Quem me espera não me espera
Quem me ama já esqueceu
Quem me toca dilacera
Esta estranha primavera
Que o mês de Maio me deu
Eu já não sei o que tenho
Se febre, se mal ruim
Se este sentimento estranho
De não ser de onde venho
Comigo longe de mim
E assim fico sentado
Com as algas a boiar
De queixo na mão pousado
Ó meu barquinho parado
Sem porto para ancorar
António Lobo Antunes
" VODKA e VALIUM 10"
P.S. A Teresa, que está de férias no Porto, lembrou-me a feição poética de ALA, daí este poema.
«Vodka e Valium 10» reflete uma profunda melancolia, solidão e desapego existencial, características marcantes da sua escrita.
ResponderEliminarRegressei ao Porto e amanhã tenciono comprar Livro de Poemas de António Lobo Antunes.
Sinto nele algo de Pessoa!
EliminarAbraço
Vodka e Valium ... isso dá cá uma 'pedra'!!!
ResponderEliminarALA é ele mesmo, está tudo dito.
Um abraço, Léo, boa semana.
É o que se chama uma mistura explosiva!
EliminarAbraço
Depois de ler este poema, li uma das suas crónicas sobre os pobrezinhos que as tias tinham. Uma linguagem mais simples, de facto, mas também sem medir as palavras... :))
ResponderEliminarAté nas crónicas ele é, por vezes, acintoso!
EliminarAbraço
Exatamente! Escolheste o adjetivo perfeito. :))
EliminarDesejo-te boa semana.
ResponderEliminarAbraço :)
Vê-se bem que que não gostas dele! :))
EliminarAbraço
Bacana demais! Parabéns!
ResponderEliminarCuanta belleza poética resumen estos melancólicos versos. Un abrazo.
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