Enfezada, minúscula, sem graça foi assim que ela entrou cá em casa ao colo do meu filho mais velho.
Tinha-a trazido, com a devida autorização, do quintal da costureira que lhe fez a toga de que tanto se orgulhava.
Quando vi a bichinha perguntei-lhe se não havia lá alguma mais bonitinha e ele respondeu-me que tinha escolhido a que tinha o ar mais infeliz porque certamente precisava de um lar como o nosso.
E assim foi! Transformou-se numa linda gatinha tigrada com olhos doces cor de mel e foi nossa companheira durante vinte anos.
Nos últimos tempos andava doente e os tratamentos não estavam a resultar...
A Nocas teve que partir e fiquei ao seu lado, fazendo-lhe festas, até ao fim que foi rápido e indolor.
E chorei como se chora quando se perde uma grande amiga!
