O tempo cinzento, triste, chuvoso, ventoso tem-me mantido confinada ao bairro como freira de clausura no seu convento.
Mas, ontem de manhã, tive mesmo que sair da minha zona de conforto e ir até à Colina de Santana da qual desconhecia o nome que agora aparece diariamente nos jornais devido ao projecto de encerramento dos quatro velhos hospitais que aí se encontram - S. José, Santa Marta, Capuchos e Miguel Bombarda que seriam encerrados e os seus serviços transferidos para o novo hospital de Todos os Santos, para se proceder a uma requalificação urbanística, processo que parece não estar a ser muito pacífico.
E aí vou eu de metro até ao Marquês.
Durante o percurso pude mais uma vez constatar que as estações são agradáveis, bonitas, mesmo, algumas e encontram-se limpas, as carruagens estão igualmente limpas embora com os vidros selvaticamente riscados.
Quanto aos passageiros já não poderei transmitir uma visão optimista. A maioria distinguia-se pelo ar macambúzio, jovens e menos jovens, uns de olhar perdido num vago ponto em frente do nariz, outros clicando no telemóvel, outros ainda dormitando, raros a ler jornais ou livros...
Um silêncio pouco vulgar àquela hora do dia, sem conversas, sem sorrisos, sem gestos, sem olhares.
Decididamente, este é o inverno do nosso descontentamento!
(imagem da net da estação do Campo Pequeno)


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