026
Quinta Feira da Ascensão/Dia da Espiga
terça-feira, maio 12, 2026
Apagamentos
Tinha um texto muito bem preparado sobre o turismo religioso e o que significa na terra onde vivo, penso que todos sabem que resido em Fátima, sou fatimense por adoção e sem qualquer ligação à economia local.
Só que, numa tentativa de adicionar novos blogues, tanto cliquei que apaguei todos os que tinha, agora para os recuperar vai ser o cabo dos trabalhos e fiquei sem vontade de introduzir o tal texto e aborrecida com a minha inépcia!
Nem Nossa Senhora me vai valer, porque está demasiado ocupada com as preces dos peregrinos.
Quanto maior é a crise mais se reza!
segunda-feira, maio 11, 2026
Leituras
Rómulo Castelo, um pianista e professor de piano virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte.
Tem em casa um estúdio à prova de sons exteriores e, por detrás da porta blindada, refugia-se todas as manhãs, distanciando-se de um casamento problemático e de um filho que jamais corresponderá aos seus ideais de excelência enquanto ensaia, à exaustão, aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique.
Só que um terrível acidente, em que ficou com a mão direita decepada, vem interromper esta carreira brilhante.
Daí para a frente será uma luta constante na procura de retomar o estatuto que tinha como professor na universidade, criando conflitos com alunos, colegas e a própria direção e aguentando "a dor fantasma", que é a dor presente na mão ausente, terminando só, destruído e endividado, por ter acreditado que uma mão "robótica" iria substituir a mão perdida.
Gostei bastante da obra e, embora tenha encontrado na sua escrita marcas muito presentes, como é óbvio, do português do Brasil, mostra que em Português nos entendemos.
Este romance foi "Prémio Literário José Saramago 2022".
domingo, maio 10, 2026
Poesia ao Domingo
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina ( 1943 - 2012 )
sexta-feira, maio 08, 2026
Música à sexta
quinta-feira, maio 07, 2026
A importância das janelas nas aprendizagens
Vou vender, como ouvi na Antena 3, logo de manhã.
Uma universidade chinesa, não captei qual, publicou um estudo onde se demonstra que os alunos, colocados perto de uma janela com uma bela paisagem, têm melhores resultados do que aqueles que ficam no meio das salas.
Pasmei, porque como professora sempre achei que as janelas eram fatores de distração.
Será uma chinesice que só funciona na China ou funcionará em qualquer sala de aula?
quarta-feira, maio 06, 2026
As Vozes da Rádio
Tenho vários rádios a pilhas que não funcionam, as pilhas estragaram-se por falta de uso e o rádio/despertador da mesa de cabeceira nunca funcionou bem a não ser como despertador, coisa que eu detestava.
Nunca precisei de despertador para acordar, a não ser a desoras, tipo 4/5 da manhã, já o meu companheiro usava e abusava de despertadores, mesmo no plural, um não chegava.
Ouvia música no carro e como andava muito, não lhe sentia a falta em casa.
Com o meu novo estilo de vida, pedi, pelos anos, ao meu filho um rádio portátil e ele ofereceu-me um multiusos. Tem um ótimo som, tem uma lanterna, tem uma bússola, tem um botão de alarme, se eu me perder na floresta (palavras do rapaz), tem um dispositivo para carregar o telemóvel, caso a luz falhe, tem bateria que dá para mais de um mês e carrega-se como um telemóvel.
Ligo-o logo que acordo, faz-me companhia durante horas e passei a conhecer as últimas novidades da música portuguesa que é a que passa nos emissores que capto.
Enfim, é o ideal para situações de emergência, tipo "apagão" ou outra "Kristin".
segunda-feira, maio 04, 2026
Vizinhos
Há dias ouvi martelar no corredor, como ainda não conhecia nenhum vizinho do andar, conheço apenas algumas Irmãs da Comunidade Religiosa que ocupa todo o 3º piso, abri a porta e dei-me com um jovem às voltas com a fechadura da porta.
Cumprimentei-o e apresentei-me, um pouco embaraçado também se apresentou, como não acrescentava mais nada perguntei-lhe se vivia sozinho.
Afinal vivia com a mulher e filhos, não sei quantos.
Disse-lhe que vivia sozinha e que, se lhe tocasse à campainha, ficava a saber que precisava de ajuda.
Sorriu, mas não respondeu que estivesse à vontade.
Esta vivência de se ignorar quem vive ao nosso lado ou em frente, não me agrada de todo.
domingo, maio 03, 2026
Poesia ao domingo
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e a chuva desaba, veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará para sempre
junto do seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in " Lição das Coisas"

