Se há uma coisa que me incomoda é a falta de solidariedade feminina.
Vivo felizmente num ambiente social e familiar onde essa prática existe, alargada também ao universo masculino tão necessitado de apoio, por vezes.
Vem isto a propósito de uma notícia que surgiu esta semana com o encontro de uma criança de 3 anos, aparentemente abandonada e a chorar nas escadas de um prédio, altas horas da noite.
Logo soaram os alarmes por parte dos vizinhos que chamaram a polícia, entretanto a irmã de 15 anos, que era a sua cuidadora temporária, surgiu e justificou a sua ausência com a necessidade de comprar bolachas. A mãe, ausente por estar a trabalhar, tinha acabado de lhe mandar 10 euros por MBWay.
Caiu o Carmo e a Trindade contra a mãe que "abandonou" dois filhos menores à sua sorte.
Ninguém teve em consideração o tipo de trabalho da mãe, trabalho noturno, nem a cultura de origem da família em questão.
Se para nós, europeus, uma menina de 15 anos não pode ser responsável por um irmão, uma menina africana dessa idade tem essa responsabilidade desenvolvida.
Não estou a dizer que seja normal aceitarmos uma situação destas, estou a lamentar que sejam logo as mulheres a atirar a primeira pedra, sem antes se questionarem do porquê da mesma.
Sabem lá muitas mulheres que vida difícil vivem neste país famílias monoparentais, sobretudo mães com filhos menores e sem rede de apoio familiar?
Devem ser do tipo "mulheres conservadoras", porque as outras têm de solidárias, fraternas e nunca atirarem a primeira pedra a quem já é flagelada pelas agruras da vida.
Agora está tudo nas mãos da CPCJ e talvez esta mãe possa ser olhada com humanismo.
Essa realidade – concordo contigo – só vai mudar quando decidirmos estender a mão em vez de fazer julgamentos precipitados.
ResponderEliminarEstender a mão seria a solução para muitos e graves problemas, Catarina!
EliminarAbraço
A forma alarmista como se dão notícias neste nosso tempo, coloca qualquer um em situação duvidosa, Rosa.
ResponderEliminarBasta apanharmos transportes públicos antes das 8 da manhã, para vermos estas mulheres de pele menos clara, a irem para o "primeiro trabalho" (algumas têm três, para conseguir sustentar a família...). Muitas só regressem a casa depois das horas de jantar...
Há por exemplo quem ache piada à forma como vasculham a vida ao ministro da administração interna, que se percebe à légua, que além de vaidoso, tem vários cursos de "chico espertice". Mas está chegar-se ao cúmulo, ao meterem-se com o número de carros que tem, e darem notícias como e se andasse por ai a passear com um "lamborguini" apreendido pelo estado.
Eu sei que isto não é informação, é outra coisa, das felgueiras, cabritas e leais, peritas em usar meias mentiras e meias verdades nas suas reportagens.
abraço
O alarmismo passou a ser uma arma para, de forma consciente ou não, se varrer para debaixo do tapete a realidade que deveria ser encarada como prioridade.
EliminarAbraço
Isto é uma não notícia.
ResponderEliminarA comunicação dita social empola o que já de si pode ser um facto.
Ao acontecimento, a notícia não corresponde.
A situação não é tão grave quanto parece, aos olhos dos jornais e tv's.
Um abraço, Léo, bom dia de domingo.
A situação é dolorosa, António!
EliminarAbraço
Subscrevo totalmente tudo o que dizes!
ResponderEliminarBeijos e um bom domingo!
EliminarUm bom domingo, também para ti.
Abraço
Assino por baixo, se permites.
ResponderEliminarAbraço, bom domingo.
Um bom domingo, também para ti!
ResponderEliminarAbraço
Hoje em dia, ninguém olha ao seu redor para ver quem precisa de auxílio para lhe dar a mão, olham sim, para julgar e condenar sem dó nem piedade.
ResponderEliminarEste teu tão bem explícito texto, trouxe-me à ideia a Luísa do poema de Gedeão.
Abraço
O cansaço das mulheres proletárias é o cansaço de todas nós, por elas.
EliminarVivemos numa sociedade cada vez menos solidária!
Abraço