O Vagabundo do Mar
Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré...
Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.
E agora
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar1
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.
Manuel da Fonseca, in Obra Poética
Poesia - da boa - escrita por um alentejano.
ResponderEliminarUm abraço, Léo.
Bom dia, António!
ResponderEliminarQuando tu me falhares não sei como será! 😀
Abraço
Que belo poema...!
ResponderEliminarEu que adoro poesia tenho uma pena enorme de o dizer, mas não o conhecia.
Então, Leo, somos poucos mas bons! :))
Não se pode ter sempre a casa cheia!!!
Abraços
Também sou amante de poesia e gosto muito de Manuel da Fonseca.
EliminarAbraço
Como gostei deste poema!!
ResponderEliminarUma poesia clara e direta como eu prefiro.
Belíssima escolha.
: )
Manuel da Fonseca é mesmo assim!
EliminarAbraço
Onde é que eu assino o comentário da Catarina??
EliminarAbraço, boa semana
"Se for ao fundo acabou-se"
ResponderEliminarEste verso, fez-me recordar
o meu
Desnaufragar
O céu a marcar a linha do horizonte
Com o mar ali defronte
A terra não nos irá chegar
E chamar-nos-á a memória de marear
Sossega meu barco
Não temas meu barco
Havemos de recuperar
palmo a palmo
teu casco
Erguer-te a vela
Em novo mastro
Te daremos remos
E corda de atracação
E um poema
E uma canção
E um leme
E um sentido
Nada é definitivo num naufrágio
Havemos de emendar o rumo errado
Assim tua alma te reste inteira
Que a proa, essa, a tens virada ao sonho
Rogério Pereira
Que bonito, Rogério!
ResponderEliminarPor esta não esperava!
Abraço
Lindo !
ResponderEliminarTive o gosto imenso de conhecer Manuel da Fonseca.
Abraço, dorme bem.
Um privilégio, teres conhecido Manuel da Fonseca!
ResponderEliminarAbraço
Desconhecia e gostei muito!
ResponderEliminarBeijos e um bom dia!
A simplicidade da poesia de Manuel da Fonseca lembra-me a poesia de Afonso Lopes Vieira. Enquanto Afonso Lopes Vieira usa a simplicidade para cantar a beleza da tradição, Manuel da Fonseca usa-a para dar voz à verdade e à luta do povo. Ambas as escritas despem-se de artifícios intelectuais para tocar directamente o coração do leitor.
ResponderEliminarMelhor eu não poderia dizer!
EliminarTambém podemos acrescentar Cesário Verde, um poeta que pintou o real de forma simples!
Abraço