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segunda-feira, maio 07, 2012

Valerá a pena celebrar?


Por razões que não vale a pena explicitar estou envolvida num projecto intermunicipal que acaba por me "exigir" outras contribuições.
E foi assim que me vi a organizar um módulo para a Feira da Europa que se irá realizar na sede do meu concelho como o cartaz anuncia, no próximo dia 9.
O tal módulo tem como base "a política no feminino", primeiro título que lhe dei mas que, para estar mais adequado à abrangência da Feira, passou a ter o título de "Igualdade de Género e Cidadania".
Esta tem sido uma das teias onde me enredei mas que, felizmente, amanhã, após a impressão dos vários cartazes do módulo e da sua afixação - um grão de areia em todo o programa das "festas"- ficará para trás!
Mas valerá a pena celebrar uma União Europeia fragilizada, acossada por políticas neo-liberais, mercados e  e agências de rating que só nos têm trazido austeridade, empobrecimento, desemprego e até, por isso mesmo, o ressurgimento de ideologias neo-nazis como vemos na Grécia?
A vitória de François Hollande é um sinal de esperança, mas será suficientemente forte para enfrentar a Senhora Merkel e "Companhia" de forma a que a Europa erga de novo o rosto?
E relembro o primeiro poema da "Mensagem" de Fernando Pessoa:

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.


O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.


Fita, com olhar esfíngico e fatal, 
O Ocidente, futuro do passado.


O rosto com que fita é Portugal.