Rómulo Castelo, um pianista e professor de piano virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte.
Tem em casa um estúdio à prova de sons exteriores e, por detrás da porta blindada, refugia-se todas as manhãs, distanciando-se de um casamento problemático e de um filho que jamais corresponderá aos seus ideais de excelência enquanto ensaia, à exaustão, aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique.
Só que um terrível acidente, em que ficou com a mão direita decepada, vem interromper esta carreira brilhante.
Daí para a frente será uma luta constante na procura de retomar o estatuto que tinha como professor na universidade, criando conflitos com alunos, colegas e a própria direção e aguentando "a dor fantasma", que é a dor presente na mão ausente, terminando só, destruído e endividado, por ter acreditado que uma mão "robótica" iria substituir a mão perdida.
Gostei bastante da obra e, embora tenha encontrado na sua escrita marcas muito presentes, como é óbvio, do português do Brasil, mostra que em Português nos entendemos.
Este romance foi "Prémio Literário José Saramago 2022".

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