Os Remos
Que rumor de remos
De que negra barca
Ouve-se tão perto
sem se ver a água
Vem Caronte ao leme
Ou tudo uma farsa
que ninguém encena
que ninguém aplaude
Em torno parece
adensar-se o nada
O que mais inquieta
já não tem palavras
Mas ainda resta
saber de que margem
ouvimos os remos
não vemos a água
David Mourão-Ferreira, in "Quatro Tempos"
Desconhecia este poema e gostei imenso!
ResponderEliminarBeijos e um bom domingo!
A essência da poesia e da criação literária reside na capacidade de transformar a linguagem comum num objeto artístico autónomo, capaz de recriar o mundo e evocar a experiência humana profunda.
ResponderEliminarAbraço da invicta.
Gosto de toda a poesia de David Mourão-Ferreira. Cheguei a ver na RTP alguns episódios do seu programa "Imagens da Poesia Europeia."
ResponderEliminarBom resto de domingo e óptima semana, Leo.
Abraço