Numa tarde destas de chuva, como tinha que fazer horas para almoçar com uma amiga na cafetaria da Gulbenkian, tive a oportunidade de visitar uma exposição cujo artista, para vergonha minha, conhecia mal.
O título da mesma encontra-se na primeira foto bem como o nome próprio do pintor em questão.
Esta mostra centrava-se, uma vez que terminou a 7, sobretudo nas primeiras etapas do percurso artístico de Júlio dos Reis Pereira (1902-1983), destacando-se o trabalho surrealista e expressionista do pintor.
Exposição organizada em parceria entre o CAM - Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Cupertino de Miranda, em que ambas as instituições são depositárias de um forte núcleo de obras do artista nas suas colecções.
Usa predominantemente cores fortes sobre o fundo escuro e dá um grande relevo à imagem feminina.
Foi colaborador da revista Presença e era também poeta, usando o pseudónimo de Saúl Dias.
Como poeta, contudo, já o conhecia um pouco melhor.
Deixo-vos aqui um seu poema.
Um Poema
Um poema
é a reza dum rosário
imaginário.
Um esquema
dorido.
Um teorema
que se contradiz.
Uma súplica.
Uma esmola.
Dores, vividas umas, sonhadas outras...
(Inútil destrinçar.)
Um poema
é a pedra duma escola
com palavras a giz
para a gente apagar ou guardar...
Saúl Dias, in "Essência"
Fiquei também a saber que era irmão de José Régio...e fiquei ainda a saber que sei muito pouco!


