No aniversário do nascimento de Sophia de Mello...
Há cidades acesas na distância,
Magnéticas e fundas como luas,
Descampados em flor e negras ruas
Cheias de exaltação e ressonância.
Há cidades acesas cujo lume
Destrói a insegurança dos meus passos,
E o anjo do real abre os seus braços
Em nardos que me matam de perfume.
E eu tenho de partir para saber
Quem sou, para saber qual é o nome
Do profundo existir que me consome
Neste país de névoa e de não ser.
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quinta-feira, novembro 06, 2014
sexta-feira, julho 25, 2014
No Tempo Dividido
E agora ó Deuses que vos direi de mim?
Tardes inertes morrem no jardim.
Esqueci-me de vós e sem memória
Caminho nos caminhos onde o tempo
Como um monstro a si próprio se devora.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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terça-feira, julho 01, 2014
Sophia de Mello
Amanhã, os restos mortais de Sophia de Mello serão trasladados para o Panteão Nacional onde repousarão junto de outros ilustres portugueses que da lei da morte se foram libertando.
Contudo a sua filha Maria diz que "Era mais importante estar nas escolas do que no Panteão' - Artes - DN" e tem toda a razão.
Quando eu leccionava o 12º ano de Português da área de Humanidades, a sua poesia fazia parte do programa e alunos e alunas aderiam com gosto à sua expressão concisa e brilhante.
Lembro aqui um dos seus poemas que muito me diz:
Ausência
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello
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domingo, dezembro 29, 2013
Em contagem decrescente...
No Tempo Dividido
E agora ó Deuses que vos direi de mim?
Tardes inertes morrem no jardim.
Esqueci-me de vós e sem memória
Caminho nos caminhos onde o tempo
como um monstro a si próprio se devora.
Sophia de Mello Breyner Andresen
In No Tempo Dividido
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terça-feira, julho 02, 2013
Quando eu morrer...
Quando eu morrer voltarei a buscar
Os instantes que não vivi junto do mar
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
Sophia de Mello Breyner
Nota: Partiu a 2 de Julho de 2004 e deixou-nos um legado extraordinário, não só na literatura mas também numa cidadania activa e construtiva.
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quinta-feira, abril 25, 2013
Abril
Vinhas descendo ao longo das estradas,
Mais leve do que a dança
Como seguindo o sonho que balança
Através das ramagens inspiradas.
E o jardim tremeu,
Pálido de esperança.
Sophia de Mello Breyner Andresen
E o grito vermelho aconteceu numa manhã clara e bela!
Foi há 39 anos!
Não o podemos esquecer!
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