quinta-feira, setembro 12, 2019

A bicicleta



Acossado pelas grandes superfícies, o comércio local procura sobreviver colocando motivos apelativos em montras ou à porta.
Desta forma há sempre alguém que pára, entra e compra, foi o que me aconteceu!

segunda-feira, setembro 09, 2019

A morte dos velhos olivais


(Foto da Net)



Já os vi no Alentejo mas vejo-os com mais frequência, embora em superfícies menos extensas, quando vou ou venho de Lisboa, na A1, entre Santarém e Torres Novas.
Chamo a isto olivais espalmados que estão a dar cabo dos solos através desta cultura intensiva.
Um dia o que é que estes solos darão depois de esgotados? Nada!
Além deste efeito dramático ainda acrescento a morte da poesia das velhas, desgrenhadas e frondosas oliveiras!

sexta-feira, setembro 06, 2019

Notícias do meu quintalório




Setembro é tempo de uvas, figos, marmelos e até de algumas maçãs.
No meu quintalório vai resistindo uma parreira que, sem cuidados este ano, se apresenta assim: uvas secas, outras a caminhar para lá.
Os figos, os marmelos e as maçãs estão abandonados nos quintais herdados pelo meu jardineiro.
Sem ele, tenho-me esquecido de passar por lá...
Voltando ao quintalório, o que realmente sobressai é o cheiro a hortelã que perfuma o ar, quando rego os canteiritos ao fim da tarde!

terça-feira, setembro 03, 2019

Buganvília



Dei por falta dos meus vizinhos há uns meses, perguntei no mini-mercado se sabiam deles e disseram-me que tinham ido para um lar.
Ficámos de os visitar mas fomos adiando e eu continuo a adiar.
Apesar disso lembro-me deles vezes sem conta pois passo à sua porta diariamente e o meu olhar dirige-se sempre para o fundo do quintal onde a buganvília ainda não deu pela sua ausência.
Nem sabe que é uma explosão de beleza e de alegria nas minhas idas e vindas pelo bairro!

sábado, agosto 31, 2019

Regresso



Depois de dois meses com os netos em casa e mais dez dias de praia com eles e o pai, é tempo de voltar a um quotidiano mais monótono, menos colorido, menos criativo, mais silencioso.
Eles lá foram à sua vida e eu vou continuar a esforçar-me para melhorar a minha, estando sozinha!

sexta-feira, agosto 16, 2019

Ora abóbora!


Nunca tinha visto lado a lado a flor da aboboreira e uma abóbora.
Os meus netos adoraram, eu pasmei!

segunda-feira, agosto 12, 2019

Mar


Homenagem a Miguel Torga, nascido a 12 de Agosto de 1907

Mar

Mar!
E é um aberto poema que ressoa
No búzio do areal...
Ah, quem pudesse ouvi-lo sem mais versos!
Assim puro, 
Assim azul, 
Assim salgado...
Milagre horizontal
Universal,
Numa palavra só realizado.

Miguel Torga
Miramar, 7 de Agosto de 1968

quinta-feira, agosto 08, 2019

Beiral



Com beira mas sem eira!

sábado, agosto 03, 2019

Ida às pinhas



Ir às pinhas foi sempre uma das actividades de férias desenvolvidas com os rapazes.
Este ano a tradição cumpriu-se de novo mas, pela primeira vez, o avô não esteve presente.
Observadores e sensíveis chamaram-me a atenção para as pinhas que o avô recomendava que apanhassem, sempre que aparecia uma fechada lá iam dizendo que não prestava.
Desta vez cansaram-se depressa talvez pela ausência do avô e eu não insisti...voltámos para casa com meio saco!

segunda-feira, julho 29, 2019

Amizade



Conhecemo-nos aqui em Junho de 2013 mas já tínhamos inaugurado a palavra amigo ( como diz Alexandre O´ Neill no seu belo poema sobre a Amizade ) muito antes, através da blogosfera.
Vais fazer-me muita falta, não só pelo teu espaço cheio de animação e de saberes mas também pelo apoio que me foste dando ao longo dos últimos anos.
Até sempre, Amigo Rui!

segunda-feira, julho 22, 2019

Videira



Da casa do lado não sai qualquer som há bastante tempo.
A videira cansada de crescer sem orientação, foi-se derramando por onde passavam os carros para o alpendre.
Lá ao fundo uma  trepadeira teima em florir mesmo sem ser regada!

sexta-feira, julho 19, 2019

Meu moinho abandonado



Vestígios de ruralidade, às portas da cidade!
Quando vejo um moinho abandonado, lembro-me sempre do belíssimo poema de António Gedeão...

sábado, julho 13, 2019

A Gardénia



Esteve anos, muitos, sem florir!
Sabíamos o nome porque ainda tinha cravada na terra a etiqueta que a acompanhava aquando da compra. Tinha uma folhagem verde, brilhante mas não passava disso.
No ano passado ficámos pasmados quando começaram a surgir uns botõezinhos que abriram em flores brancas com um doce perfume.
Este ano voltou a florir mas o seu verde está menos brilhante.
Será que precisa de ser mudada?

quarta-feira, julho 10, 2019

Legos



E estas mãos sabem sempre onde encontrar a tal peça minúscula que falta numa construção!

sexta-feira, julho 05, 2019

Caminho


Só aparentemente caminho sozinha, porque agora estou a viver pelos dois!

sexta-feira, junho 28, 2019

Trave mestra



Também há traves mestras na vertical!

domingo, junho 23, 2019

Férias grandes



Hoje, os meus rapazes chegam de Lisboa com o pai, para passarem as férias grandes comigo.
Espero que seja um tempo de alegria e de aprendizagem para eles e para mim.
Também eu passava cerca de um mês em casa dos meus avós maternos onde encontrava seis primos e primas que viviam numa liberdade completa durante as férias escolares.
A estrada não era alcatroada, carros contavam-se pelos dedos e ninguém se preocupava por andarmos à solta o dia inteiro, com marcação de horas para as refeições, como é óbvio.
Saltávamos paredes, andávamos de bicicleta, escondíamo-nos nas tulhas vazias do lagar de azeite do meu avô e ouvíamos histórias contadas pelo tio Gabriel, sempre disposto a distrair-nos.
Apesar da liberdade dos meus netos estar condicionada, espero que recordem com saudade as férias em casa dos avós paternos como eu ainda recordo as minhas no meio de uma paisagem serrana, muito perto do local onde lhes tirei esta fotografia no Verão de 2015!

terça-feira, junho 18, 2019

Creme Benamôr



Aqui há dias, o embrulhinho quadrado, em papel prateado e com um laço de ráfia, oferecido por uma amiga, fez com que bem lá do fundo da minha memória saltasse uma lembrança de infância logo que o abri.
Era um sabonete da Benamôr que me trouxe, além da saudade, o cheiro inconfundível do Creme Benamôr que a minha mãe usava.
Afirmei que o creme vinha numa caixa de lata, o plástico ainda estava pouco divulgado, mas a minha amiga , por ser muito jovem, não fazia a mínima ideia da sua configuração.
Cheguei a casa, liguei o computador e fui à Net procurar a tal caixa de creme.
Só que a minha memória visual me tinha enganado, afinal o creme vinha em bisnaga!
Mas a minha memória olfactiva não me enganou e trouxe-me o doce e suave cheiro da minha mãe.

( As fotos são da Net)

quarta-feira, junho 05, 2019

Olhares



Viagens na minha terra

Olhares de Almeida Garrett

Da varanda do quarto onde dormiu em Santarém!

sábado, junho 01, 2019

A Caridade

Quando optei por este título, vieram-me logo à ideia as redacções que fazia na Primária com este tema.
As suas âncoras tinham que passar, obrigatoriamente, pela Rainha Santa Isabel e o Milagre das Rosas, perante um marido mais dado a outras actividades, digo eu agora, e ainda pelos pobrezinhos que nos batiam à porta e a quem devíamos dar sempre esmola.
Esta semana fui jantar com duas amigas e o tema da conversa foi, precisamente, a caridade.
A partir de exemplos conhecidos, lá fomos tecendo considerações sobre o assunto.
Desde a prática da caridade com a divulgação da mesma, à dedicação ao próximo por pura bondade, concluímos que, pelo menos por aquilo que conhecemos, estas atitudes têm a ver com uma espécie de contrato: eu dou bens alimentares, roupa dinheiro aos mais desfavorecidos e fico bem vista pela sociedade, por Deus e tenho o Céu garantido ou eu sou generosa com o próximo sem alardes mas, intimamente, pretendo sentir-me bem comigo, por várias razões.
Não chegámos aos "mecenas" que ganham no IRS com a sua dedicação a vários tipos de instituições.
Finda a discussão acabei por concluir, perante estes conceitos, que sou pouco ou nada caridosa!

segunda-feira, maio 20, 2019

Tempo

Na casa reina o silêncio quebrado pelo tic-tac dos muitos relógios espalhados por todas as divisões e todos desacertados, vive-se aqui um estranho tempo de desconserto.
Às vezes os gatos miam e eu agradeço-lhes a companhia!

quinta-feira, maio 09, 2019

Natal em Maio

Seis amigas andaram meses a adiar o almoço de Natal por razões simples, complicadas e graves, mesmo gravíssimas.
Ontem, finalmente, foi possível juntar Lisboa, Pombal, Fátima e Leiria, em Leiria.
E o Natal aconteceu porque houve um almoço excelente, um ambiente de boa disposição apesar das queixas de seis seniores, seguidas de gargalhadas, troca de prendas...só eu não levei nada e muito para contar em pouco tempo, daí termos que falar todas para o monte.
Ontem não houve silêncio, ontem foi Natal para seis amigas!

terça-feira, maio 07, 2019

Desabafo



Descobri que hoje se assinalava este dia.
Afinal ando a assinalá-lo há muitos dias!

quarta-feira, maio 01, 2019

Maio, maduro maio



Desejo a todos um bom 1º de Maio!

terça-feira, abril 30, 2019

Papoilas



E não é por eu andar enrolada no tempo como numa manta de retalhos que as papoilas deixaram de crescer "como grito vermelho num campo qualquer."

quinta-feira, abril 25, 2019

Sempre



Hoje não o trago ao peito mas trago-o no coração!

segunda-feira, abril 22, 2019

Começar de novo

Caros Amigos

Pelo FB foi fácil alguns deduzirem que a normalização que eu desejava no dia 5 não tinha acontecido.
Infelizmente o meu companheiro de 50 anos de casamento, feitos em Dezembro, partiu no dia 6.
E como sinto um certo pudor e alguma dificuldade em avançar com mais informações fico-me por aqui porque também não é preciso mais.
Agradeço a todas e todos as palavras afectuosas e solidárias que me enviaram.
E agora vou começar a visitar-vos!

sexta-feira, abril 05, 2019

Desabafo

Por aqui não se estão a viver dias alegres nem fáceis, daí a minha ausência.
Espero que tudo possa normalizar.
Tudo de bom para vós, caros amigos!

quinta-feira, março 21, 2019

Mar

No Dia da Poesia escolhi um poema de Sophia de Mello, no ano do centenário do seu nascimento.



Mar

I

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

(Poesia I, 1944)

quarta-feira, março 20, 2019

Travessia



Nem sempre o caminho está assim tão iluminado e a deixar-nos ver o destino da travessia!

domingo, março 17, 2019

Janela Discreta


Como por magia
Surgiu a janela
Na parede vazia
Mas não se vê nada
Através dela!

quarta-feira, março 13, 2019

Janela Indiscreta



Gosto de janelas e de olhar através delas!

sexta-feira, março 08, 2019

Reflexões

Escrito na Pedra

O segredo do demagogo é de se fazer passar por tão estúpido quanto a sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele.

Karl Kraus (1874 - 1936), escritor

In Público de 7/3/2019

segunda-feira, março 04, 2019

Acorda, Maria Bonita





Maria Bonita foi a primeira mulher a pertencer a um grupo de cangaceiros, acompanhando para sempre o  seu Lampião!
Esta música, apesar da triste história deste casal, está na lista das marchinhas de Carnaval!
Divirtam-se!

sexta-feira, março 01, 2019

Margem sul



Ontem, a propósito do 50º aniversário do abalo sísmico que pôs Portugal a tremer, literalmente de norte a sul, fiz uma referência ao facto no Facebook.
Nessa altura vivia em Almada, dava aulas em Setúbal, morava num 4º andar de um edifício novo que ainda estava "desamparado" do lado direito, precisamente o meu.
Acordei alvoroçada com o abanão, levantei-me, atravessei o hall e fui até à cozinha de onde avistava o Cristo-Rei, bem a tempo de o ver oscilar.
Voltei para o quarto e deitei-me perante as calmas palavras do meu parceiro.
"Não conhecemos ninguém aqui, metermo-nos no elevador é disparate e descermos as escadas igualmente."
Quando tudo acalmou, viemos à varanda e a vizinhança andava praticamente em trajes menores no meio da rua.
Claro que não disse isto tudo no FB!
Hoje tinha um comentário de uma sobrinha, por via conjugal, que vive na margem sul a dizer que desconhecia o  facto de ter vivido em Almada e se eu não tinha saudades da margem sul.
Penso muitas vezes nesse tempo em que via o Tejo todos os dias  e também penso como seria a minha vida se aí tivesse continuado.
Só que ninguém sabe como seria se tivesse sido de outra maneira!

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

A Gata de Craonne



Ontem, ao ler o Público deparei-me com uma crónica com este título e esta imagem, é óbvio que teria de a ler.
Fiquei então a saber que Craonne, pequena aldeia francesa do departamento de Aisne, " se converteu  na aldeia-símbolo dos motins de Maio de 1917, da revolta contra a guerra, dos fuzilados, em grande medida devido à Canção de Craonne, que, entre outras coisas subversivas, contém aquele verso, sacrílego no momento em que soam os canhões, em que se diz que  "os soldados vão todos entrar em greve".
Arrasada durante a guerra, os seus 600 habitantes colocaram-se em fuga e só 35 voltaram depois da assinatura do Armistício, contra a vontade das autoridades que não queriam o seu renascimento.
Contudo, a aldeia acabou por ser reconstruída não no seu local de origem mas um pouco mais abaixo onde era a terra de ninguém.
A gata apareceu do nada ao cronista e à família que visitavam esse local de ruínas, segundo ele "Para assinalar a força da vida num lugar tão marcado pela morte."
Lamento não ter conseguido introduzir "La Chanson de Craonne", mas aconselho a sua audição!

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Miradouro de Santa Catarina



Há muito tempo que não vou lá mas parece que o Miradouro de Santa Catarina já não é o que era.
Cercaram o Adamastor!

terça-feira, fevereiro 19, 2019

O céu de Paris

O facto de ter família espalhada por vários países levou-me a aderir ao Facebook e ao WhatsApp, sendo uma utilizadora frequente, assim estou sempre a par de todas as novidades!
Ontem recebi uma chamada de Paris, via WhatsApp e lá passámos, eu e a minha belle-soeur mais velha, uma boa meia hora em amena cavaqueira, frente a frente.
A propósito do dia cinzento e frio que se fazia sentir aqui, ela virou o telemóvel para a varanda e eu pude ver em directo o céu de Paris de um azul celeste belíssimo.
Falou-me também do coração gigante e rotativo ( le coeur de Paris ) de Joana Vasconcelos feito de azulejos que foi inaugurado na Porte de Clignancourt, no Dia dos Namorados e do enorme sucesso das suas Valquírias que já estarão em Serralves.
Não sou especial admiradora desta artista mas aqui vos deixo o tal coração com o tal belíssimo céu azul.
De Paris gosto muito!



quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Igualdade de género


Ainda a famigerada luta pela igualdade de género!

terça-feira, fevereiro 05, 2019

As Palavras

Hoje no Público...

Escrito na Pedra

" As palavras não significam nada se não forem recebidas como um eco da vontade de quem as ouve."

Agustina Bessa-Luís (1922), escritora

E eu acrescento que o mesmo se passa em relação a quem as lê!

quarta-feira, janeiro 30, 2019

A carta

Ontem recebi uma carta, uma carta a sério, envelope branco, selo com os pastéis de Belém, endereço e remetente escrito a tinta azul, com uma bela caligrafia feminina.
De dentro retirei uma folha de papel com uma simpática e afectuosa missiva e ainda três fotos. 
Em duas delas, a preto e branco, o elemento central era um jovem alferes no cais de Alcântara, pronto a embarcar, no verso dessas fotos estava registada a data - 25 de Abril de 1965. Só nove anos depois é que os familiares dos nossos jovens deixaram de ficar em lágrimas no cais da partida!
A outra foto, já a cores, registava uma festa de família alargada quando ainda éramos todos!
Fiquei feliz com esta carta por isso respondi com prontidão.
Agarrei no telemóvel e mandei um SMS!

sábado, janeiro 26, 2019

Eliete



Ando há uns tempos, desde que terminei a sua leitura no início deste mês, para falar deste livro mas a minha capacidade de decisão sobre o que escrever tem-me levado a adiar.
Hoje, quando comecei a leitura de "A Revista do Expresso" dou de caras com uma longa entrevista à sua autora sobre o mesmo.
Em todo o caso aqui fica uma breve sinopse.
"Eliete" é acima de tudo uma narrativa no feminino, ela é a narradora, está na casa dos 42 anos, filha única de sua mãe, neta única da avó paterna, casada, mãe de duas filhas e amiga de sempre de Madilena ( não me lembro bem do nome e já emprestei o livro), uma advogada de sucesso.
Tem uma existência mediana, cinzenta, sem sonhos, limitada mas procura a todo o custo mostrar que é outra a sua vida, levando a própria amiga a invejar essa vida aparentemente feliz.
A doença da avó, que adora, e aquele célebre golo de Éder que sagrou Portugal campeão europeu de  futebol contra a França e que galvanizou o país e os seus mais próximos, levam Eliete, alheada a essa euforia, a abrir um caminho que lhe era de todo alheio - acedeu ao Tinder e daí para a frente a sua vida fingida ainda ficou mais ficcionada. 
Parece que vamos ter uma continuação desta narrativa que termina em suspenso.
Sublinhei esta frase que achei muito interessante e que  decorre dos bons momentos que passa com a sua grande amiga.

"Na verdade, o riso era das poucas coisas do nosso corpo que o tempo de uma vida não era suficiente para estragar."

segunda-feira, janeiro 21, 2019

A Nave


A nave dos monjes
A nave dos loucos
A nave dos outros
Ou simplesmente a nave? 

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Clausura II



Não volto a brincar com coisas sérias pois a história da quase clausura transformou-se em clausura total, desconfio por "castigo divino"!
Uma violenta constipação, quase gripe, sem febre, pôs-me de baixa da minha actividade de moça de recados, apenas interrompida por um serviço de taxista para uma consulta de rotina.
E cá estou eu com tosse, seguida de intervalos a pingar do nariz, depois mais tosse, mais farfalheira...e tudo o resto.
Tive de me valer da "senhora cá de casa", que não vive em clausura e que tem podido assistir a estes quase inválidos!
E do convento só sabe quem lá está dentro!

quarta-feira, janeiro 09, 2019

A carteira do meu pai

Contava o meu pai que, miúdo de dez, onze anos, andou durante largos meses a juntar todos os tostões que ia recebendo para comprar uma carteira.
A Feira da Santa Ana, em Julho, o grande evento da aldeia, seria como sopa no mel para  o seu objectivo se concretizar.
 Finalmente chegou a data tão ansiada e, logo de manhã, dirigiu-se ao largo onde os feirantes tinham montado as suas barracas que mostravam no seu colorido e diversidade todo o tipo de ofertas que atraiam centenas de forasteiros deslumbrados com tanta escolha. Uma feira de aldeia há 100 anos era como um centro comercial actualmente.
Depois de ter dado várias voltas pelas barracas para comparar preços e qualidade, acabou por se decidir por aquela que mais lhe agradou.
Voltou feliz para casa com a sua aquisição que mostrou, orgulhoso, aos pais e irmãos.
Só ao fim do dia é que caiu em sim quando constatou que tinha carteira mas não tinha dinheiro.
E terminava a história com uma enorme gargalhada!
Recebi este Natal uma bela carteira, daquelas que têm espaços para tudo, cartões, documentos, notas, moedas, calendários, fotos, etc..
Enquanto enchia a minha nova carteira, lembrei-me da carteira vazia do meu pai e sorri ao ouvir a sua gargalhada!

quinta-feira, janeiro 03, 2019

Clausura

Vivo numa terra santa onde existem vários conventos, só na minha rua há três, sendo um de clausura.
Nos conventos de clausura, todos de religiosas, há sempre uma funcionária, um funcionário ou mesmo uma irmã que se encarregam de estabelecer as relações com o exterior.
As excepções prendem-se com idas ao hospital e para votar, num caso e no outro...infelizmente!
Costumo dizer a brincar, mas com um pouco de verdade, que a minha casa é o quarto convento da rua e o segundo de clausura.
Eu sou a moça dos recados, o elo de ligação com o mundo exterior.
Por aqui podem deduzir a minha dificuldade em arranjar temas interessantes para abordar neste blogue.
Bom ano!