quarta-feira, janeiro 09, 2019

A carteira do meu pai

Contava o meu pai que, miúdo de dez, onze anos, andou durante largos meses a juntar todos os tostões que ia recebendo para comprar uma carteira.
A Feira da Santa Ana, em Julho, o grande evento da aldeia, seria como sopa no mel para  o seu objectivo se concretizar.
 Finalmente chegou a data tão ansiada e, logo de manhã, dirigiu-se ao largo onde os feirantes tinham montado as suas barracas que mostravam no seu colorido e diversidade todo o tipo de ofertas que atraiam centenas de forasteiros deslumbrados com tanta escolha. Uma feira de aldeia há 100 anos era como um centro comercial actualmente.
Depois de ter dado várias voltas pelas barracas para comparar preços e qualidade, acabou por se decidir por aquela que mais lhe agradou.
Voltou feliz para casa com a sua aquisição que mostrou, orgulhoso, aos pais e irmãos.
Só ao fim do dia é que caiu em sim quando constatou que tinha carteira mas não tinha dinheiro.
E terminava a história com uma enorme gargalhada!
Recebi este Natal uma bela carteira, daquelas que têm espaços para tudo, cartões, documentos, notas, moedas, calendários, fotos, etc..
Enquanto enchia a minha nova carteira, lembrei-me da carteira vazia do meu pai e sorri ao ouvir a sua gargalhada!

quinta-feira, janeiro 03, 2019

Clausura

Vivo numa terra santa onde existem vários conventos, só na minha rua há três, sendo um de clausura.
Nos conventos de clausura, todos de religiosas, há sempre uma funcionária, um funcionário ou mesmo uma irmã que se encarregam de estabelecer as relações com o exterior.
As excepções prendem-se com idas ao hospital e para votar, num caso e no outro...infelizmente!
Costumo dizer a brincar, mas com um pouco de verdade, que a minha casa é o quarto convento da rua e o segundo de clausura.
Eu sou a moça dos recados, o elo de ligação com o mundo exterior.
Por aqui podem deduzir a minha dificuldade em arranjar temas interessantes para abordar neste blogue.
Bom ano!

quinta-feira, dezembro 13, 2018

La Jeunesse des Morts



Há dias li uma crónica sobre o centenário do Armistício e nela se expunha a ideia de que, para os  beligerantes muito utopicamente, esta seria a última das guerras.
Para não falar dos tempos difíceis da actualidade que grassam pela Europa e pelo Mundo e que estão presentes nos jornais, na TV, nos blogues, no FB, nas conversas de café, deixo-vos com um poema de Anna Noailles, intelectual da nobreza francesa, de origem romena, nascida em Paris em 1876 e que morreu nesta cidade em 1933, poema esse  musicado de uma forma muito tocante e que lembra os jovens que morreram nessa trágica guerra de 1914/18, entre os quais milhares de portugueses.
Espero que apreciem esta adaptação musical.

terça-feira, dezembro 04, 2018

A casa do lado

Tem cortinas, tem móveis, tem quadros, tem tapetes, tem sofás mas não tem vida a casa do lado.
Partiu há uns meses o seu último morador, muito tempo depois da sua companheira.
Durante mais de 45 anos conversámos debruçados sobre o muro, trocámos figos por ameixas, pêssegos por nozes, entre outras coisas e pelo muro treparam durante a infância cinco crianças, duas de cá, três de lá numa contínua partilha de brincadeiras, lanches, idas e vindas do colégio, passeios e mais tarde férias, um de cá, outro de lá.
O jardim teima em mostrar-se como era, a laranjeira está coberta de frutos luminosos, o quintalinho está revestido de um verdejante manto.
Só o festão que ornamenta o portãozinho do jardim esbraceja as suas guias de rosas de Santa Teresinha, num protesto solitário de quem não tem onde se agarrar.  

terça-feira, novembro 27, 2018

Notícias

Não tem sido fácil o arranque da Rosa dos Ventos!
Por razões que me ultrapassaram, o computador teve de ir à "clínica" para sofrer uma intervenção, quer dizer uma nova formatação. No regresso deparei-me com um estranho, quanto mais teclava menos percebia e mais confusa ficava. Conseguia comentar alguns blogues dos amigos resistentes mas não conseguia entrar no meu.
Dito isto, o assunto ficou resolvido à partida, com a preciosa ajuda do meu filho, só me falta verificar se as fotos entram e é isso que vou experimentar.
Escolhi esta porque é muito expressiva, pelo menos para mim!

quinta-feira, novembro 08, 2018

Rosácea

Há uns tempos surgiram-me umas manchas avermelhadas no queixo e decidi ir a uma consulta de dermatologia.
Depois de referir o meu problema, a médica observou atentamente a zona afectada e declarou:
- É rosácea!
Prescreveu uns comprimidos, um creme de dia e um para a noite.
Saí do consultório com o ego da altura do Castelo de Leiria!
Eu era um monumento nacional em movimento - tinha uma rosácea!


segunda-feira, novembro 05, 2018

Le Premier/Dernier Bonheur du Jour

Eram entradas de Carlos Barbosa de Oliveira no seu blog e várias vezes as usei no Facebook, fazendo sempre referência ao seu autor como meu amigo virtual.
Foi com espanto e tristeza que soube da sua morte uma vez que me desliguei da blogosfera, estando assim desconhecedora da doença que tão corajosamente enfrentou pelo que li na sua última postagem de uma lucidez arrepiante.
Fui procurar na minha despedida em Janeiro de 2015 as suas palavras e elas lá estavam cheias de esperança:
" Espero que seja apenas um até breve e a Rosa volte a florir na Primavera.
   Beijinho"
Não voltei na Primavera mas voltei com uma rosa florida.
Até sempre, caro Amigo!

terça-feira, outubro 16, 2018

Talvez...

Depois de 3 anos e quase 9 meses de silêncio, senti necessidade de vos dirigir um "Olá!".
Quem ainda andará por aqui, quem como eu desertou, quem como eu desertou e começou  a pensar que talvez seja possível voltar?
Veremos!
Deixo-vos uma rosa como oferta...


segunda-feira, janeiro 19, 2015

I say goodbye

Depois de 8 anos e picos a navegar na blogosfera, achei por bem terminar a minha viagem e encostar a jangada em porto de abrigo!
Não tenho a veleidade de pensar que haja muita gente a interrogar-se com o meu silêncio, mas, em todo o caso, aqueles que por aqui passaram e deixaram a sua marca através de comentários, sempre simpáticos, merecem uma palavra de despedida e é essa que vos deixo.
I say goodbye!

terça-feira, dezembro 30, 2014

Cem/sem

Para chegar à postagem 100 e sem outro assunto desejo a todos e todas um espectacular ano de 2015!
Que os vossos desejos mais prementes se realizem!