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terça-feira, setembro 23, 2014

Outono


Vinhas em Arles de Vincent van Gohg


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia 
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga

Nota: Tomei a liberdade de escolher o pintor...

sábado, setembro 06, 2014

Chuva


(imagem da net)


Chove uma grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.

Chove grossa e constante,
Uma paz que há-de ser
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer...

Miguel Torga

segunda-feira, agosto 12, 2013

É escusado...

Miguel Torga nasceu a 12 de Agosto de 1907!



quinta-feira, março 21, 2013

Pirotecnia

Março é um mês rico em efemérides mas, porque fui dar uma escapadela sem computador, lá me passaram ao lado o Dia do Pai, a chegada da Primavera e o Dia da Felicidade inventado este ano não sei bem porquê...
Para dar sinais de vida e para saber notícias vossas aqui fica um poema com o qual pretendo celebrar o Dia Mundial da Poesia.

Pirotecnia

Faço poemas de papel e tinta.
Sou fogueteiro destes artifícios.
Versos...
Girândolas de sonhos e de cilícios
Alinhadas no chão
Das laudas de brancura onde me iludo.
Quando a noite é demais,
E o sol de nenhum modo dá sinais,
Ardem dentro de mim, com lágrimas e tudo.

Miguel Torga

Nota: Uma saudação especial aos fogueteiros de versos que por vezes me visitam!

quarta-feira, outubro 17, 2012

Comunicado

Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.

Miguel Torga

Coimbra, 18 de Abril de 1961

Nota: Quem diria que voltávamos ao mesmo?

terça-feira, setembro 04, 2012

Porque é tempo de renovação...

Folhinha

Murchou a flor aberta ao sol do tempo.
Assim tinha de ser, neste renovo
Quotidiano,
Outro ano,
Outra flor,
Outro perfume.
O gume
Do cansaço
Vai ceifando,
E o braço 
Doutro sonho
Semeando.

É essa a eternidade:
A permanente rendição da vida.
Outro ano,
Outra flor,
Outro perfume.
E o lume
De não sei que ilusão a arder no cume
De não sei que expressão nunca atingida.

Miguel Torga


É assim que vejo a entrada de Setembro...

segunda-feira, setembro 26, 2011

Tempo de vindimas

(imagem da net)

Mais uma vez o lagar de uvas que foi do meu bisavô paterno, depois do meu avô, a seguir do meu pai e agora da minha irmã e meu vai estar a laborar para esta vindima.
Desde o tempo do meu pai que as uvas já não são da família mas fazemos questão de o continuar a emprestar a quem o peça, tal como ele fazia.
Em contrapartida o utilizador vai varejar-nos a nogueira que se encontra no quintal da Casa dos Penedos como é conhecida a casa que tem o único lagar que, na vila onde nasci, ainda  funciona todos os anos desde talvez meados do século XIX.

Vindima


Mosto, descantes e um rumor de passos
Na terra recalcada dos vinhedos.
Um fermentar de forças e cansaços
Em altas confidências e segredos.


Laivos de sangue nos poentes baços.
Doçura quente em corações azedos.
E, sobretudo, pés, olhos e braços
Alegres como peças de brinquedos.


Fim de parto ou de vida, ninguém sabe
A medida precisa que lhe cabe
No tempo, na alegria e na tristeza.


Rasgam-se os véus do sonho e da desgraça.
Ergue-se em cheio a taça
À própria confusão da natureza.


Miguel Torga