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quarta-feira, outubro 29, 2014

Ainda "Os Maias"

Ainda "Os Mais" porque, na verdade, reler esta obra e continuar com outras de menor fôlego levam-me a estar só na página 456.
Já me ficou para trás, há dias, o episódio das corridas no hipódromo e não posso deixar de transcrever um pequeno extracto.

"D. Maria da Cunha erguera-se para lhes falar: e durante um momento ouviu-se, como um gluglu grosso de peru, a voz da baronesa (ministra da Baviera) achando que c´était charmant, c´était beau. O barão, aos pulinhos, aos risinhos trouvait ça ravissant. E o Alencar, diante daqueles estrangeiros que não o tinham saudado, apurava a sua atitude de grande homem nacional, retorcendo a ponta dos bigodes, alçando mais a fronte nua.
Quando eles seguiram para a tribuna, e a boa D. Maria se tornou a sentar, o poeta, indignado, declarou que abominava os alemães! O ar de sobranceria com que aquela ministra, com feitio de barrica, deixando sair o sebo por todas as costuras do vestido, o olhara, a ele! Ora, a insolente baleia!"

Embora o desamor de Alencar pelos alemães me pareça, neste contexto, mais uma questão de despeito não deixa de ser significativa esta passagem que veicula de forma implícita um sentimento mais generalizado mesmo da parte do narrador com o opinativo "como um gluglu grosso de peru..."
Talvez tenha que chegar à conclusão que este desamor pelos alemães vem de longe, muito antes da TROICA nos ter atingido tão profundamente!

Nota: Se a Teresa, a "nossa" amiga da Alemanha, passar por aqui espero que não me leve a mal.

quinta-feira, setembro 25, 2014

Os Maias







Antes da partida de Lisboa ainda consegui ver o filme que João Botelho realizou a partir da obra de Eça de Queiroz "Os Maias".
Reduzir a duas horas uma narrativa de tamanha envergadura foi tarefa árdua mas o resultado está excelente.
Pensava eu que as cenas do exterior, tendo como pano de fundo telas enormes pintadas pelo artista plástico João Queiroz, iriam empobrecer o filme mas afinal enganei-me porque esteticamente foi muito bem concebido.
Contudo não estou aqui para fazer uma crítica ao filme mas para vos dizer que me veio, a partir da visualização do mesmo, uma forte vontade de reler a obra e é o que ando a fazer...eu que até não sou dada a reler obras completas.
Às tantas, quando Carlos da Maia anda  entusiasmadíssimo na construção do laboratório fundamental para a sua actividade de médico, surge este saboroso diálogo:

"- O quê, sangue? - dizia Carlos, olhando a fresca, honrada e roliça face do demagogo.
- Não senhor, um navio, um simples navio...
- Um navio?
- Sim, senhor, um navio fretado à custa da nação, em que se mandasse pela barra fora o rei, a família real, a "cambada" dos ministros, dos políticos, dos deputados, dos intrigantes, etc, e etc.
Carlos sorria, às vezes argumentava com ele.
- Mas está o sr. Vicente bem certo, que apenas a "cambada", como tão exactamente diz, desaparecesse pela barra fora, ficavam resolvidas todas as coisas e tudo atolado em felicidade?
Não, o sr. Vicente não era tão "burro" que assim pensasse. Mas, suprimida a cambada, não via Sua Excelência? Ficava o país desatravancado, e podiam então começar a governar os homens de saber e de progresso...
- Sabe Vossa Excelência qual é o nosso mal? Não é má vontade dessa gente; é muita soma de ignorância. Não sabem. Não sabem nada. Eles não são maus, mas são umas cavalgaduras!"

Nota: as fotos tirei-as no Chiado onde estes cartazes publicitam o filme.