terça-feira, novembro 30, 2010

No 75º Aniversário da Morte de Fernando Pessoa

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem; outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.




Por que tão longe ir pôr o que está perto - 
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este é o momento, isto
É quem somos, e é tudo.




Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

In "Odes" de Ricardo Reis

17 comentários:

mc disse...

Viva, Rosa!
Bela evocação.
Entre o passado e o futuro,que ambos são o longe, escapa-nos o presente, o perto que não vemos ,criando ou caindo num vazio que nos anula.Mas creio que ele nos viu com tanta clareza porque nos olhou de longe,do fim da África, e mesmo assim,quando já perto, teve necessidade de se criar diferentes afastamentos ,teatralizando a vida atrás de máscaras que para si mesmo compôs.
Mais que todos os outros, este é, em cada ano, o seu dia.

Rui da Bica disse...

Vivamos o dia de hoje !
Porquê viver de recordações, se é passado ?
Porquê imaginar o que ainda não existe, se temos a realidade do hoje para viver ?
Recordar ou imaginar é puro exercício !
Viver o dia de hoje, o momento, é viver !
.

Isa GT disse...

Continuo com Fernando Pessoa...

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

Bjos

Justine disse...

O poeta inesgotável - e portanto imortal!
Beijo

mlu disse...

E, no entanto...

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
........................

Pessoa(às vezes intransponível mas inevitável) nunca acaba!

Boa semana.

Dina (sem login mas a própria) disse...

Gosto de Fernando Pessoa e de todos os "outros" que ele teve coragem de nos mostrar, porque acredito que todos nós somos um e vários e que deveríamos segundo a ocasião pode escolher o nosso eu mais adequado.

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

Dar vida a quem a morte não matou, lembrando quem nos habita com a avalanche da sua poesia eterna.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 30/11/2010

Dina (sem login mas a própria) disse...

Voltei apenas para deixar um excerto de um dos meus poemas favoritos de Fernando Pessoa. É grande...aliás é enorme e chama-se a Tabacaria.
Começa assim:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Podes vê-lo inteirinho no meu Lugar Encantado. Segue o link que está no Coisas.

Bartolomeu disse...

Boa escolha Rosinha!
;)

carol disse...

Faz 75 anos que ele escreveu: "I know not what tomorrow will bring..."

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Bela escolha para uma justa homenagem.

Duarte disse...

Incomparável, único, imenso.
Admiro todas as sua facetas como poeta. Não me canso de o ler, alguma vez sem o compreender, deduzo, mas gosto.
Beijinhos

Catarina disse...

Gostei! Abraço

R. disse...

Bem lembrada a morte de quem soube incitar a fruir da vida ('às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido').

Abraço!

Lilá(s) disse...

Boa escolha, como eu gosto de ler este poeta imortal!
Bjs

sonhadora disse...

Merecida evocação. Fernando Pessoa é único. Adoro ler os seus poemas.
Acabo de abrir o meu blog com um poema seu.

Permita-me que deixe um abraço.

JPD disse...

O Fernando Pessoa é inesgotável.
Assinalar a efeméride é um retomado contacto com a cultura na sua plenitude.

Bjs, Rosa