domingo, setembro 13, 2026

Poesia ao domingo

 Natália Correia nasceu a 13 de setembro de 1923.



Ó meu país, meu corpo delirante,

Meu sangue, minha febre, meu desejo,

Meu mar de sal, meu vinho abundante,

Meu sol de fogo, meu eterno ensejo!


Em ti me perco, em ti reconheço, 

Em ti me cumpro, em ti me incendeio,

Em ti me entrego, em ti me estremeço,

Em ti me afogo, em ti me mareio.


É o teu grito que me sobe à boca,

É teu o ritmo que me agita o passo,

É teu o fogo que me a alma provoca,

É teu o sonho que me prende ao laço.


Natália Correia, in Cântico do País Emerso

sábado, setembro 12, 2026

Citação

 "Quando os ventos da mudança começam a soprar, algumas pessoas levantam muros para se proteger, enquanto outras constroem moinhos para aproveitar a força do vento."


Provérbio chinês

sexta-feira, setembro 11, 2026

Música à sexta

E continuamos com setembro!


 

quinta-feira, setembro 10, 2026

Desabafos

 Os meus netos estão a passar comigo os últimos 15 dias de férias e o pai telefona todos os dias, aliás fá-lo sempre independentemente dos rapazes estarem comigo ou não.

À tantas digo-lhe que não tenho lido quase nada ultimamente e ele responde:

 Deixa lá, minha mãe, estás a construir memórias e eles também!

Fiquei a pensar quanto tempo de memórias me resta construir.

segunda-feira, setembro 07, 2026

Citação

 " Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro. "


Clarice Lispector 


Um conselho nada católico! :))

domingo, setembro 06, 2026

Poesia ao domingo

 The Dancing Words


Porque és o retrato dos meus olhos

Onde as fontes do sol vêm beber

Este mar de setembro azul perfeito

Que nas pedras acaba de morrer.

Porque na noite clara do teu peito

A lua é só um pássaro ferido

E as palavras nascem dos meus dedos

Carregadas de sonho e de sentido

Porque és a cor dos rios em cada fonte

No silêncio da terra desvelada

Lágrima orvalho pétala horizonte

Onde se abre verde a madrugada.


António Lobo Antunes

sábado, setembro 05, 2026

Banalidades

Desde que mudei de casa o algoritmo do Facebook deixou de me presentear com cadeiras elevatórias, é espantoso como sabe que já não preciso!

Em contrapartida agora só apanho bandas e fico bem feliz com isso, porque adoro essas manifestações musicais quer populares, quer eruditas.


Nota: Ontem, pelos vistos, os blogues andaram marados, muitos não conseguiram comentar ninguém, eu estou na lista.

sexta-feira, setembro 04, 2026

quinta-feira, setembro 03, 2026

A minha casa

 Ontem fui a casa, continuo a dizer casa, porque é lá que repousa a maioria das minhas boas memórias.

Fui  para abrir a porta a dois técnicos que iriam, finalmente, avaliar o estado em que se encontram as janelas do sótão que voaram quando do Kristin. Como não acionei o seguro, tudo ficará por minha conta.

O diagnóstico não foi famoso, o ideal seria mudar todo  o telhado, para remediar apresentaram duas soluções - procurar telhas que tapem o espaço em aberto, ou colocação de uma tela que impedirá a chuva de entrar.

A minha vivenda é geminada, com o telhado comum à casa do lado, por isso a sua mudança teria que ser negociada com os vizinhos e eu sem a mínima paciência para negociações e sem vontade de gastar um absurdo na mudança do telhado de uma casa onde não voltarei a dormir.

Uma feliz descoberta - há uma orquídea a florir e ainda há rosas vermelhas num vaso.

Como não levei o telemóvel não houve fotos.

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

 E Setembro chegou cheio de doçura, embora ainda se anunciem dias de muito calor e de alguma chuva.

Com as aulas a começarem em Outubro, era em Setembro que a minha mãe, a minha irmã e eu íamos passar um mês à Nazaré, porque as rendas das casas eram bem mais baratas e a minha mãe era uma boa gestora de um orçamento apertado. 

Muitos anos depois, comprámos lá um apartamento e os meus filhos puderam gozar de excelentes férias, durante parte da infância, adolescência e início da juventude do mais velho. O mais novo ainda hoje lamenta a venda precipitada do apartamento por parte do pai, que tinha uma característica muito especial - fartava-se com facilidade de ver sempre as mesmas pessoas em férias.

Setembro traz-me outras doces  recordações - as vindimas e o delicioso cheiro no celeiro dos meus avós paternos, a maçãs, peras, figos espalhados em tabuleiros em cima de arcas e das uvas penduradas no teto.

Foi também em Setembro que fui tia e mãe pela primeira vez e, ainda agora, o aniversário do meu sobrinho é vivido com a alegria de dois aniversários com um ausente.

O atual  Setembro traz o regresso às aulas dos meus netos que vieram passar os últimos 15 dias de férias comigo.

Espero que passe a ser uma boa recordação para eles!