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segunda-feira, fevereiro 03, 2014

"Nesta rasa pobreza"


(pintura de Maluda)


Nesta rasa pobreza que ficou
De jardins floridos, de searas
Como espelhos do sol ao meio-dia,
Quem esperaria que nascessem nardos
E que as romãs abertas mostrariam
Corações lapidados e auroras?
Mas todo o tempo é tempo começado,
E a terra adivinhada, transparente,
Cobre a fonte serena e misteriosa
que torna a sede ardente.

José Saramago, in Provavelmente Alegria

Nota: Embora tenha referido que a imagem era da net agora explicito melhor a sua origem...
          Quando muito podem elogiar a escolha...:)

terça-feira, junho 18, 2013

José Saramago

José Saramago partiu a 18 de Junho de 2010.
Deixo-vos com um pequeno texto retirado de "Cadernos de Lanzarote":

"Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que "les portugais sont toujours gais"), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter que procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente "apagada e vil", é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe."

Texto premonitório escrito no dia 15 de Abril de 1994!

segunda-feira, abril 29, 2013

Quando os dedos de areia...




Quando os dedos de areia se esboroam,
A dureza da pedra é só memória
Do gesto inacabado.
Azul de céu e verde de alga funda,
Vejo a praia do mundo, fresca e rasa,
E o rosto desenhado.

José Saramago

quarta-feira, novembro 16, 2011

"Venham enfim"

No 89º aniversário do nascimento de José Saramago deixo-vos um poema seu!



Venham enfim as altas alegrias,
As ardentes auroras, as noites calmas,
Venha a paz desejada, as harmonias,
E o resgate do fruto, e a flor das almas.
Que venham, meu amor, porque estes dias
São de morte cansada, 
De raiva e agonias
E nada.


José Saramago, in "Provavelmente Alegria"