quarta-feira, agosto 12, 2020

Cinco meses

 Faz hoje cinco meses que fui para Lisboa por razões de logística familiar. O meu filho mudava de casa a treze de Março.

A dezasseis fecharam as escolas e, salvo um fim-de-semana, nunca mais estive afastada dos meus netos.

Devo pertencer a uma minoria de avós que a pandemia beneficiou com esta doce mas também turbulenta companhia que se prolongará até ao início das aulas.

É  uma incógnita este início, veremos como o Ministério o irá planear e como cada agrupamento o irá implementar.

Não será fácil para ninguém!

quarta-feira, agosto 05, 2020

Casas de vestir

 Há casas onde nos apetece entrar como se vestíssemos um pijama de flanela numa noite de inverno!

sábado, agosto 01, 2020

A Caverna

Não lia nada de José Saramago há muito, daí que tivesse decidido fazer

deste livro o 7º lido desde o início da pandemia e, como sempre, não me arrependi.
Ler o nosso Nobel é um excelente exercício para o ritmo da mente, sim a mente também tem ritmo.
Desta vez, o autor/narrador apresentou-nos um autêntico tratado de olaria desde o amassar do barro até à pintura final do artesanato concluído e ainda um outro tratado de psicologia das relações humanas dentro das famílias e da "psicologia" canina.
Teve ainda a arte de introduzir o nascimento de um amor tardio.
Tudo isto bem amassado deu como resultado um romance-metáfora que nos faz pensar no que vale a pena na vida ou não.

" Marta e Isaura escolheram o que acharam necessário para uma viagem que não tem destino conhecido e que não se sabe como nem onde terminará."

" A furgoneta fez a manobra e desceu a ladeira. Marta chorava com os olhos secos, Isaura abraçava-a, enquanto Achado se enroscava a um canto do assento sem saber a quem acudir."

E assim, sem destino, mas prontos a não se vergarem às contingências da vida e do mercado que encerrou a olaria e tirou as ilusões a um jovem casal que não quer viver numa gaiola dourada, partem Cipriano Algor, o oleiro sem olaria, o seu novo amor, Isaura Madruga, a sua filha Marta, o marido Marçal e ainda o cão Achado.

terça-feira, julho 28, 2020

Mini-piscina


Com o calor que tem estado, com as limitações de movimentação devido à pandemia e por estar sozinha com eles, não tem sido fácil afastar os netos dos vídeos e afins.
De manhã têm actividades escolares de pequena monta, de tarde levo-os de vez em quando até este antigo tanque de lavadeiras que, em boa hora, a junta de freguesia mandou limpar e encher de água tratada e renovada com assiduidade.
Numa cidade como esta onde não há piscina pública, jardim, parque resta-nos este recurso.
A maior parte das vezes estamos sozinhos, eu gosto, eles não!
Adoram socializar!

sexta-feira, julho 24, 2020

Muros de pedra seca



As minhas origens do lado materno encontram-se no Planalto de Santo António que faz parte do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.
Aí, tirando algumas leiras mais férteis, as terras são secas, de olivais, milho e trigo de sequeiro e de pastoreio, ovelhas, cabras e vacas sobretudo, que trouxeram alguma riqueza a quem tinha o seu pedaço de terra. 
Os terrenos são divididos por muros de pedra seca, solta que alguns dos mais experientes construtores de muros transformaram em obras de arte.
Foi assim que há dias, o concelho de Porto de Mós ganhou o 1º prémio com a candidatura "Muros que unem" no âmbito do concurso das 7 Maravilhas do Património Natural. (Não tenho bem a certeza do nome do concurso).
As terras dos meus avós maternos estavam divididas assim, mesmo o pátio de entrada e o enorme quintal das traseiras onde havia três eiras e uma pia bem funda, cavada na rocha, coberta por lajes onde se acumulava a água da chuva.
Estes muros fazem parte da minha infância, umas vezes saltava-os, outras passava pelas guaritas abertas para a entrada e saída dos animais mais pequenos.
Um reino feito de rendilhado de pedra!

segunda-feira, julho 20, 2020

Voar


O sonho de Ícaro!
Ou "pelo sonho é que vamos"!

sexta-feira, julho 17, 2020

Papoilas resistentes


Há sempre quem resista mesmo por detrás do gradeamento!

quarta-feira, julho 15, 2020

Aos poucos...


Aos poucos vou dando conta do recado na limpeza dos terrenos, só tenho que pedir ajuda quanto a extremas.
Há dias, perante as dúvidas ao fundo de uma das propriedades, disse ao senhor que me anda a fazer estes serviços, para avançar até aparecer alguém a dizer que ele estava a entrar em espaço alheio.
Ele riu-se e concordou comigo.
Só dão despesa mas mesmo assim há sempre gente com vontade de comprar uma boa briga por causa de um metro de terreno.

sexta-feira, julho 10, 2020

Dependência

Não sou dada a estas considerações mas os tempos que se estão a viver obrigam-me a isso.
Num país extremamente dependente do exterior, com os ovos todos postos no cesto do turismo e numa terra totalmente dependente do turismo religioso de grupos estrangeiros temos tudo parado.
Fizeram-se dezenas de hotéis, abriram-se dezenas de cafés e restaurantes e agora, tirando os muito bons que tinham como clientes gente endinheirada da terra e dos arredores, tudo está às moscas.
Sempre batalhei, nos meus tempos de autarca na oposição, pela procura de outras âncoras de desenvolvimento mas a galinha dos ovos de ouro estava mesmo ali à mão e além das pedreiras muito contestadas, das serrações de mármores e madeira também com a maioria dos clientes no exterior esta santa terrinha está em depressão profunda.
Quando, depois do desconfinamento, começaram a surgir os nacionais, apareceu um foco infeccioso, a partir do coro do santuário,que ainda não está controlado. E tudo recuou de novo.
Se o foco tivesse tido origem numa festa talvez até houvesse multas!

segunda-feira, julho 06, 2020

As casas

Com o passar do tempo, as casas são como as pessoas precisam de cuidados adicionais.
É uma torneira que pinga, uma fechadura que emperra, uma ficha que dá faísca, um vidro duplo que ganha humidade, a pintura interior e exterior que descasca, para não falar de situações mais graves como o telhado a dar problemas.
Connosco basta irmos ao médico de família e com umas análises e uns exames tudo volta à normalidade se não houver complicações de maior.
Mas com as casas não é assim tão simples - é o canalizador, o carpinteiro, o electricista,, o vidraceiro, o pintor.
E arranjá-los? Telefonemas, empenhos, conversas ao vivo e nem sempre somos bem sucedidos. Os biscates dão imenso dinheiro e os biscateiros têm sempre clientes.
Há casas de tal forma possessivas e hipocondríacas que não somos nós que as habitamos, são elas que nos habitam!