Ainda a famigerada luta pela igualdade de género!
quarta-feira, fevereiro 13, 2019
terça-feira, fevereiro 05, 2019
As Palavras
Hoje no Público...
Escrito na Pedra
" As palavras não significam nada se não forem recebidas como um eco da vontade de quem as ouve."
Agustina Bessa-Luís (1922), escritora
E eu acrescento que o mesmo se passa em relação a quem as lê!
Escrito na Pedra
" As palavras não significam nada se não forem recebidas como um eco da vontade de quem as ouve."
Agustina Bessa-Luís (1922), escritora
E eu acrescento que o mesmo se passa em relação a quem as lê!
quarta-feira, janeiro 30, 2019
A carta
Ontem recebi uma carta, uma carta a sério, envelope branco, selo com os pastéis de Belém, endereço e remetente escrito a tinta azul, com uma bela caligrafia feminina.
De dentro retirei uma folha de papel com uma simpática e afectuosa missiva e ainda três fotos.
Em duas delas, a preto e branco, o elemento central era um jovem alferes no cais de Alcântara, pronto a embarcar, no verso dessas fotos estava registada a data - 25 de Abril de 1965. Só nove anos depois é que os familiares dos nossos jovens deixaram de ficar em lágrimas no cais da partida!
A outra foto, já a cores, registava uma festa de família alargada quando ainda éramos todos!
Fiquei feliz com esta carta por isso respondi com prontidão.
Agarrei no telemóvel e mandei um SMS!
sábado, janeiro 26, 2019
Eliete
Ando há uns tempos, desde que terminei a sua leitura no início deste mês, para falar deste livro mas a minha capacidade de decisão sobre o que escrever tem-me levado a adiar.
Hoje, quando comecei a leitura de "A Revista do Expresso" dou de caras com uma longa entrevista à sua autora sobre o mesmo.
Em todo o caso aqui fica uma breve sinopse.
"Eliete" é acima de tudo uma narrativa no feminino, ela é a narradora, está na casa dos 42 anos, filha única de sua mãe, neta única da avó paterna, casada, mãe de duas filhas e amiga de sempre de Madilena ( não me lembro bem do nome e já emprestei o livro), uma advogada de sucesso.
Tem uma existência mediana, cinzenta, sem sonhos, limitada mas procura a todo o custo mostrar que é outra a sua vida, levando a própria amiga a invejar essa vida aparentemente feliz.
A doença da avó, que adora, e aquele célebre golo de Éder que sagrou Portugal campeão europeu de futebol contra a França e que galvanizou o país e os seus mais próximos, levam Eliete, alheada a essa euforia, a abrir um caminho que lhe era de todo alheio - acedeu ao Tinder e daí para a frente a sua vida fingida ainda ficou mais ficcionada.
Parece que vamos ter uma continuação desta narrativa que termina em suspenso.
Sublinhei esta frase que achei muito interessante e que decorre dos bons momentos que passa com a sua grande amiga.
"Na verdade, o riso era das poucas coisas do nosso corpo que o tempo de uma vida não era suficiente para estragar."
segunda-feira, janeiro 21, 2019
sexta-feira, janeiro 18, 2019
Clausura II
Não volto a brincar com coisas sérias pois a história da quase clausura transformou-se em clausura total, desconfio por "castigo divino"!
Uma violenta constipação, quase gripe, sem febre, pôs-me de baixa da minha actividade de moça de recados, apenas interrompida por um serviço de taxista para uma consulta de rotina.
E cá estou eu com tosse, seguida de intervalos a pingar do nariz, depois mais tosse, mais farfalheira...e tudo o resto.
Tive de me valer da "senhora cá de casa", que não vive em clausura e que tem podido assistir a estes quase inválidos!
E do convento só sabe quem lá está dentro!
quarta-feira, janeiro 09, 2019
A carteira do meu pai
Contava o meu pai que, miúdo de dez, onze anos, andou durante largos meses a juntar todos os tostões que ia recebendo para comprar uma carteira.
A Feira da Santa Ana, em Julho, o grande evento da aldeia, seria como sopa no mel para o seu objectivo se concretizar.
Finalmente chegou a data tão ansiada e, logo de manhã, dirigiu-se ao largo onde os feirantes tinham montado as suas barracas que mostravam no seu colorido e diversidade todo o tipo de ofertas que atraiam centenas de forasteiros deslumbrados com tanta escolha. Uma feira de aldeia há 100 anos era como um centro comercial actualmente.
Depois de ter dado várias voltas pelas barracas para comparar preços e qualidade, acabou por se decidir por aquela que mais lhe agradou.
Voltou feliz para casa com a sua aquisição que mostrou, orgulhoso, aos pais e irmãos.
Só ao fim do dia é que caiu em sim quando constatou que tinha carteira mas não tinha dinheiro.
E terminava a história com uma enorme gargalhada!
Recebi este Natal uma bela carteira, daquelas que têm espaços para tudo, cartões, documentos, notas, moedas, calendários, fotos, etc..
Enquanto enchia a minha nova carteira, lembrei-me da carteira vazia do meu pai e sorri ao ouvir a sua gargalhada!
quinta-feira, janeiro 03, 2019
Clausura
Vivo numa terra santa onde existem vários conventos, só na minha rua há três, sendo um de clausura.
Nos conventos de clausura, todos de religiosas, há sempre uma funcionária, um funcionário ou mesmo uma irmã que se encarregam de estabelecer as relações com o exterior.
As excepções prendem-se com idas ao hospital e para votar, num caso e no outro...infelizmente!
Costumo dizer a brincar, mas com um pouco de verdade, que a minha casa é o quarto convento da rua e o segundo de clausura.
Eu sou a moça dos recados, o elo de ligação com o mundo exterior.
Por aqui podem deduzir a minha dificuldade em arranjar temas interessantes para abordar neste blogue.
Bom ano!
Etiquetas:
a minha casa,
A minha rua,
pseudo-humor
quinta-feira, dezembro 13, 2018
La Jeunesse des Morts
Há dias li uma crónica sobre o centenário do Armistício e nela se expunha a ideia de que, para os beligerantes muito utopicamente, esta seria a última das guerras.
Para não falar dos tempos difíceis da actualidade que grassam pela Europa e pelo Mundo e que estão presentes nos jornais, na TV, nos blogues, no FB, nas conversas de café, deixo-vos com um poema de Anna Noailles, intelectual da nobreza francesa, de origem romena, nascida em Paris em 1876 e que morreu nesta cidade em 1933, poema esse musicado de uma forma muito tocante e que lembra os jovens que morreram nessa trágica guerra de 1914/18, entre os quais milhares de portugueses.
Espero que apreciem esta adaptação musical.
terça-feira, dezembro 04, 2018
A casa do lado
Tem cortinas, tem móveis, tem quadros, tem tapetes, tem sofás mas não tem vida a casa do lado.
Partiu há uns meses o seu último morador, muito tempo depois da sua companheira.
Durante mais de 45 anos conversámos debruçados sobre o muro, trocámos figos por ameixas, pêssegos por nozes, entre outras coisas e pelo muro treparam durante a infância cinco crianças, duas de cá, três de lá numa contínua partilha de brincadeiras, lanches, idas e vindas do colégio, passeios e mais tarde férias, um de cá, outro de lá.
O jardim teima em mostrar-se como era, a laranjeira está coberta de frutos luminosos, o quintalinho está revestido de um verdejante manto.
Só o festão que ornamenta o portãozinho do jardim esbraceja as suas guias de rosas de Santa Teresinha, num protesto solitário de quem não tem onde se agarrar.
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