Todos nós temos critérios que nos guiam na compra de livros e ou na sua leitura.
Sugestões de amigos, prémios e conhecimento dos autores, críticas literárias, "obrigações" decorrentes da frequência de Clubes de Leitura, títulos e ou capas sugestivas, género literário, etc.
Penso que já segui todos estes critérios.
Os dois últimos livros que li não foram escolhidos pelas mesmas razões.
"Fugas" de Alice Munro foi escolhido pelo facto de a autora ter recebido o Prémio Nobel, por ser um livro de contos e porque achei o título interessante.
Gostei bastante destas oito histórias de mulheres de todas as idades e de origens diferentes, da sua interacção com amigos, amantes, pais, filhos, maridos e das escolhas que ocorrem num ambiente que reconhecemos como real.
Deixo-vos uma pequena transcrição.
"Está tão feliz. Antes nunca ficava feliz ou infeliz com as coisas que podia fazer, era uma coisa que dava por garantida. Agora tem os olhos a brilhar como se os tivesse lavado de sujidade, e a voz soa como se tivesse refrescado a garganta com água doce."
A compra de "A Irmã" de Sándor Márai apenas se prendeu com o conhecimento que tinha do autor por já ter lido do mesmo "As Velas Ardem até ao Fim" e " A Herança de Eszter" no âmbito do Clube de Leitura que frequentava e dos quais gostei bastante. Penso que cheguei a falar aqui deste último.
Mas aconteceu-me algo de inusitado.
Consegui ultrapassar mais de metade do livro sem me entusiasmar com a sua leitura, teimei e, às tantas, começou a prender-me a atenção mas, precisamente, pelo facto de explicar/falar da doença do protagonista a partir de uma perspectiva com a qual nunca concordei mas que me alertou para a possibilidade de o meu juízo de valor sobre o tema poder não estar certo...
Depois, a caminhar para o fim, a narrativa voltou, segundo o meu ponto de vista, a ser pouco interessante, terminando de uma forma estranha.
Devo acrescentar que é uma narrativa dentro de outra.
Penso não voltar a insistir na leitura de obras de Sándor Márai, considerado um grande escritor húngaro que se suicidou em 1989, em S. Diego, na Califórnia, USA onde se exilou em 1948.
Deixo também uma pequena transcrição:
"No fundo da vida há uma espécie de preguiça, derivada do nihilismo que causa a doença. Eu só posso tratar o doente."



