quarta-feira, abril 22, 2026

No último andar

 No último andar é mais bonito

do último andar se vê o mar.

É lá que eu quero morar.


O último andar é muito longe:

custa-se muito a chegar.

Mas é lá que eu quero morar.


Todo o céu fica a noite inteira

sobre o último andar.

É lá que eu quero morar.


Quando faz lua no terraço

fica tudo ao luar.

É lá que eu quero morar.


Os passarinhos lá se escondem

para ninguém os maltratar:

no último andar.


De lá se avista o mundo inteiro:

tudo parece perto, no ar.

É lá que eu quero morar:

no último andar.


Cecília Meireles

15 comentários:

  1. Quando for poeta, quero escrever poemas assim...
    (mas estou quase a ser)

    Abraço esperançoso

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  2. Ou o primeiro andar a contar vindo do Céu! :)
    Lindo poema!

    Grande abraço

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    1. É isso mesmo, Janita!
      E como eu gosto de os ouvir!

      Abraço

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  3. Cecília Meireles tinha esse dom de transformar o desejo de isolamento e paz em algo quase mágico — longe da confusão, perto do céu e dos passarinhos, onde tudo ganha uma perspectiva mais leve.

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    1. Os poetas são mágicos, porque conseguem transformar em poesia as situações mais banais!

      Abraço

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  4. Depende de que último andar se trata. Mais alto que um terceiro andar já teria problemas de alturas que me impediriam de ser contemplativa. : )

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    1. Agora moro num 5º andar que também é o último.
      A minha fobia às alturas manifesta-se muito mais alto.

      Abraço

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    2. Uma amiga minha vivia numa penthouse, que, como sabes, é um apartamento de luxo no último piso de um edifício. Este ficava no 45º ou 46º andar. Nem me aproximava das janelas para ver a maravilhosa paisagem que dava para o lago e a linha do horizonte de Toronto.
      Uma amiga de uma amiga vive, por acaso, no mesmo local da cidade, mas num andar um pouquinho mais baixo, no 18º. Também me incomoda um “pouco”, embora já me tivesse aventurado a ver o lago do terraço.
      E outra amiga, também “virada” p’ró lago, mais a oeste da cidade, vive no segundo andar num edifício de quatro andares. Com ou sem elevador é fácil (ainda) subir e descer de um segundo andar. Aqui, sim, poderia viver sem receio das alturas. : ))

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    3. Tens amigas muito bem posicionadas, wuerida Catarina! 😀

      Abraço

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  5. Ao contrário de Cecília Meireles, prefiro andares baixos. Talvez por causa daquilo a que se chamam ataques de pânico.
    Um abraço, Léo.

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  6. Não tenho ataques de pânico, mas tenho receio de ser apanhada na rua com o elevador avariado.
    Já decidi sair sempre com a chave do carro e a da vivenda, que está perfeitamente habitável, apesar do inconveniente das escadas.

    Abraço

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  7. O Diogo vive em Amsterdão no 16º andar, eu que adoro alturas, expressei a minha vontade de viver também perto do céu e dos passarinhos. Então, me perguntaram o que eu fazia, se o elevador avariasse. Provavelmente ainda conseguia chegar lá cima.
    Abraço da aldeia do Düssel risonha ☀️ e linda.

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  8. Querida Teresa!
    Eu chegaria ao 5º muito cansada, porque ainda me desloco com uma canadiana, mas aprendi a subir e a descer escadas assim.
    Em todo o caso prefiro que isso não aconteça!

    Abraço

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