domingo, outubro 11, 2026

Poesia ao domingo

 Violoncelo


Chorai arcadas

Do violoncelo!

Convulsionadas

Pontes aladas

De pesadelo...

De que esvoaçam,

Brancos, os arcos...

Por baixo passam, 

Se despedaçam,

No rio, os barcos.

Fundas, soluçam

Caudais de choro...

Que ruínas, (ouçam)!

Se se debruçam,

Que sorvedouro!...

Trémulos astros,

Soidões lacustres...

- Lemos e mastros...

E os alabastros


Dos balaústres!

Urnas quebradas!

Blocos de gelo...

- Chorai arcadas,

Despedaçadas,

Do violoncelo.


Camilo Pessanha, in "Clepsidra"

sábado, outubro 10, 2026

Futilidades

 Hoje fiquei-me pela amostragem da minha 1ª tentativa de pintar hortênsias!

Tenho muito que treinar!

sexta-feira, outubro 09, 2026

Música à sexta


 Gosto muito de bandas filarmónicas, mais populares e de orquestras sinfónicas, mais clássicas.

quinta-feira, outubro 08, 2026

Prémio Nobel

 A Teresa do Ematejoca já nos deu toda a informação sobre Anna Carson.

Fui então fazer uma breve pesquisa e encontrei um poema da sua autoria lido por Madalena Sá Fernandes, retirado do livro intitulado "Vidro, Ironia e Deus".

Pensei que fosse ouvir algo de difícil compreensão, mas saiu-me um poema que, embora enorme, foca dados do quotidiano, localiza-se numa cozinha onde mãe e filha tomam uma refeição à base de alface, onde o eu poético tece considerações bem comezinhas.

Gostei do que ouvi.

terça-feira, outubro 06, 2026

Leituras


 

Talvez por ser uma "baby boom" e na minha infância ainda ouvir ecos das atrocidades da 2ª Guerra  Mundial, além de ter contactado com uma menina austríaca que veio passar duas temporadas a casa de uma tia minha, através da Cruz Vermelha, tenho uma certo fascínio por romances e filmes que relatam essa época.

A Erika era mais velha do que eu , mas lembro-me do medo que tinha e que a levava a esconder-se debaixo da cama, quando ouvia tocar a buzina das fábricas.

Com a leitura deste livro que está na foto, penso que fiquei vacinada e que não voltarei a ler mais nada sobre este tema.

As amigas que já o tinham lido disseram que era emocionante e que até tinham chorado com o desenrolar dos trágicos acontecimentos vividos por duas irmãs, durante a ocupação da França por parte do exército alemão, o papel das mesmas na Resistência e as terríveis consequências vividas por elas.

Confesso que não me emocionei e senti que para mim já chegava.

A história é como todas as história da Resistência, mas  não lhe encontrei valor literário.

Acrescento que foi uma amiga que mo ofereceu nos anos.

Alguém, desse lado, já o leu?

domingo, outubro 04, 2026

Poesia ao domingo

 Outonal


Caem as folhas mortas sobre o lago;

Na penumbra outonal, não sei quem tece

As rendas do silêncio...Olha, anoitece!

- Brumas longínquas do País Vago...


Veludos a ondear...Mistério mago...

Encantamento...A hora que não esquece

A luz que a pouco e pouco desfalece.

Que lança em mim a bênção dum afago...


Outono dos crepúsculos doirados,

De púrpuras, damascos e brocados!

- Vestes a terra inteira de esplendor!


Outono das tardinhas silenciosas,

Das magníficas noites voluptuosas

Em que eu soluço a delirar de amor...


Florbela Espanca, in Charneca em Flor

sábado, outubro 03, 2026

O cinema e a atualidade

 Ontem revi "A Lista de Schindler", um filme de 1993.

No final é oferecido ao salvador de centenas de judeus um anel de ouro, feito a partir dos dentes de ouro de muitos dos operários.

Nesse anel estava inscrita uma frase do Talmude, que é uma coletânea de livros sagrados dos judeus,  um texto central para o judaísmo rabínico .

Era esta a frase:

Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro. 

Perante esta frase, interrogo-me sobre o valor da vida para os dirigentes israelitas que não salvam ninguém em Gaza e na Cisjordânia e estão a dizimar um povo.


Nota: Já estive nas instalações da fábrica de Schindler, em Cracóvia, uma cidade belíssima, e nas paredes há várias imagens do filme.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Música à sexta

Achei muito interessante este poema de António Lobo Antunes, musicado!



 

quinta-feira, outubro 01, 2026

Celebrações do dia 1 de Outubro

 Hoje, dia 1 de Outubro há várias celebrações:

É Dia Internacional da Doença de Gaucher, Dia Internacional do Idoso, Dia Internacional do Café, Dia Internacional da Música.

No Facebook assinalei o Dia Internacional da Música e como não podia deixar de ser bebi um café Nespresso, depois do pequeno-almoço.

Aqui vou fazer uma breve referência ao Dia do Idoso.

Ouvi ontem, num dos canais da TV, várias opiniões sobre a Lei do Arrendamento, em discussão na AR. Fiquei então a saber que, entre as muitas causas da escassez de casas para arrendar, face à imensa procura, também se encontra o envelhecimento da população que não se despacha a morrer e a deixar vaga a casa onde mora!

Como sou proprietária não me senti muito atingida, mas dá que pensar!

quarta-feira, setembro 30, 2026

Leituras

Saí da minha zona de conforto e voltei à fisioterapia.
O jovem que me acompanha tem 23 anos e eu admiro esta juventude que opta por ficar a trabalhar em Portugal, apesar da tentação de melhores vencimentos "lá fora". Seja como for, viver com os pais e a dois passos do trabalho também é uma mais valia.
Como sou uma conversadora nata, vamos falando de vários temas, enquanto faço o melhor que posso para me livrar da canadiana.
Num dos últimos temas, abordámos as leituras que temos entre mãos.
Foi então que fiquei a saber que, depois de ter visto o filme Odisseia, resolveu comprar o livro e iniciar a sua leitura.
Disse-me que não esperava que fosse em verso, eu sorri e disse que, como narrativa épica, era como os Lusíadas ou que os Lusíadas eram como a Odisseia.
Falei-lhe do mito da criação da cidade de Lisboa por Ulisses e do  primeiro poema da Mensagem de Fernando Pessoa intitulado, precisamente, Ulisses, e que começa por nos dizer que " O mito é o nada que é tudo".
Em contrapartida ele aconselhou-me a usar a pedaleira que tenho em casa, enquanto leio!