terça-feira, abril 01, 2025

Leituras

Com tantas obras lidas de José Saramago "Levantado do Chão" foi-me ficando para trás.

Até que neste aniversário o recebi como presente, comprado num alfarrabista e, por isso, com direito a uma 3a edição .

O romance, publicado em 1980,  percorre uma zona do Alentejo bem demarcada, caracterizada pelo latifúndio, desde o final do séc. XIX, ainda na monarquia, até ao período pós-Revolução do 25 de Abril, com a ocupação de herdades, numa marcha onde até os mortos estão presentes, metaforicamente.

É o retrato de um povo e da sua luta contra séculos de opressão e de desigualdade social, assentes numa espécie de trilogia - a Igreja, representada pelo padre Agamedes, o latifúndio nas mãos dos donos da terra e o Estado representado pela guarda, ao serviço do latifúndio.

Mas do que mais gostei foi do seu narrador omnisciente e omnipresente, que opina sobra os factos, os pensamentos das personagens, dando-se até ao luxo de dialogar com as mesmas e com o narratário (leitor), revelando , por vezes, de forma humorística o evoluir dos acontecimentos.

Fiquei fascinada com esta narrativa e ao mesmo tempo emocionada com esta luta tão justa por parte dos homens e mulheres do latifúndio, como o narrador os nomeia.

14 comentários:

  1. Só eu sei o quanto gostaria de poder fazer coro contigo nessa tua admiração e deslumbramento pelo autor e o livro, "Levantados do Chão". Foi o primeiro e único livro que comecei a ler e deixei a menos de meio.
    Infelizmente, para mim, claro, não conhecia a particularidade de Saramago escrever sem pontuação. Sem diálogos, sem perguntas nem respostas, depressa me cansei e o devolvi ao meu genro, um dos maiores admiradores de Saramago que já conheci. Tem todos os seus livros.

    Abraço

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    1. Não tenho todos os seus livros, mas tenho bastantes que já li, sem dificuldade.
      Ler Saramago é como seguir o ritmo da música para dançar.
      Minha querida Janita, Saramago usa muita pontuação, mas de acordo com o tal ritmo quase coloquial, misturando falas do narrador com falas das personagens, apesar disso notam-se bem essas diferenças.
      Contudo, é verdade que há muitos leitores com as dificuldades que apontar.

      Abraço ainda com sol

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    2. Digamos que Saramago é, para a Literatura de uma maneira geral e portuguesa, em particular - em relação à minha pessoa - uma espécie do filme Pulp Fiction de Tarantino.
      Da primeira vez que o vi, não percebi patavina. Tive de o ver três vezes, para perceber que aquilo, andava para a frente e para trás, numa sucessão contínua de cenas, somente à quarta vez, entendi a cena da injecção no coração, dada pelo Travolta na Uma Thurman - de franja à Beatriz Costa - e outras cenas no género.
      Hoje, adoro o filme, que já vi, seguramente, umas 6 vezes.

      Abraço

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    3. Pois eu nunca vi esse filme! :))

      Abraço ainda com sol

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  2. Li esse excelente livro há muitos anos e , sim, emociona pelo retrato fiel feito do que se sofria num Alentejo latifundiário.

    Abraço, bom Abril.

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    1. Os homens do latifúndio estavam sujeitos a todo o tipo de prepotências!
      Sou fã de José Saramago.

      Abraço

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  3. José Saramago é um gosto adquirido.
    Um gosto que ainda não adquiri após várias tentativas.
    Todavia... depois de ter esta tua publicação, decidi consultar a bibliota na esperança de o encontrar, entre tantos outros que sei existem... E encontrei. Um exemplar apenas - no formato digital!! - que, em segundos, já está na minha posse... nos meus vários dispositivos de leitura.
    Ora diz lá se esta nova/já velha tecnologia não é extraordinária!!
    O título é “Levantado do Chão”... no singular.

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  4. Espero que gostes tanto desta obra como eu gostei.
    Tiveste sorte ao encontrá-lo em formato digital e sem saíres de casa.
    Há já uns tempos que não lia nada de José Saramago e é uma maravilha ver como ele constrói as narrativas.
    Não admira que tivesse recebido o Prémio Nobel.

    Abraço

    Abraço

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    1. Bem o promovi em 1998. :)) lembro-me do ano... sem confirmar no google.

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  5. Foi o livro, que ao le-lo, fez nascer em mim a ideia de lançar as minhas "Homilias Dominicais (citando Saramago)"

    Abraço agradecido

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    1. Sou fã de Saramago, mas nenhuma obra como esta me tocou pelo realismo atroz do quotidiano dos camponeses alentejanos.

      Abraço

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  6. É um dos poucos livros de José Saramago que ainda não li.
    Abraço amigo nesta quarta-feira risonha e fria.

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    1. Como disse também me tinha ficado para trás.
      Mas vale a pena.

      Abraço numa tarde envergonhada

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  7. Estranhamente nunca li um livor do Saramago e tenho três ali arrumadinhos na estante. Porque os comprei para ler, evidentemente.
    Mas outros me "puxaram" com mais força, outras actividades me ocuparam, ou... sei lá eu? Ainda não aconteceu, mas vai acontecer.
    Depois eu digo.
    Beijinhos e sorrisos

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