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segunda-feira, setembro 26, 2011

Tempo de vindimas

(imagem da net)

Mais uma vez o lagar de uvas que foi do meu bisavô paterno, depois do meu avô, a seguir do meu pai e agora da minha irmã e meu vai estar a laborar para esta vindima.
Desde o tempo do meu pai que as uvas já não são da família mas fazemos questão de o continuar a emprestar a quem o peça, tal como ele fazia.
Em contrapartida o utilizador vai varejar-nos a nogueira que se encontra no quintal da Casa dos Penedos como é conhecida a casa que tem o único lagar que, na vila onde nasci, ainda  funciona todos os anos desde talvez meados do século XIX.

Vindima


Mosto, descantes e um rumor de passos
Na terra recalcada dos vinhedos.
Um fermentar de forças e cansaços
Em altas confidências e segredos.


Laivos de sangue nos poentes baços.
Doçura quente em corações azedos.
E, sobretudo, pés, olhos e braços
Alegres como peças de brinquedos.


Fim de parto ou de vida, ninguém sabe
A medida precisa que lhe cabe
No tempo, na alegria e na tristeza.


Rasgam-se os véus do sonho e da desgraça.
Ergue-se em cheio a taça
À própria confusão da natureza.


Miguel Torga