segunda-feira, março 01, 2010

Leonoreta de lambreta

Passeava-me pelo Chiado quando descobri um café deveras original num pátio interior, ali mesmo ao lado da Bertrand...
Entrei numa 1ª sala onde a peça decorativa por excelência era uma velha máquina de costura, seguia-se uma pequena galeria de exposições e finalmente uma outra sala com cadeiras totalmente desirmanadas, dos anos 30/40/50.
Na galeria encontravam-se quadros de um pintor cujo nome esqueci (a idade não perdoa)...
Saltou-me à vista este porque me lembrei imediatamente de António Gedeão e do seu Poema da Auto-Estrada, com ecos de Camões.
Aqui está, embora incompleto e com a indumentária da Leonor um pouco descoordenada.
Eu ando numa de "incompletude"...

Poema da Auto-Estrada
Voando para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.
Leva calções de pirata,
vermelho de alazarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de indantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.
Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.
Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.
...................................................................

31 comentários:

O caçador de brumas disse...

Mesmo assim: de mota ... só uma vez e na GNR.
Nunca mais.
bjcs
JS

O caçador de brumas disse...

Mesmo assim: de mota ... só uma vez e na GNR.
Nunca mais.
bjcs
JS

fj disse...

Leonor vai formosa e bem segura...
apesar de se o meu meio-transporte diário e de gostar de motos...nunca andei de lambreta, não gosto!...
tb não gosto q me sufoquem ...pela cintura.
:))

fj disse...

* de ser o meu meio-transporte diário...


*
seR
seR
seR
seR
seR

Maria P. disse...

:)vai mesmo!

Beijinho*

Maria disse...

Frequentei esse espaço durante 4 anos... um mandato na CML...
... e eu ando numa de ansiedade.

Um abraço, Rosa.

Luis Eme disse...

bonita descoberta, Rosa.

Lisboa e o mundo é assim, há sempre algo depois da esquina...

abraço

Bartolomeu disse...

Não te perdoo Rosinha. Vieste à cidade grande e não me convidaste para um café.
Tinha-me posto lá num instantinho e nem precisava de ir de lambreta e tu, estarias seguríssima, mesmo sem me abraçares pela cintura.
;)

Alberto David disse...

Vamos lá ganhar coragem e dar uma volta ao Algarve de lambreta.
Cada vez tenho mais saudades da minha Lisboa, quando os Deuses acalmarem terei que ir dar um passeio pelos sitios nunca esquecidos.
Abraço

Rosa dos Ventos disse...

Se passares de novo por aqui diz-me o nome do café, por favor Maria!
Sabes que também havia uma mesa com um montinho de revistas com o nome "Umbigo"...
Tive que ir à net para saber que tipo de revista era.
Santa ignorância, a minha!... :-))

Abraço

Rosa dos Ventos disse...

Também quero pedir desculpa a todos pelo facto da mancha gráfica do poema não estar de acordo com o original!
De vez em quando acontecem-me destas, mesmo usando truques...

Abraço

Maria disse...

Se a minha memória fosse o que era, eu saberia o nome do café. Já foi quase há 8 ou 9 anos. Como saber o nome do café? Mas vou tentar saber.

Um abraço

arabica disse...

Com esta chuva de lambreta é que não!! :)

Beijinhos :)

Justine disse...

Adoro ironia do Gedeão!E fiquei com muita curiosidade em relação a esse local que visitaste. Logo que comece a andar...lá vou eu:))
Beijo

JPD disse...

A ilustração ao poema está perfeita.

A poesia de AG é extraordinária.

Quando acabei o 7º ano no Pedro Nunes, era ele Reitor.

Tinha uma atenção inesgotável para connosco.

Falei-lhe uma vez por causa do desaparecimento de um relógio.
«Vais ver que ainda aparece...

Apareceu.

Escutador de Almas disse...

Foge Leonor, os deuses devem mesmo estar loucos!

Rosa dos Ventos disse...

E foge para onde, Escutador de Almas?
Os deuses encontram-nos sempre! :-))

Abraço

Rosa dos Ventos disse...

De lambreta nunca andei,tal como tu, FJ!
De mota andei com o meu filho mais novo.Há pais que compram para os filhos aquilo que gostariam de ter tido em jovens...
Depois de um ano ou dois de entusiasmo largou-a na garagem.
Fartos deste mono acabámos por vendê-la com a autorização do dono, no mês passado.
Lembro-me de ter tido uma paixoneta de adolescente por um jovem que vinha de longe, nas férias, passar-me à porta de lambreta...
Creio que a paixoneta tinha mais a ver com a lambreta! :-))

Abraço

Dina disse...

FJ...não gostas que te sufoquem pela cintura???
Está bem...
Rosa tenho saudades de andar assim à descoberta.
Gostei do quadro e também de reler António Gedeão.

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Bartolomeu disse...

Peidei... aqui neste blog...? Nem pensar!!!

Rosa dos Ventos disse...

Esta é que eu não percebi, Bartô...
explica lá porque eu estou cada vez mais loira! :-))

Abraço

Rosa dos Ventos disse...

Dinita
O FJ tem de nos explicar onde é que se agarra a ou o pendura quando ele viaja na sua mota acompanhado... :-))

Abraço

Teresa disse...

Quando voltar ao Chiado, vou procurar esse café.

Abraço. Teresa

Bartolomeu disse...

a explicação estava no comentário anterior Rosinha, que foi apagado pelo administrador do condomínio
;)))
dizia : pay day... isto tem a ver com gases... digo eu... sei lá...

Rosa dos Ventos disse...

Caro Bartô
Ultimamente têm, de facto, aparecido muitos pays...
Será de alguma feijoada?! :-)

Abraço

Rui disse...

Tenho-me descuidado nas minhas visitas, sobretudo às amigas que herdei de meu irmão Rodrigo. E esqueci-me que aqui também, apesar dos ventos, há rosa, rosa ribatejana. E foi um comentário no meu blogue (afirmo, agora, com orgulho, MEU, já que Ele jamais voltará a roubar-mo) que me despertou do meu sono, não tanto dogmático, mais asmático, sem realmente o ser, e me trouxe aqui. Reconheço que, embora difícil de encontrar nestas parangonas, temos aqui rapariga esperta, ladina e sabida, que não anda nestas andanças para carpir sentimentos recauchutados... e que até faz comentários inteligentes. Pois os deuses até estão mesmos loucos e o facto é que já não dá para rir.

Duarte disse...

Fantástico... um quadro funambulesco, de lambreta!

Não conhecia o poema e gostei.

Um abraço

Há.dias.assim disse...

há dois meses tb descobri esse café, por acaso e fiquei pasmada. mas gostei!
Gostei do poema.

redonda disse...

Muito giro o poema :)Não conhecia.

continuando assim... disse...

convite para seguir a história de Alice, lá no
--- continuando assim... ---

bj
bom fim de semana
teresa