Depois de ter passado anos sem comprar jornais, aderi ao Público online e de vez em quando compro o Expresso.
Apesar de alguns defeitos que a Clara Ferreira Alves tem, escreve bem e, de facto, é mais irritante quando fala.
Na sua Pluma Caprichosa de hoje, com o título Feira Cabisbaixa, fala-nos da morte de amigos e do ato de apagar o seu contacto do telemóvel.
" A resistência à extinção mede-se pela irracionalidade da recusa quotidiana e milimétrica da morte ou da possibilidade da morte. Não é tema, a não ser quando discutida em abstrato e como alguma coisa que acontece aos outros....É a única coisa de que podemos estar certos. O como e quando não são substantivos. Nem negociáveis."
Atrevo-me a dizer que só os poetas conseguem falar da sua morte sem serem mórbidos.
E eu, numa espécie de adiamento do desaparecimento final, tardo em apagar do telemóvel o número de familiares e amigos.

