Confesso que me encontro um pouco desanimada com a minha progressão pictórica.
Todos os ensaios não passam de tristes desenhos abaixo dos infantis, daí a falta de produção que se veja.
Já a Catarina vai de vento em popa !
Confesso que me encontro um pouco desanimada com a minha progressão pictórica.
Todos os ensaios não passam de tristes desenhos abaixo dos infantis, daí a falta de produção que se veja.
Já a Catarina vai de vento em popa !
Confesso que já fui senhoria de três apartamentos, um por herança da parte do meu sogro e dois por compra nossa.
Neste momento resta-nos um em Lisboa, que comprámos quando juntámos os dois rapazes na universidade, do qual sou coproprietária com o meu filho, vendemos um e moro no de Fátima, prescindindo da renda.
No domingo houve reunião de condomínio, onde ficámos a saber que as obras que terão de ser feitas, desde mudança do telhado, pintura e arranjo das varandas ficará nuns milhares de euros a cada proprietário, de acordo com a sua permilagem.
Fiquei a pensar nos senhorios que têm apenas um apartamento neste edifício e quando irão receber o investimento feito, por parte dos inquilinos , além do IMI e do aumento do IRS por conta.
É muito fácil falar do lado dos inquilinos, mas o pequeno investidor tem despesas difíceis de reaver, além dos estragos deixados quando os inquilinos saem.
O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, é o livro que será analisado no dia 29 de Outubro, no Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ourém.
Por um feliz acaso, no sábado, tive a oportunidade de assistir à dramatização desta obra, por um grupo brasileiro, composto por quatro excelentes jovens atores.
Escolheram quatro ou cinco "cenas" onde se desenrolam os temas da paternidade, racismo, relações conjugais, desencanto profissional, violência policial na abordagem dos negros que termina no assassinato à queima roupa do pai do narrador.
Aliado à palavra, os atores jogam com a mímica, a música , a dança, num emaranhado de sensações que transmitem ao público completamente fascinado.
De referir que o autor esteve presente e no final prestou-se a algumas perguntas e autografou os nossos livros.
Pedro Mexia num extenso artigo escreve, na Revista do Expresso, sobre a obra de um poeta totalmente desconhecido para mim, de seu nome José Alberto Oliveira.
Nasceu em Souto da Casa, Fundão em 1952, faleceu em Lisboa em 2023 e era médico cardiologista.
Publicou oito livros de poemas e foi grande tradutor de poesia, sobretudo inglesa e americana.
"Do primeiro ao último, e aos inéditos, encontramos em José Alberto Oliveira uma certa amargura literária, exasperada nos anos finais, mas sempre surpreendente......."
Acabei por escolher um seu poema incompleto, não sei a que ponto, porque não consegui encontrá-lo na Net, também referido neste artigo.
Onde estão os pássaros
que voavam para longe
de fisgas, onde estão os tremoços,
que se compravam, em cartuchos
de papel pardo, por cinco tostões?
Onde estão os cigarros Paris
os figos que eu não comia, o sr.
José Dias, que dava injecções
(em seringas de vidro, que cozia)
preferíveis às zaragatoas
que o meu pai administrava
em amígdalas recalcitrantes
que removeram, em sufoco
de clorofórmio, no Hospital do Fundão?
(.......)
Onde estão as tuas pernas
que corriam à frente
da imaginação?
José Alberto Oliveira
Depois de ter passado anos sem comprar jornais, aderi ao Público online e de vez em quando compro o Expresso.
Apesar de alguns defeitos que a Clara Ferreira Alves tem, escreve bem e, de facto, é mais irritante quando fala.
Na sua Pluma Caprichosa de hoje, com o título Feira Cabisbaixa, fala-nos da morte de amigos e do ato de apagar o seu contacto do telemóvel.
" A resistência à extinção mede-se pela irracionalidade da recusa quotidiana e milimétrica da morte ou da possibilidade da morte. Não é tema, a não ser quando discutida em abstrato e como alguma coisa que acontece aos outros....É a única coisa de que podemos estar certos. O como e quando não são substantivos. Nem negociáveis."
Atrevo-me a dizer que só os poetas conseguem falar da sua morte sem serem mórbidos.
E eu, numa espécie de adiamento do desaparecimento final, tardo em apagar do telemóvel o número de familiares e amigos.
Nunca Charles Aznavour pensou que esta canção passaria a ser uma arma de protesto.
Em Portugal o PM aconselhou os manifestantes do Porto a não serem egoístas!
A Catarina ,https://contempladoraocidental.blogspot.com/ convenceu-me a experimentar pincéis, tintas, lápis!
Fui sempre uma negação em desenho, exceto em desenho geométrico, aí era excelente.
Agora a juntar às atividades que já tinha acrescentei esta.
Apresento-vos uma nova versão de hortências!
Nas ruas e praças de Paris e de outras cidades, os jovens cantam e tocam a Marselhesa, a Internacional Socialista e essa bela canção de Charles Aznavour "Emmenez-moi au bout de la terre". Em Espanha ouve-se o Hino dos Mineiros que nasceu nas Astúrias em 1936.
Em França luta-se por melhor qualidade na Educação, na Espanha pelo direito à Habitação!
É bem verdade que "A cantiga é uma arma", da autoria de José Mário Branco.
Em Portugal a luta pelo direito à habitação já faz mexer os jovens com alguns acampamentos, dispersos rapidamente pelas autoridades, mas ainda não cantam.
" Somos complexos, confusos, misturados. Não somos só bem ou mal. Interessa-me explorar essa condição humana. "
Carla Madeira, escritora brasileira, autora do romance "Tudo é Rio" que está na minha lista para leitura futura.
Violoncelo
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas, (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trémulos astros,
Soidões lacustres...
- Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
- Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Camilo Pessanha, in "Clepsidra"