segunda-feira, agosto 24, 2026

Perdeu-se Relógio de Senhora


 

"Portugal, anos do fascismo. As vidas de três mulheres vão-se desvendando, inscritas num tempo com pouca cor, sob o olhar vigilante da Polícia política e de uma moral repressiva, num país sob a sombra da guerra colonial e já farto da ditadura." 

Estas mulheres de origens sociais e de contextos geográficos diferentes acabam por se encontrar num apartamento em Lisboa.

Cada uma delas carrega um ferrete, uma sofreu a violência doméstica e refez a vida fora do casamento, outra, proletária, aderiu ao PC, viveu na clandestinidade, foi presa e depois de longa tortura disse o que podia ser dito, a terceira, mais jovem, vive a vergonha de ser filha de pais incógnitos embora saiba quem é o pai a quem chama padrinho.

Este romance lê-se de um fôlego, pois a técnica narrativa é aliciante, num vai e vem entre cada uma das protagonistas.

A linguagem é quase coloquial, muito atual, em desconformidade com o que é narrado.

O narrador é muito interessante porque vai opinando pelo meio, de forma mordaz, irónica.

6 comentários:

  1. O título do livro evoca uma famosa senha clandestina usada pelo Partido Comunista Português nos jornais para alertar que um militante havia sido preso pela PIDE.
    Continuação de boas leituras.

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    1. Exatamente, Teresa, essa era a senha!
      Tempos difíceis, embora a violência doméstica persista de uma forma mesmo criminosa!
      A clandestinidade e a ilegitimidade felizmente que desapareceram.

      Abraço

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    2. Pelo que descreves parece ser um livro que eu gostaria de ler.
      Gosto do cabeçalho. Está mais nítido hoje.
      :)

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  2. Li a interessante entrevista de Alice Brito na "Visão " e a vontade de ler o livro acentuou-se com a tua abordagem.

    Abraço, bom resto de Agosto :)

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  3. Filho de pai incógnito.
    Que normalmente era de todos conhecido.
    Uma das crueldades dos tempos de antanho.
    Abraço, boa semana

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  4. Livro digno de se ler para não nos esquecermos
    do tempo da ditadura.
    Como bem disse, a violência doméstica persiste...
    Abraço
    Olinda

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