Pedro Mexia num extenso artigo escreve, na Revista do Expresso, sobre a obra de um poeta totalmente desconhecido para mim, de seu nome José Alberto Oliveira.
Nasceu em Souto da Casa, Fundão em 1952, faleceu em Lisboa em 2023 e era médico cardiologista.
Publicou oito livros de poemas e foi grande tradutor de poesia, sobretudo inglesa e americana.
"Do primeiro ao último, e aos inéditos, encontramos em José Alberto Oliveira uma certa amargura literária, exasperada nos anos finais, mas sempre surpreendente......."
Acabei por escolher um seu poema incompleto, não sei a que ponto, porque não consegui encontrá-lo na Net, também referido neste artigo.
Onde estão os pássaros
que voavam para longe
de fisgas, onde estão os tremoços,
que se compravam, em cartuchos
de papel pardo, por cinco tostões?
Onde estão os cigarros Paris
os figos que eu não comia, o sr.
José Dias, que dava injecções
(em seringas de vidro, que cozia)
preferíveis às zaragatoas
que o meu pai administrava
em amígdalas recalcitrantes
que removeram, em sufoco
de clorofórmio, no Hospital do Fundão?
(.......)
Onde estão as tuas pernas
que corriam à frente
da imaginação?
José Alberto Oliveira