domingo, junho 07, 2026

Poesia ao domingo

 

Quem me espera não me espera

Quem me ama já esqueceu

Quem me toca dilacera

Esta estranha primavera

Que o mês de Maio me deu


Eu já não sei o que tenho

Se febre, se mal ruim

Se este sentimento estranho

De não ser de onde venho

Comigo longe de mim


E assim fico sentado

Com as algas a boiar

De queixo na mão pousado

Ó meu barquinho parado

Sem porto para ancorar


António Lobo Antunes

 " VODKA e VALIUM 10"


P.S. A Teresa, que está de férias no Porto, lembrou-me a feição poética de ALA, daí este poema.

sábado, junho 06, 2026

Dia D


 


Faz hoje 82 anos que se deu o desembarque das tropas aliadas, nas praias da Normandia que estavam divididas em 5 setores: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword.

O desembarque em Omaha foi o mais sangrento, com milhares de mortos de um lado e do outro.

Estive lá, nessa zona costeira com alunos da minha escola e onde ainda se viam alguns obstáculos no mar e em terra restavam algumas casamatas  de onde os soldados alemães atingiram milhares de aliados.

Também visitámos um museu que reconstituía o desembarque.

Neste dia iniciou-se o princípio do fim do nazismo e o fim da Segunda Guerra Mundial.

Julgávamos nós que, na Europa, não tornaríamos a assistir à barbárie de uma guerra, mas ela aí está e sem fim à vista.

sexta-feira, junho 05, 2026

quinta-feira, junho 04, 2026

Leituras

Há dias no Facebook, a propósito das crónicas de Lobo Antunes, uma amiga, fã das mesmas, escreveu que o autor dizia uma coisa interessante..."Quem lia as crónicas eram os que não sabiam nadar, ao contrário dos que liam os livros dele."
Eu acrescentei também me deliciar com as suas crónicas, mas que já tinha iniciado as aulas de natação com a leitura de " Até Que as Pedras se Tornem mais Leves Que a Água", um livro muito difícil, violento que nos transporta para os traumas da guerra colonial num alferes. Levei muito tempo a terminá-lo.
Agora lancei-me ao segundo, este que está na foto e com o qual me estou a divertir bastante. É o relato do desmoronamento de uma família da alta burguesia, ligada ao Estado Novo, após o 25 de Abril, com uma quinta em Palmela completamente arruinada, com fugas para Espanha, com uma linguagem que retrata os tiques linguísticos dos bem nascidos em Cascais.




 

terça-feira, junho 02, 2026

Publicidade


 

Há muito que não tínhamos um anúncio tão original como este.

Aliás os nossos publicitários não andam nada criativos.

Este anúncio faz-me lembrar o "Tou xim".

segunda-feira, junho 01, 2026

Olhares


  A papoila resiliente!

domingo, maio 31, 2026

Poesia ao domingo

 Dez Reis de Esperança



Se não fosse esta certeza

que nem sei de onde me vem,

não comia, não bebia,

nem falava com ninguém.

Acocorava-me a um canto,

no mais escuro que houvesse,

punha os joelhos à boca

e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes

do ingénuo adolescente,

a chuva das penas brancas

a cair impertinente,

aquele incógnito rosto,

pintado em tons de aguarela,

que sonha no frio encosto

da vidraça da janela,

 não fosse a imensa piedade

dos homens que não cresceram,

que ouviram, viram, ouviram,

viram e não perceberam,

essas máscaras selectas,

antologia do espanto, 

flores sem caule, flutuando

no pranto do desencanto,

se não fosse a fome e a sede

dessa humanidade exangue,

roía as unhas e os dedos

até os fazer em sangue.


António Gedeão, in Poesias Completas (1956-1967)

sexta-feira, maio 29, 2026

Música à sexta

E deu-me a nostalgia da música deste filme, do tempo em que os filmes franceses me encantavam



 

quinta-feira, maio 28, 2026

SNS

 Sempre tive acesso ao meu Centro de Saúde sem qualquer problema.

A última consulta que tive foi em março para renovação da carta de condução, de resto solicito por mail ao médico de família os medicamentos ou alguns exames solicitados por outros médicos e até ontem tudo correu bem.

Ontem, perante o agravamento da tosse, telefonei para agendar uma consulta de urgência, a instrução que recebi de uma voz anónima foi de premir a tecla 1. Assim fiz, de novo uma voz anónima manda-me ligar para a Saúde 24 e seguir as instruções.

E o que é que eu fiz? Liguei para uma clínica privada, marquei, sem problemas, consulta para um médico conhecido que até tem acordo com a ADSE e assim resolvi o assunto.

Penso que é mesmo uma estratégia para "desampararmos a loja"!

Claro que isto nada tem a ver com o facto de não aceitarem no Hospital de Faro uma grávida em trabalho de parto, por não ter telefonado primeiro para a Saúde 24. E assim foi obrigada a deslocar-se 70kms até Portimão, onde felizmente o parto ocorreu sem problemas, mas podia ter corrido mal.

Estão deliberadamente a "matar" o SNS!

terça-feira, maio 26, 2026

Desabafos





 


Ainda não senti a diferença!

Então de noite nem se fala.

Além destes rebuçados ditos "milagrosos",  tenho usado mel, limão e Vick!

Já não sei o que fazer mais!

domingo, maio 24, 2026

Poesia ao domingo

 Imagem


Este é o poema duma macieira.

Quem quiser lê-lo,

Quem quiser vê-lo,

Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.


Floriu assim pela primeira vez.

Deu-lhe um sol de noivado,

E toda a virgindade se desfez

Neste lirismo fecundado.


São dois braços abertos de brancura;

Mas em redor

Não há coisa mais pura,

Nem promessa maior.



Miguel Torga, in Antologia Poética

sexta-feira, maio 22, 2026

Música à sexta

Com um belo poema de Manuel Alegre, Adriano canta o mês das giestas.
Uma canção que se pode incluir no grupo das canções de intervenção política.



 

quarta-feira, maio 20, 2026

Multidões e emoções

 O almoço já tinha terminado, mas ficámos quatro ou cinco à volta de uma mesa.

A conversa recaiu naturalmente nas cerimónias dos dias 12 e 13 de maio.

Uma das amigas assistiu ao terço e à procissão das velas na noite de 12 e esteve na missa com o Adeus à Virgem no dia 13.

Falou da emoção que sentiu nos dois momentos, no arrepio que sentia com o cântico do Adeus à Virgem e com a imensa multidão, 250.000 mil à noite, um mar de luz e um pouco menos no dia 13.

Eu disse que todos os ajuntamentos de multidões são emocionantes, falei da emoção que sentia ao ouvir o Hino Nacional, quando um ou uma atleta se sagrava campeão/ã, ou noutras situações, ao ponto de chegar a deitar umas lágrimas, eu que as tenho congeladas há muito.

Todas concordaram com essa emoção, mas algumas estavam mais inclinadas para os cânticos religiosos.

Às tantas, declaro que me emociono com a Internacional Socialista, com o Avante, Camarada e o Acordai de Fernando Lopes Graça que algumas desconheciam.

Ia caindo o Carmo e a Trindade!

O que vale é que tinha pelo menos uma do meu lado.

E convosco, o que vos emociona do ponto de vista musical, associado a multidões?

terça-feira, maio 19, 2026

Prémios Nobel

 Com a simpática participação de dez leitores, incluindo um anónimo, chegámos ao fim do desafio!

Agradeço a vossa participação.

O prémio da melhor dica vai para o Pedro Coimbra que não perde uma oportunidade de referir Trump! :))

Para os que tiveram dificuldade em identificar alguns dos títulos, aqui vai a ordem dos livros de autores galardoados com o Prémio Nobel da Literatura, era essa a afinidade entre eles. Alguns estão repetidos.

De cima para baixo:


Annie Ernaux - 2022

Gabriel Garcia Marquez - 1982

Patrik Modiano - 2014

Gabriel Garcia Marquez

Camilo José Cela - 1989

Thomas Mann - 1929

Albert Camus - 1957

José Saramago - 1998

Yasunari Kawabata - 1968

Gao Xingjian - 2000

Patrik Modiano

Annie Ernaux

Le Clézio - 2008

Alice Munro - 2013

Hermann Hesse - 1946

Abdulrazak Gurnah - 2021

Mario Vargas Llosa - 2010

J.M. Coetzee - 2003

Olga Tokarczuk - 2018

Vargas Llosa


Este desafio decorreu do facto de me ter inscrito no Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de  Ourém que, em boa hora, decidiu desenvolver esta atividade.

O primeiro encontro será a 28 de maio e o tema é Prémios Nobel, daí ter ido até à outra casa procurar o que havia à mão.

Tenho outros, mas estão no 1º andar e não estive para me cansar.

Pesquisei todos os galardoados desde 1901 até 2025 e, além de ter encontrado anos sem o prémio ter sido entregue e anos em que houve dois galardoados, não sei como, tenho que pesquisar, fiquei a saber que Sir Winston Churchill também recebeu este prémio em 1953 e verifiquei, para grande admiração, que o Brasil, com uma literatura riquíssima, nunca foi contemplado.

O tema dá pano para mangas, veremos que autores irão surgir.

Eu tenho muito presentes o Nobel de 2025, O Tango de Satanás, do húngaro Lászlo Krasznahorkai, As Vinhas da Ira de John Steinbeck, americano, de 1962 e Levantado do Chão do nosso José Saramago, de 1998.

segunda-feira, maio 18, 2026

Desafio

Há quanto tempo não temos um desafio?



 

Uma pergunta com resposta fácil!

O que é que estes livros têm em comum?

Não deem  logo a resposta de chapa! :))

domingo, maio 17, 2026

Poesia ao domingo

 Os Remos


Que rumor de remos

De que negra barca


Ouve-se tão perto

sem se ver a água


Vem Caronte ao leme

Ou tudo uma farsa


que ninguém encena

que ninguém aplaude


Em torno parece

adensar-se o nada


O que mais inquieta

já não tem palavras


Mas ainda resta

saber de que margem


ouvimos os remos

não vemos a água


David Mourão-Ferreira, in "Quatro Tempos"

sexta-feira, maio 15, 2026

Música à sexta



Para todos os países e ou regiões onde impera a guerra , a ditadura, as perseguições, a morte.

quinta-feira, maio 14, 2026

Quinta Feira da Ascensão/Dia da Espiga





Hoje é Quinta Feira da Ascensão, feriado em bastantes municípios do país, por se tratar de uma festa religiosa muito importante no calendário dos católicos. Ainda agora a tradição  de colher o ramo da espiga se mantém, sobretudo nesses municípios em festa. 
Quando era criança lembro-me desse ritual, de se colocar o Ramo da Espiga atrás da porta para a nossa casa ser abençoada e de aí permanecer até ao ano seguinte.
O significado de cada elemento encontra-se na imagem.


 A imagem foi retirada da Net

terça-feira, maio 12, 2026

Apagamentos

 Tinha um texto muito bem preparado sobre o turismo religioso e o que significa na terra onde vivo, penso que todos sabem que resido em Fátima, sou fatimense por adoção e sem qualquer ligação à economia local.

Só que, numa tentativa de adicionar novos blogues, tanto cliquei que apaguei todos os que tinha, agora para os recuperar vai ser o cabo dos trabalhos e fiquei sem vontade de introduzir o tal texto e aborrecida com a minha inépcia!

Nem Nossa Senhora me vai valer, porque está demasiado ocupada com as preces dos peregrinos.

Quanto maior é a crise mais se reza!

segunda-feira, maio 11, 2026

Leituras


 


Rómulo Castelo, um pianista e professor de piano virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte.

Tem em casa um estúdio à prova de sons exteriores e, por detrás da porta blindada, refugia-se todas as manhãs, distanciando-se de um casamento problemático e de um filho que jamais corresponderá aos seus ideais de excelência enquanto ensaia, à exaustão, aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique.

Só que um terrível acidente, em que ficou com a mão direita decepada, vem interromper esta carreira brilhante. 

Daí para a frente será uma luta constante na procura de retomar o estatuto que tinha como professor na universidade, criando conflitos com alunos, colegas e a própria direção e aguentando "a dor fantasma", que é a dor presente na mão ausente, terminando só,  destruído e endividado, por ter acreditado que uma mão "robótica" iria substituir a mão perdida.


Gostei bastante da obra e, embora tenha encontrado na sua escrita marcas muito presentes, como é  óbvio, do português do Brasil, mostra que em Português nos entendemos.

Este romance foi "Prémio Literário José Saramago 2022".

domingo, maio 10, 2026

Poesia ao Domingo

 Amor como em casa


Regresso devagar ao teu 

sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que

não é nada comigo. Distraído percorro 

o caminho familiar da saudade,

pequeninas coisas me prendem,

uma tarde num café, um livro. Devagar

te amo e às vezes depressa,

meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,

regresso devagar a tua casa,

compro um livro, entro no 

amor como em casa.


Manuel António Pina ( 1943 - 2012 )


sexta-feira, maio 08, 2026

Música à sexta




O Cante Alentejano nunca é instrumental, mas estes rapazes conseguiram aproximar-se do Cante, de forma original.
Veremos como se vão sair!






 






quinta-feira, maio 07, 2026

A importância das janelas nas aprendizagens

 Vou vender, como ouvi na Antena 3, logo de manhã.

Uma universidade chinesa, não captei qual, publicou um estudo onde se demonstra que os alunos, colocados perto de uma janela com uma bela paisagem, têm melhores resultados do que aqueles que ficam no meio das salas.

Pasmei, porque como professora sempre achei que as janelas eram fatores de distração.

Será uma chinesice que só funciona na China ou funcionará em qualquer sala de aula?


quarta-feira, maio 06, 2026

As Vozes da Rádio

 Tenho vários rádios a pilhas que não funcionam, as pilhas estragaram-se por falta de uso  e o rádio/despertador da mesa de cabeceira nunca funcionou bem a não ser como despertador, coisa que eu detestava.

Nunca precisei de despertador para acordar, a não ser a desoras, tipo 4/5 da manhã, já o meu companheiro usava e abusava de despertadores, mesmo no plural, um não chegava.

Ouvia música no carro e como andava muito, não lhe sentia a falta em casa.

Com o meu novo estilo de vida, pedi, pelos anos, ao meu filho um rádio portátil e ele ofereceu-me um multiusos. Tem um ótimo som, tem uma lanterna, tem uma bússola, tem um botão de alarme, se eu me perder na floresta (palavras do rapaz), tem um dispositivo para carregar o telemóvel, caso a luz falhe, tem bateria que dá para mais de um mês e carrega-se como um telemóvel.

Ligo-o logo que acordo, faz-me companhia durante horas e passei a conhecer as últimas novidades da música portuguesa que é a que passa nos emissores que capto.

Enfim, é o ideal para situações de emergência, tipo "apagão" ou outra "Kristin".

segunda-feira, maio 04, 2026

Vizinhos

 Há dias ouvi martelar no corredor, como ainda não conhecia nenhum vizinho do andar, conheço apenas algumas Irmãs da Comunidade Religiosa que ocupa todo o 3º piso, abri a porta e dei-me com um jovem às voltas com a fechadura da porta.

Cumprimentei-o e apresentei-me, um pouco embaraçado também se apresentou, como não acrescentava mais nada perguntei-lhe se vivia sozinho.

Afinal vivia com a mulher e filhos, não sei quantos.

Disse-lhe que vivia sozinha e que, se lhe tocasse à campainha, ficava a saber que precisava de ajuda.

Sorriu, mas não respondeu que estivesse à vontade.

Esta vivência de se ignorar quem vive ao nosso lado ou em frente, não me agrada de todo.

domingo, maio 03, 2026

Poesia ao domingo

 Para Sempre


Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite, 

é tempo sem hora, 

luz que não apaga

quando sopra o vento

e a chuva desaba, veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe na sua graça, 

é eternidade.

Por que Deus se lembra

 - mistério profundo -

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo, 

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará para sempre

junto do seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.


Carlos Drummond de Andrade, in " Lição das Coisas"

quarta-feira, abril 29, 2026

Cataratas


 Não é bem uma catarata, é mais uma cascata, mas a minha aselhice não me levou mais longe.

Acontece que há muita gente viajada por aqui e que conhece muitas cataratas, eu tenho-me ficado pelas cascatas do continente e das ilhas.

Só que não é dessas que eu quero falar, vou falar da bela catarata, segundo a oftalmologista, presente no meu olho direito.

Irei ser intervencionada amanhã em Coimbra e, segundo amigos que já passaram por esta experiência, ficarei afastada de ecrãs durante pelo menos uma semana, também não poderei ler.

Enfim, resta-me ouvir música.

Assim ficam a saber o porquê da minha ausência

terça-feira, abril 28, 2026

Amizades virtuais

 A blogosfera trouxe-me amizades virtuais que se foram consolidando ao logo dos anos.

Algumas, poucas dessas amizades, mantêm-se firmes nas visitas que me fazem, com palavras de ânimo, de solidariedade e de companheirismo.

Conto sempre com elas.

Embora a lista de blogues que tenho para visitar seja longa, acontece que muitos foram morrendo na praia e outros partiram mesmo para outra dimensão. Assim restam-me poucos a comentar.

Apesar disso tenho por hábito comentar quem me comenta, desde que consiga aceder ao seu espaço.

É uma espécie de troca de visita.

Não os tenho acrescentado à minha lista porque me esqueci como se faz, mas um dia destes hei de tentar.

Às vezes interrogo-me sobre o facto de haver blogues que comento, mas que não se aproximam nunca do meu espaço e concluo que sou demasiado banal para os seus administradores.

A amizade virtual é muito interessante, porque acabamos por conhecer melhor alguns desses amigos do que gente que vive ao nosso lado e nada têm em comum connosco.

segunda-feira, abril 27, 2026

Faltou-me cantar

Gosto muito de música, de cantar e tenho saudades do tempo em que era contralto no Chorus Auris.

Para mim o 25 de Abril é festa, é música, é E Depois do Adeus, é Grândola, Vila Morena , é Vejam Bem, é Acordai, é o Hino Nacional e muitas mais músicas que sempre adorei cantar em coro.

Este ano e já no ano passado, circunstâncias bem desagradáveis impediram-me de me juntar a um grupo, ou mesmo a uma multidão.

Como consolo, tive nesse dia a companhia de uma amiga e juntas comemos, bebemos, conversámos, rimos e recordámos os velhos tempos em que éramos muitos.

Não cantei, mas foram horas muito agradáveis.

A Amizade também é uma festa!

domingo, abril 26, 2026

Poesia ao domingo

Faz hoje 110 anos que Mário Sá-Carneiro morreu em Paris aos 25 anos.
Foi um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d´Orpheu.



 

sexta-feira, abril 24, 2026

Descer a Avenida da Liberdade

Hoje seria, segundo o calendário anterior, dia de música, mas talvez por ter mudado de operadora ou por aselhice minha, não consegui introduzir o som que queria " Os Lobos e Ninguém ", com música e letra de José Luís Tinoco, desaparecido há dias, na voz de Carlos do Carmo. É uma música que recomendo, fala-nos da guerra colonial e implicitamente é um apelo à paz. 

Ontem no contacto telefónico diário com o meu filho, disse-me que viria sábado, como habitualmente.

Insurgi-me logo:

- Então não vais descer a Avenida com os rapazes?

- Pensei que preferias que fôssemos sábado...

- De maneira alguma! Primeiro está a festa da Avenida, de preferência com um cravo ao peito.

O cravo, ele não levará pela certa, é muito contido, mas eu irei jantar com uma amiga e lá estaremos nós, a festejar de véspera, de cravo ao peito, numa terra onde os cravos não proliferam!

quinta-feira, abril 23, 2026

Dia Mundial do Livro

 " - Eu também sinto necessidade de reler os livros que já li - diz um terceiro leitor - mas em cada releitura parece-me ler pela primeira vez um livro novo. Serei eu que continuo a mudar e vejo coisas novas que antes não tinha notado? Ou a leitura é uma construção que ganha forma juntando um grande número de variáveis e não se pode repetir duas vezes de acordo com o mesmo desenho? Sempre que tento reviver a emoção de uma leitura anterior, obtenho impressões diferentes e inesperadas, e não reencontro as anteriores.


In- Se Numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino


Nota: Acabei de ler este livro e essa leitura tornou-se um exercício de persistência, eu que de persistente tenho pouco ou nada.

Foi-me trazido pelo meu filho, ainda eu estava e estive em reclusão e disse-me que já tinha pegado nele várias vezes, mas que acabava por o largar.

Essas palavras levaram-me até ao fim da obra e, no fim, assimilei um pouco da sua mensagem que versa sobre o prazer de ler, de tal forma que são iniciados dez romances e nenhum é concluído. Torna-se numa espécie de busca pela continuidade de obras que se interrompem por estranhos acontecimentos.

E convosco o que se passa?

Gostam de reler certas obras ou não?

quarta-feira, abril 22, 2026

No último andar

 No último andar é mais bonito

do último andar se vê o mar.

É lá que eu quero morar.


O último andar é muito longe:

custa-se muito a chegar.

Mas é lá que eu quero morar.


Todo o céu fica a noite inteira

sobre o último andar.

É lá que eu quero morar.


Quando faz lua no terraço

fica tudo ao luar.

É lá que eu quero morar.


Os passarinhos lá se escondem

para ninguém os maltratar:

no último andar.


De lá se avista o mundo inteiro:

tudo parece perto, no ar.

É lá que eu quero morar:

no último andar.


Cecília Meireles

terça-feira, abril 21, 2026

Mudança

 Nestes últimos 2 anos, a minha mobilidade alterou-se e daí ter que deixar a casa que foi o meu porto de abrigo, durante 57 anos, apesar de ter feito outras escolhas temporárias.

Eis-me de novo no pequeno apartamento que comprámos há 23 anos, quando a casa sofreu um incêndio em Dezembro de 2003. Estivemos aqui quase 5 anos e foi um tempo doloroso, lembro-me de passar semanas deitada num sofá com um cobertor por cima da cabeça, após esse fatídico Dezembro de 2004.

Mas não podia continuar assim a bem da minha sanidade mental e do equilíbrio familiar.

Agora vou ter que criar novas vivências, umas vezes só , outras com o filho e os netos. Os miúdos, agora adolescentes, gostam deste espaço, mas adoram a vivenda e tudo o que ela representa na sua infância de citadinos.

Aos poucos vêm pertences de lá, embora seja impossível trazer tudo o que gostaria, sobretudo livros, quadros e as fotos de família que cobrem uma das paredes do meu escritório.

segunda-feira, abril 20, 2026

E escrevo o quê?

 Depois de mais de seis meses sem abrir este espaço, sinto uma certa estranheza acompanhada pela indecisão.

Irei continuar a postar, irei procurar temas interessantes para partilhar, ou simplesmente deixo acontecer, porque este não é um blogue de grandes voos.