domingo, junho 21, 2026

Poesia ao domingo

 O Vagabundo do Mar


Sou barco de vela e remo

sou vagabundo do mar.

Não tenho escala marcada

nem hora para chegar:

é tudo conforme o vento,

tudo conforme a maré...

Muitas vezes acontece

largar o rumo tomado

da praia para onde ia...

Foi o vento que virou?

foi o mar que enraiveceu

e não há porto de abrigo?

ou foi a minha vontade

de vagabundo do mar?

Sei lá.

Fosse o que fosse

não tenho rota marcada

ando ao sabor da maré.

É por isso meus amigos,

que a tempestade da Vida

me apanhou no alto mar.

E agora

queira ou não queira,

cara alegre e braço forte:

estou no meu posto a lutar1

Se for ao fundo acabou-se.

Estas coisas acontecem

aos vagabundos do mar.


Manuel da Fonseca, in Obra Poética



14 comentários:

  1. Poesia - da boa - escrita por um alentejano.
    Um abraço, Léo.

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  2. Bom dia, António!
    Quando tu me falhares não sei como será! 😀

    Abraço

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  3. Que belo poema...!
    Eu que adoro poesia tenho uma pena enorme de o dizer, mas não o conhecia.
    Então, Leo, somos poucos mas bons! :))
    Não se pode ter sempre a casa cheia!!!

    Abraços

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    1. Também sou amante de poesia e gosto muito de Manuel da Fonseca.

      Abraço

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  4. Como gostei deste poema!!
    Uma poesia clara e direta como eu prefiro.
    Belíssima escolha.
    : )

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    1. Manuel da Fonseca é mesmo assim!

      Abraço

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    2. Onde é que eu assino o comentário da Catarina??
      Abraço, boa semana

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  5. "Se for ao fundo acabou-se"

    Este verso, fez-me recordar
    o meu
    Desnaufragar

    O céu a marcar a linha do horizonte
    Com o mar ali defronte
    A terra não nos irá chegar
    E chamar-nos-á a memória de marear

    Sossega meu barco
    Não temas meu barco
    Havemos de recuperar
    palmo a palmo
    teu casco
    Erguer-te a vela
    Em novo mastro
    Te daremos remos
    E corda de atracação
    E um poema
    E uma canção
    E um leme
    E um sentido

    Nada é definitivo num naufrágio
    Havemos de emendar o rumo errado
    Assim tua alma te reste inteira
    Que a proa, essa, a tens virada ao sonho

    Rogério Pereira

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  6. Que bonito, Rogério!
    Por esta não esperava!

    Abraço

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  7. Lindo !

    Tive o gosto imenso de conhecer Manuel da Fonseca.

    Abraço, dorme bem.

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  8. Um privilégio, teres conhecido Manuel da Fonseca!

    Abraço

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  9. Desconhecia e gostei muito!
    Beijos e um bom dia!

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  10. A simplicidade da poesia de Manuel da Fonseca lembra-me a poesia de Afonso Lopes Vieira. Enquanto Afonso Lopes Vieira usa a simplicidade para cantar a beleza da tradição, Manuel da Fonseca usa-a para dar voz à verdade e à luta do povo. Ambas as escritas despem-se de artifícios intelectuais para tocar directamente o coração do leitor.

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    1. Melhor eu não poderia dizer!
      Também podemos acrescentar Cesário Verde, um poeta que pintou o real de forma simples!

      Abraço

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