domingo, maio 17, 2026

Poesia ao domingo

 Os Remos


Que rumor de remos

De que negra barca


Ouve-se tão perto

sem se ver a água


Vem Caronte ao leme

Ou tudo uma farsa


que ninguém encena

que ninguém aplaude


Em torno parece

adensar-se o nada


O que mais inquieta

já não tem palavras


Mas ainda resta

saber de que margem


ouvimos os remos

não vemos a água


David Mourão-Ferreira, in "Quatro Tempos"

8 comentários:

  1. Desconhecia este poema e gostei imenso!
    Beijos e um bom domingo!

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    1. David Mourão-Ferreira tem poemas muito significativos!

      Abraço

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  2. A essência da poesia e da criação literária reside na capacidade de transformar a linguagem comum num objeto artístico autónomo, capaz de recriar o mundo e evocar a experiência humana profunda.
    Abraço da invicta.

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    1. O poeta expressou de forma muito simples a sensação de finitude!

      Abraço, Teresa

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  3. Gosto de toda a poesia de David Mourão-Ferreira. Cheguei a ver na RTP alguns episódios do seu programa "Imagens da Poesia Europeia."
    Bom resto de domingo e óptima semana, Leo.

    Abraço

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  4. Gosto muito de poesia e a de David Mourão-Ferreira é belíssima!

    Abraço, Janita

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  5. Gostei do que li.
    Boa semana e um abraço, Léo.

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  6. Foi escolhido para gostares! :))

    Abraço, António

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