domingo, agosto 31, 2025

Poesia ao domingo

 Serenata


Dize-me tu, montanha dura,

onde nenhum rebanho pasce,

de que lado na terra escura

brilha o nácar da sua face.


Dize-me tu, palmeira fina, 

onde nenhum pássaro canta, 

em que caverna submarina

seu silêncio em corais descansa.


Dize-me tu, ó céu deserto,

dize-me tu se é muito tarde,

se a vida é longe e a dor é perto

e tudo é feito de acabar-se.



Cecília Meireles, in Antologia Poética


sábado, agosto 30, 2025

Olhares



À procura de uma legenda!

 

sexta-feira, agosto 29, 2025

Música à sexta

A 29 de agosto de 1966, The Beatles deram o seu último concerto.



quarta-feira, agosto 27, 2025

Enigma


 

Os enigmas já não têm graça porque o Lens responde a tudo, daí que seja apenas uma brincadeira.

Onde é que almocei ontem com os meus rapazes?


segunda-feira, agosto 25, 2025

Leituras

 



Voltei a este livro que nos fala da revolta dos vidreiros na Marinha Grande, mas não só.

Cada capítulo é iniciado com uma citação.

Escolhi esta.


Porque a gente que viu pouco do mundo, como viu pouco, também costuma dar pouco crédito ao muito que os outros viram.


Fernão Mendes Pinto

domingo, agosto 24, 2025

Poesia ao domingo

E por Vezes


E por vezes as noites duram meses

E por vezes as noites oceanos

E por vezes os braços que apertamos

Nunca mais são os mesmos  E por vezes


 encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos

E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes  lembramos que por vezes


ao tomarmos o gosto dos oceanos

só o sarro das noites não dos meses

lá no fundo dos copos encontramos


E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes ah por vezes

num segundo se evolam tantos anos


David Mourão-Ferreira, in "Matura Idade"



sexta-feira, agosto 22, 2025

quinta-feira, agosto 21, 2025

Olhares

 Servem-nos à mesa e são imigrantes, os tais que segundo versões da extrema-direita e de muitos que acreditam nas fake news , vieram para Portugal para terem casas de graça, bons subsídios, prioridade para os filhos nas creches e escolas e no SNS e os que trabalham vieram tirar o emprego aos portugueses.

São do Chile, do Nepal, do Paquistão, do Brasil, da Alemanha, dos PALOP e trabalham arduamente no atendimento de turistas de todas as nacionalidades.

Aqueles que não falam português já conseguem entender-nos e são todos de uma enorme simpatia.

Com os seus descontos para a Segurança Social estão a contribuir para as reformas de milhares de portugueses.

Contudo precisam de habitação condigna, ordenados de acordo com as tabelas salariais praticadas e de mais compreensão e humanismo da parte de um povo de emigrantes.

terça-feira, agosto 19, 2025

Olhares



Eu sei que os tempos não estão fáceis, mas não resisti a este bom conselho encontrado numa esplanada!
 

domingo, agosto 17, 2025

Poesia ao domingo

 Liberdade


Aqui nesta praia onde

Não há vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando interruptamente

Puro espaço e lúcida unidade, 

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner Andersen