sábado, outubro 20, 2012

A Avó


                                                                   (imagem da net)

Tinha ao colo o gato velho                     
cansadamente passando
a sua branca mão pelo
pêlo dele preto e brando

Sentada ao pé da janela
olhando a rua ou sonhando-a
todo o passado passando
a passos lentos por ela

Dormiam ambos enquanto
a tarde se ia acabando
o gato dormindo por fora
a avó dormindo por dentro.

Manuel António Pina


Nota: Ontem quando ouvi a notícia da morte de Manuel António Pina nem queria acreditar!
          Já tinha dada pela falta das suas belas crónicas no DN mas nem sabia que estava tão doente.
          Deixa-nos demasiado cedo e ainda com muito para nos contar.
          Escolhi este poema porque sei que ele adorava gatos, aliás nas suas fotos aparece inúmeras vezes 
          com eles ao colo ou por perto.
          Como também gosto destes animais tão enigmáticos foi uma forma de lhe prestar a minha sentida        
          e sincera homenagem

28 comentários:

Nina disse...

Quantas perdas de gente boa nestes últimos tempos!
Bonita homenagem.

Aquele abraço, Rosinha

ematejoca disse...

Fiquei muito triste ao ler ontem nos jornais portugueses a notícia da morte de Manuel António Pina, que era um apaixonado pelo Porto e pelos gatos, tal qual como eu.

Nem sabia que o Manuel António Pina era poeta, só o conhecia como cronista, mas já agora, gostava de ler outros poemas dele.

Sabes onde os posso encontrar, Rosa dos Ventos?

São disse...

Estamos ficando cada vez mais pobres em tudo.
Paz à sua alma!

Sei que tens uma gata doente, espero que melhore.

É que eu adoro felinos...

Bom fim de semana

Rosa dos Ventos disse...

O único livro que tenho de poemas dele, com muita pena minha, chama-se "Os Livros" e é da Assírio & Alvim!
Agora gostava de comprar as suas crónicas compiladas que soube que existiam a partir do "Rochedo"!
Às vezes coisas importantes passam-me ao lado...:-((
A sua poesia é fortemente marcada pela melancolia...também sofro disso mas disfarço!

Abraço +ar a amiga da Alemanha

folha seca disse...

Bela Homenagem cara Rosa

"Não deixemos os nossos mortos morrerem".
Abraço
Rodrigo

Anónimo disse...

Tive muita pena , gostava das suas crónicas; não sabia que estava tão doente.Tem morrido muita gente ainda jovem.M.A.A.

Teté disse...

Vou contar a mesma história que já contei à São e que li ontem no facebook: quando ele recebeu o prémio Camões, no ano passado, um amigo telefonou-lhe a dar os parabéns; diz que ele estava num entusiasmo só... porque a sua gata tinha tido gatinhos! Fiquei com essa imagem ternurenta, de um homem simples... :)

E gostei do poema!

Abraço

Janita disse...

Gostei muito do poema e da homenagem que presta a Manuel Antónia Pina, Rosa! Tão simples, quão simples e verdadeiro foi esse grande vulto da Literatura portuguesa.
E, aos poucos, vamos ficando mais pobres...

Um beijo.

Janita

Anónimo disse...

Rosinha, mil perdões. Só agora percebi que tinhas uma menina doente.
Que cure bem depressa!

(Nem calculas a preocupação que tenho em me adoecer a gatinha. Do Gui tenho seguro e ajudas. Dela não tenho nada. Nem quero pensar na aflição e impotência minhas. Que volte depressa o bem estar!)

Aquele abraço
Nina

Flor de Jasmim disse...

Belissima e sentida homenagem!
Gostei do poema.

Rosa espero que a tua gatinha esteja melhor.

Beijinho e uma flor

Isa GT disse...

Também não sabia que estava doente e com 68 anos, é sempre uma daquelas notícias que nos provoca um choque e nos relembra que isto é só uma breve passagem.

Aproveito para desejar as melhoras da gatinha.

Bjos

Mariinha disse...

Tal como ele e tu, também gosto muito de gatos.

Beijinhos e bom fim de semana

Catarina disse...

As doenças incuráveis não perdoam, não escolhem idade, nem cor, nem religião, nem…
Abraço

Ovelha Flor Guerreira disse...

Ficamos mais pobres...gostei da homenagem...e o Abraço?

Lídia Borges disse...


Um poeta maior que fez da palavra um instrumento de amor, de tolerância e benevolência.
Também fui surpreendida pela notícia que muito me entristeceu.

Um beijo

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Foi uma bela escolha que ele, certamente, muito apreciará esteja onde estiver.

Lilá(s) disse...

Vamos perdendo tudo! pessoas válidas, direitos, TUDO...
Bjs

Dalma disse...

Estou a repetir o que anteriormente se disse:
Um belo poema e uma excelente escolha sua!

Rosa dos Ventos disse...

A imagem de que me servi reproduz um quadro do alemão Max Liebermann (1847-1935) e encontra-se no J. Paul Getty Museum de Los Angeles.
Devia ter colocado toda esta informação como legenda...

rouxinol de Bernardim disse...

Bucolismo e ternura na pena de um artista...

luna luna disse...

uma bonita homenagem, que ele encontre a luz e descanse em paz
beijinhos

maria mar disse...

Estamos condenados a ficarmos cada vez mais pobres, amiga. De todas as formas!....
:-(((

Bjinho

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Doce poesia,comovente homenagem ao poeta que se finda inesperadamente.

Gostei de vir aqui, adoro gatos!
Hei de voltar, um abraço.

heretico disse...

beijo, gostei da homenagem

também gosto de seres enigmáticos...

Anónimo disse...

Um homem da ternura
do meu tempo
do meu lugar.
Uma perda enorme. Tão simplesmente nos deixou, mais sós. Na melancolia desta gente boa que nos vai.
Abç da bettips

Graça Sampaio disse...

Só hoje dei conta deste texto! (Ando com uma vida complicada com trabalho.) Que lindo o poema! Não conhecia. Muito lindo. Muito bem escolhido.

Uma perda inesperada.

Justine disse...

Grande poeta e amigo dos seus gatos - muita pena por ter partido tão cedo...
Bela homenagem, Rosa:))

Duarte disse...

Uma pena!... fica-nos o consolo da sua obra escrita.
Belo gesto o teu.
Abraços