Dia Internacional da Igualdade Feminina
"Uma mulher não precisa de endurecer o coração para se tornar forte, precisa apenas parar de abandonar a si mesma para ser aceite."
Simone de Beauvoir
Dia Internacional da Igualdade Feminina
"Uma mulher não precisa de endurecer o coração para se tornar forte, precisa apenas parar de abandonar a si mesma para ser aceite."
Simone de Beauvoir
"Portugal, anos do fascismo. As vidas de três mulheres vão-se desvendando, inscritas num tempo com pouca cor, sob o olhar vigilante da Polícia política e de uma moral repressiva, num país sob a sombra da guerra colonial e já farto da ditadura."
Estas mulheres de origens sociais e de contextos geográficos diferentes acabam por se encontrar num apartamento em Lisboa.
Cada uma delas carrega um ferrete, uma sofreu a violência doméstica e refez a vida fora do casamento, outra, proletária, aderiu ao PC, viveu na clandestinidade, foi presa e depois de longa tortura disse o que podia ser dito, a terceira, mais jovem, vive a vergonha de ser filha de pais incógnitos embora saiba quem é o pai a quem chama padrinho.
Este romance lê-se de um fôlego, pois a técnica narrativa é aliciante, num vai e vem entre cada uma das protagonistas.
A linguagem é quase coloquial, muito atual, em desconformidade com o que é narrado.
O narrador é muito interessante porque vai opinando pelo meio, de forma mordaz, irónica.
Há Palavras Que Nos Beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca
Palavras de amor, de esperança
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas,
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado).
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte.
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O´Neill, in No Reino da Dinamarca
Federico Garcia Lorca, poeta andaluz de Granada, foi assassinado pelo franquismo a 19 de Agosto de 1936, fez anteontem 90 anos.
Dez Programas para o Fim do Mundo, na RTP2
Embora fosse uma repetição de 14 de Dezembro de 2025, para mim foi uma estreia. Assisti ao programa na segunda-feira, já perto das 11 horas da noite.
Nuno Artur Silva conversa com Viriato Soromenho-Marques, filósofo e professor universitário e com Irene Pimentel, historiadora, sobre o papel da memória na História dos povos e o que a sua ausência pode acarretar.
Parece que a História não se repete, mas rima, segundo Mark Twain e até gagueja, segundo alguém que não fixei.
Resumindo, o que me deixou mais desperta foram os três grandes acontecimentos que poderão perturbar ou já estão a perturbar o nosso presente e adiantados por Viriato Soromenho-Marques:
1. A desregulação do Ambiente que está a provocar catástrofes climáticas;
2. Os graves focos de conflito que podem dar origem a uma 3ª Guerra Mundial, com a agravante de o nuclear estar na mão de loucos;
3. O alargamento da IA a muitos setores da sociedade, gerando inúmero desemprego e alterando valores fundamentais para a sobrevivência das Democracias.
Foi uma longa conversa que me trouxe algum desassossego, embora nada disto seja novidade.
Dá a sensação que estamos mesmo à beira do abismo.
Só a excecionalidade do ser humano nos salvará, se houver mudanças significativas nas rotas de eminente colisão.
A espuma dos dias ainda faz lembrar a espuma do mar, mas há que guardar as belas imagens das férias e assentar arraiais!
Agora que eles partiram, voltei a ser senhora da minha secretária que se encontra no quarto deles e que eles ocupavam a tempo inteiro.
Ainda há pouco abriam buracos no jardim em busca de uma cidade romana, faziam coleção de caracóis, regavam-se mutuamente com a mangueira, levantavam-se cedo, enchiam a casa de legos e de correrias, para agora acordarem tarde, comerem muito bem e quase não tirarem o nariz dos computadores.
São adolescentes que vivem em realidades paralelas que, tanto eu como o pai, assaltamos muitas vezes, para acabarmos os quatro a rir.
Aos poucos o mês vai escorrendo, deixando para trás férias na praia, longas tardes à beira da piscina, refeições a quatro, risos com as piadas dos rapazes.
Ainda deu para uns dias na santa terrinha e uma ida à Praia Fluvial de Constância, no Zêzere. Eles adoram esta praia.
Chegaram com pedrinhas do rio e a grande novidade:
- Avó, imagina que este ano até apareceu um vendedor de bolas de Berlim!
Agosto sem bolas de Berlim, não seria Agosto!
Entretanto já partiram para uns dias com a mãe, o pai voltou ao trabalho e eu voltei a ficar só com a companhia dos gatos.
Aldeia
Nove casas
duas ruas,
ao meio das ruas
um largo,
ao meio do largo
um poço de água fria.
Tudo isto tão parado
e o céu tão baixo
que quando alguém grita para longe
um nome familiar
se assustam pombos bravos
e acordam ecos no descampado.
Manuel da Fonseca, in Poemas Completos