domingo, maio 03, 2026

Poesia ao domingo

 Para Sempre


Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite, 

é tempo sem hora, 

luz que não apaga

quando sopra o vento

e a chuva desaba, veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe na sua graça, 

é eternidade.

Por que Deus se lembra

 - mistério profundo -

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo, 

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará para sempre

junto do seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.


Carlos Drummond de Andrade, in " Lição das Coisas"

3 comentários:

  1. Já publiquei este belo poema de Drummond num dia da Mãe e chorei tanto, mas tanto que nem calculas.

    E mais não posso nem consigo dizer...
    Beijinho.

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    1. Eu chorei logo de manhã antes de me levantar e olha que tenho as lágrimas bloqueadas há muito.

      Abraço

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  2. Os versos publicados de Carlos Drummond de Andrade, que refletem com emoção sobre a perda materna e a imortalidade do amor de mãe, descrito como uma força constante e atemporal.
    Abraço forte e carinhoso 🐉 da dragona.

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