domingo, setembro 10, 2006

Gato que brincas na rua


Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu,
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

3 comentários:

Skywatcher disse...

Até para ser gato é preciso ter Sorte. Enquanto uns " bichanos " são obrigados a andar pelos matos à procura de incautos ratinhos, e saltitantes gafanhotos, para matar a fomeca, e perecem debaixo das rodas dos automóveis, outros, sortudos, repimpam-se em fofas poltronas, e empanturram-se com montes de Wishkas ( ai não devia ter dito a marca ...?) e espreguiçam-se nos colinhos macios das donas " tias "....

mariajose disse...

Com que então também amante de gatos! E nós conhecemo-nos? Pelo menos conhece o Mounty, um elemento importantìssimo na família

Tite disse...

Este Fernando Pessoa...
nem dos gatos se esqueceu.

Quanto mais o leio mais o admiro.

Como vês, Rosa do vento que passa,
aqui ando a meter o nariz no teu passado, triste mas rico de...
mensagens.

Esta foi a minha interpretação após algumas leituras mais aprofundadas.

Abraços solidários