Saí da minha zona de conforto e voltei à fisioterapia.
O jovem que me acompanha tem 23 anos e eu admiro esta juventude que opta por ficar a trabalhar em Portugal, apesar da tentação de melhores vencimentos "lá fora". Seja como for, viver com os pais e a dois passos do trabalho também é uma mais valia.
Como sou uma conversadora nata, vamos falando de vários temas, enquanto faço o melhor que posso para me livrar da canadiana.
Num dos últimos temas, abordámos as leituras que temos entre mãos.
Foi então que fiquei a saber que, depois de ter visto o filme Odisseia, resolveu comprar o livro e iniciar a sua leitura.
Disse-me que não esperava que fosse em verso, eu sorri e disse que, como narrativa épica, era como os Lusíadas ou que os Lusíadas eram como a Odisseia.
Falei-lhe do mito da criação da cidade de Lisboa por Ulisses e do primeiro poema da Mensagem de Fernando Pessoa intitulado, precisamente, Ulisses, e que começa por nos dizer que " O mito é o nada que é tudo".
Em contrapartida ele aconselhou-me a usar a pedaleira que tenho em casa, enquanto leio!
Li a Odisseia há mais de trinta anos.
ResponderEliminarLer uma tese académica alemã sobre a Odisseia vai ser o meu maior trunfo. Os estudos homéricos na Alemanha têm uma tradição riquíssima, historicamente dividida entre os analistas, que dissecavam o texto à procura de várias camadas de autores, e os unitários, que defendiam Homero como autor único.
Também quero ver o novo filme 🎥
Acredito mais na tese dos unitários, porque Homero serviu-se de várias fontes, sobretudo da tradição oral.
EliminarTambém quero ver o filme.
Abraço
Por todo o lado encontramos gente boa. Tiveste, agora, o exemplo do fisioterapeuta.
ResponderEliminarÉ de pessoas assim que eu gosto.
São pessoas assim que mantêm o SNS a rodar convenientemente.
E os pacientes agradecem.
Um abraço, Léo.
Alguém tem que ficar para não sermos um país de velhos portugueses e de reformados estrangeiros.
EliminarAbraço
Cada leitor funciona como um filtro único, moldado pelas suas próprias experiências, valores, dores e interesses do momento.
ResponderEliminarEssa é uma das belezas da leitura e da comunicação.
Daí os Clubes de Leitura serem muito ricos de pontos de vista diferentes sobre a mesma obra.
EliminarAbraço
Eu não estava a referir-me aos Círculos Literários..
EliminarEu apenas comentei sobre a Odisseia.
O único interesse do António foi o rapaz e o SNS.
Eu sei, mas resolvi alargar! :))
EliminarO António fez a sua leitura de acordo com os seus interesses :))
Abraço
E eu fiz a minha leitura de acordo com os meus interesses.
EliminarNem mais!
EliminarCada um fala por si! 😀
Abraço
Vou começar pelo fim. Pedaleira – não me recordo de alguma vez ter ouvido ou lido esse termo. Já aprendi qualquer coisa hoje.
ResponderEliminarOdisseia – não é leitura fácil e muito menos em verso. Sei que há versões em prosa e em linguagem moderna. Provavelmente haverá também em português.
Optei por fazer uma curta pesquisa mesmo agora: Há a versão de Jayme Bruna pela Editora Cultrix. Prosa e português do Brasil contemporâneo. Também vi que há a versão de Frederico Lourenço e a João de Barros. Talvez ele esteja interessado.
Aos 23 anos, o jovem reside com os pais o que é uma situação que se encontra no limite do socialmente aceitável, no contexto da cultura canadiana. Mas como ele não vive no Canadá, mas em Portugal, talvez não seja estranho.
Fiquei curiosa: O rapaz teve alguma vez a oportunidade de ir trabalhar para o estrangeiro?
A pedaleira funciona como uma bicicleta parada. :))
EliminarTenho a versão de João de Barros, em prosa e faz parte do Plano Nacional de Leitura para o 7º ano. É uma versão para crianças e jovens, é bastante antiga.
A versão de Frederico Lourenço é muito atual, mas para ser franca não a conheço, provavelmente é a que o meu jovem fisioterapeuta está a ler, porque não me lembro de nenhuma outra versão em português.
Maria Alberta Meneres escreveu "Ulisses" para crianças e estudei essa obra com alunos do 6º ano e muito recentemente os meus netos também o leram no 7º ano.
Enfim, é uma obra que nos inicia na literatura de viagem.
"Enquanto houver caminho para andar, nós vamos continuar" - cantava Jorge Palma.
Em Portugal é normal os jovens ficarem com os pais até bastante tarde.
Abraço
Há ali uma redundância... vou retirar o “muito” antes de minimamente.
ResponderEliminar: )
Esta leitura funcionou como se fosse a consulta... que eu ainda não tive. Já há alguns dias que não usava a minha pedaleira...
ResponderEliminarE já agora deixo-te uma ideia: pergunta ao teu jovem fisioterapeuta se já leu alguma coisa de Saramago.
Abraço agradecido
Então toca a pedalar! :))
EliminarA minha pedaleira ainda não chegou à minha nova morada!
Sabes que Saramago não é de fácil leitura para iniciados.
Foi com prazer que vi a minha sobrinha-neta mais velha a ler "Ensaio sobre a Lucidez"!
Abraço
Que bom saber isso, as vezes e o melhor da zona de conforto, a gente se prende a tanta coisa boa as vezes.
ResponderEliminarBeijocas e feliz quarta-feira.
A emigração de agora nada tem a ver com a de há muitos anos e séculos atrás.
ResponderEliminarÉ verdade que o país deve oferecer melhores condições aos jovens para poderem viver com dignidade, mas por outro lado os jovens deveriam ser "obrigados" a exercer a sua actividade durante X tempo, para compensarem o Estado que somos todos nós do dinheiro que investimos na sua formação. As propinas que os pais pagam, não cobrem toda essa formação e é aí que entram os nossos impostos.
Abraço
É mesmo isso, Beatriz.
ResponderEliminarAgradeço a visita e o comentário.
Abraço
Troca de conhecimentos. :)
ResponderEliminarGostei.
Abraço
Olinda
Aqui não há conflito de gerações! 😀
EliminarAbraço
Compreendo o que dizes, mas, por outro lado há que considerar a liberdade individual. Dependendo dos cursos que tiram, muitos estudantes, mesmo pagando bastante pelas propinas, acabam por contrair dívidas pessoais, o que quer dizer que a sua formação académica não é totalmente subsidiada pelo Estado.
ResponderEliminarHá sempre prós e contras em qualquer situação.