domingo, junho 07, 2026

Poesia ao domingo

 

Quem me espera não me espera

Quem me ama já esqueceu

Quem me toca dilacera

Esta estranha primavera

Que o mês de Maio me deu


Eu já não sei o que tenho

Se febre, se mal ruim

Se este sentimento estranho

De não ser de onde venho

Comigo longe de mim


E assim fico sentado

Com as algas a boiar

De queixo na mão pousado

Ó meu barquinho parado

Sem porto para ancorar


António Lobo Antunes

 " VODKA e VALIUM 10"


P.S. A Teresa, que está de férias no Porto, lembrou-me a feição poética de ALA, daí este poema.

11 comentários:

  1. «Vodka e Valium 10» reflete uma profunda melancolia, solidão e desapego existencial, características marcantes da sua escrita.

    Regressei ao Porto e amanhã tenciono comprar Livro de Poemas de António Lobo Antunes.

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  2. Vodka e Valium ... isso dá cá uma 'pedra'!!!
    ALA é ele mesmo, está tudo dito.
    Um abraço, Léo, boa semana.

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  3. Depois de ler este poema, li uma das suas crónicas sobre os pobrezinhos que as tias tinham. Uma linguagem mais simples, de facto, mas também sem medir as palavras... :))

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  4. Desejo-te boa semana.

    Abraço :)

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  5. Cuanta belleza poética resumen estos melancólicos versos. Un abrazo.

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