quarta-feira, março 21, 2007

Tempo de poesia



Todo o tempo é de poesia




Desde a névoa da manhã

à névoa do outro dia.




Desde a quentura do ventre

à frigidez da agonia.




Todo o tempo é de poesia.




Entre bombas que deflagram.

Corolas que se desdobram.

Corpos que em sangue soçobram.

Vidas que a amar se consagram.




Sob a cúpula sombria

das mãos que pedem vingança.

Sob o arco da aliança

da celeste alegoria.




Todo o tempo é de poesia.




Desde a arrumação do caos.

à confusão da harmonia.



António Gedeão





5 comentários:

Luis Eme disse...

Todo o tempo é de poesia...

nós é nos esquecemos...

deste bonito recado de Gedeão...

Rosa dos Ventos disse...

Tens toda a razão, Luís!
Passamos a vida a sofrer por não termos olhar de poeta!

LB disse...

Todos dias... até hoje!

Beijinho

Maria P. disse...

Exactamente. Todos os dias!

Beijinho*

redonda disse...

Não conhecia. É muito bonito.