(imagem da net)
Tinha ao colo o gato velho
cansadamente passando
a sua branca mão pelo
pêlo dele preto e brando
Sentada ao pé da janela
olhando a rua ou sonhando-a
todo o passado passando
a passos lentos por ela
Dormiam ambos enquanto
a tarde se ia acabando
o gato dormindo por fora
a avó dormindo por dentro.
Manuel António Pina
Nota: Ontem quando ouvi a notícia da morte de Manuel António Pina nem queria acreditar!
Já tinha dada pela falta das suas belas crónicas no DN mas nem sabia que estava tão doente.
Deixa-nos demasiado cedo e ainda com muito para nos contar.
Escolhi este poema porque sei que ele adorava gatos, aliás nas suas fotos aparece inúmeras vezes
com eles ao colo ou por perto.
Como também gosto destes animais tão enigmáticos foi uma forma de lhe prestar a minha sentida
e sincera homenagem